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Correio Braziliense

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Você é difícil?

Funcionários temperamentais podem prejudicar o rendimento do resto da equipe. Manter o diálogo e aprimorar o processo de seleção são as melhores maneiras de resolver e de evitar esse tipo de situação

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postado em 27/05/2013 10:23 / atualizado em 27/05/2013 15:38

Mariana Niederauer

Lidar com pessoas difíceis no dia a dia está entre os principais problemas que os profissionais enfrentam no ambiente corporativo. A característica indesejável pode estar no chefe da seção ou até no colega que se senta na mesa ao lado no escritório. E o pior é que nem sempre essas pessoas percebem que estão sendo fontes de aborrecimento para os outros, mas atrapalham a concentração dos colaboradores e podem prejudicar o rendimento da empresa.

O coach Maurício Seriacopi explica que o primeiro passo para encontrar uma solução é refletir sobre o assunto. “Por muitas vezes, pensamos que o problema está nos outros. Então, é importante fazer uma autoavaliação: ‘é só comigo ou esse líder ou colega tem mesmo características que prejudicam o desempenho da equipe?’”, explica. Se a conclusão for mesmo a de que o problema está no outro, é hora de agir.

Nesses momentos, é o líder quem ocupa o papel central para a resolução do conflito. Alçar profissionais a cargos de chefia sem a qualificação necessária é o principal erro das empresas. O gestor precisa estar preparado para ter conversas francas com o funcionário e entender as razões pelas quais ele se tornou uma pessoa difícil. Segundo Seriacopi, os motivos podem ser desde um problema no próprio escritório até um trauma de infância. Tentar ajudá-la da maneira que for possível é o melhor caminho, mas sem ultrapassar o limite do bom senso e sem ser tolerante demais.

Bater de frente com as pessoas que têm temperamento difícil no trabalho, de acordo com o especialista em gestão de profissionais Diego Maia, presidente do grupo CDPV, nunca é a melhor saída: é necessário exercer a paciência. “A empresa precisa estar atenta e os chefes têm de entender que é difícil mudar o comportamento. É possível mudar a técnica, mas não o comportamento”, relata.

É importante, ainda, respeitar as individualidades de cada um. “Não existem fórmulas mágicas nem receita de bolo”, alerta a especialista em gestão estratégica da comunicação organizacional Lyrian Faria, diretora executiva da consultoria Dynamica. De acordo com Lyrian, o melhor a se fazer é ouvir a pessoa e entender qual é a dificuldade dela. Isso porque, se a mudança for imposta pelo líder, dificilmente o profissional vai respeitá-la. Uma das soluções é dar retorno sobre o trabalho exercido o tempo todo, sem medo, inclusive, de fazer críticas quando for preciso. “Precisamos aprender a dar e a receber feedback. Isso tem que ser feito todos os dias, pois é uma ferramenta excelente de desenvolvimento das pessoas. Elas recebem esse retorno e pensam no que fazer para mudar, não é um simples comando.”

Esse instrumento de gestão pode ser usado por todos, inclusive quando o cenário se inverte e a pessoa difícil é aquela que exerce a chefia. Nesse caso, a sugestão é manter a transparência e falar abertamente com o chefe sobre a postura dele, além de analisar o perfil do gestor. Se ele é rígido em relação à entrega de resultados, não quer dizer que tenha comportamento reprovável. O problema está em se criticar o funcionário sem embasamento ou dar um retorno negatigo na frente dos outros, como explica o especialista Diego Maia.

Se o diálogo não for uma possibilidade, Maia sugere que o trabalhador recorra ao setor de Recursos Humanos ou à ouvidoria da empresa, mas nunca a um nível hierárquico acima, pois esse comportamento pode ser classificado como insubordinação, mesmo em casos mais críticos. A única exceção é nas situações em que o funcionário é questionado pelo próprio superior sobre o problema.

A raiz do problema
Profissionais que estão há muito tempo na empresa, principalmente os que exercem cargos de confiança, ou aqueles que chegaram à organização por indicação de amigos ou parentes, são os mais propícios a desenvolveram características que irritam e atrapalham os demais colaboradores. Empresas que não têm uma política disciplinadora, que não incentivam o engajamento dos funcionários com os objetivos organizacionais e em que os líderes se distanciam dos níveis hieráquicos inferiores também são solos férteis para o surgimento desse tipo de trabalhador.

Para evitar o problema, a saída, segundo o coach Maurício Seriacopi, é que a empresa tenha missão, visão e valores claros. “Quando você tem uma organização com princípios claros, essas pessoas não surgem e nem conseguem entrar, são repelidas automaticamente”, explica. O especialista defende que as companhias valorizem em seus processos seletivos as características pessoais do candidato, e não apenas as habilidades técnicas, para enxergar se esse profissional corre o risco de apresentar problemas de convívio social no futuro. “Com a chegada da tecnologia, os indivíduos estão cada vez mais carentes de relacionamentos. Por muitas vezes, essa carência gera um escudo de proteção e o trabalhador fica com medo de que qualquer um seja uma ameaça. Aproximar-se dele pode ser uma forma de resolver o problema facilmente”, afirma.

Ponto final
Se, mesmo depois de todas as tentativas de harmonizar o relacionamento, o profissional gerador de problemas não mudar o comportamento, o jeito é se distanciar e manter apenas a cordialidade requerida pelo ambiente profissional. Pedir demissão deve ser a última medida, mas é uma das possibilidades, ou, no caso de quem ocupa cargos de liderança, substituir o funcionário com temperamento difícil. “Não significa que em outras empresas você não vai encontrar pessoas parecidas, mas serão outras pessoas e você poderá testar o conhecimento que adquiriu”, reflete Mauricio Seriacopi.

 O designer gráfico Adolfo Clementino Borges, 55 anos, precisou tomar a decisão mais drástica. Terceirizado de um órgão público, ele passou a ser comandado por uma servidora que tratava os outros funcionários mal e tinha uma postura arrogante. Além disso, ele conta que a funcionária passava tarefas difíceis com prazos curtos, impossíveis de serem cumpridos. Adolfo chegou a levar o problema ao seu superior direto, mas não houve jeito de resolver a situação. Hoje, ela está afastado pelo INSS e aguarda o fim da licença para procurar outro emprego. “Eu não gostaria que ninguém passasse pelo que passei: sofrer e ver outras pessoas sofrendo, e em situações às vezes até piores que a minha”, desabafa.

 

Conheça o seu perfil
Este questionário ajudará a entender de que maneira você encara as pessoas difíceis no ambiente profissional e se você corre o risco de se tornar uma delas. Escolha as respostas com as quais mais se identifica


Quando encontro uma pessoa difícil no trabalho, eu:


1

[ A ] sempre me comparo com ela para ver quem está certo
[ B ] ando na direção contrária o mais rápido possível
[ C ] faço uma ligeira pausa para refletir por que a considero difícil


2
[ A ] determino qual de nós tem mais autoridade na empresa para usar contra o outro
[ B ] evito qualquer contato com essa pessoa
[ C ] mantenho, intencionalmente, mais proximidade com ela para saber se estou tendo uma visão global


3

[ A ] determino qual de nós tem mais autoridade perante a equipe para usar contra o outro
[ B ] planejo de que maneira posso me defender de todo e qualquer uso de autoridade contra mim
[ C ] analiso de que modo questões de autoridade popular e de autoridade institucional podem ajudar a fazer uma ponte entre nós dois


4

[ A ] faço um registro de seus delitos contra mim
[ B ] tento fingir que não há atrito entre nós
[ C ] penso no que está me aborrecendo e procuro entender por que considero as ações dessa pessoa tão irritantes


5

[ A ] descubro quais dos subordinados estão do meu lado
[ B ] parto da suposição de que todos os meus subordinados estão contra mim
[ C ] parto da suposição de que todos os meus subordinados são amistosos e sensatos até que eles provem o contrário

 

6

[ A ] descubro que colegas estão do meu lado
[ B ] parto do princípio de que todos os meus colegas estão contra mim
[ C ] presumo que todos os meus colegas são amistosos e sensatos, mas que devem ter de tratar dos próprios assuntos


7

[ A ] descubro quais são os superiores que estão do meu lado
[ B ] parto da suposição de que todos os meus superiores estão contra mim
[ C ] considero que, não importa o que torna aquela pessoa difícil, isso pode não ter nada a ver comigo


8

[ A ] traço rapidamente uma tática para atacar primeiro
[ B ] construo imediatamente um abrigo antibomba e rastejo até lá
[ C ] crio uma estratégia para acabar com todos os mal-entendidos

 

9

[ A ] ajo de maneira direta e rude, como um aviso para que ela não se meta comigo
[ B ] corro e conto para meu chefe que estou sendo assediado
[ C ] trato a pessoa com respeito, independentemente de como ela me trata


10

[ A ] encontro algumas pessoas que parecem neutras em relação à pessoa difícil e saio para almoçar com elas para falar sobre a situação
[ B ] deixo de ter qualquer contato com essa pessoa e uso toda a minha influência para cortar seus recursos
[ C ] convido a pessoa difícil para almoçar, a fim de chegarmos a um acordo

RESULTADOS

Atribua pontos


Respostas    pontos
       A    2
       B     1
       C    0

Teste elaborado por John Hoover, autor do livro Pessoas Difíceis: aprenda a trabalhar de maneira eficaz com chefes, colegas e clientes temperamentais (Editora Senac-Rio / 160 páginas / R$ 22,90)

15 a 20 pontos
Você é agressivo e rápido em participar do jogo de acusação. Talvez não tenha as habilidades e o temperamento necessários para lidar com pessoas difíceis de modo cooperativo. Use a agressividade para solucionar o problema, e não para atacar a pessoa; caso contrário, correrá o risco de se tornar alguém difícil.


8 a 14 pontos
Você lida com o conflito evitando-o. Imagina o pior cenário, constrói barreiras defensivas e evita o confronto. Tende a negar que você mesmo pode ser parte do problema.


Até 7 pontos
Você busca soluções e enxerga o potencial das pessoas, em vez de considerá-las um problema. Prefere a cooperação ao conflito. Esforça-se para aprimorar a comunicação com funcionários de todos os níveis da empresa e para prestar uma colaboração cada vez melhor.

Fonte: teste elaborado por John Hoover, autor de Pessoas difíceis: aprenda a trabalhar de maneira eficaz com chefes, colegas e clientes temperamentais

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