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Formação

O mapa do apagão

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postado em 27/05/2013 10:51 / atualizado em 27/05/2013 10:53

Ronaldo de Oliveira
Os estudantes brasileiros têm lacunas na formação desde a educação básica e os cursos profissionalizantes, tecnológicos e de nível superior não conseguem capacitar os jovens nem em qualidade nem em quantidade suficiente. Enquanto isso, a economia brasileira padece. A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que apresentou, na última semana, um estudo sobre os gargalos para o crescimento do país.

De acordo com o Mapa Estratégico da Indústria, o ensino precário da matemática e o deficit na formação de engenheiros — considerada prioridade para o bom desempenho industrial — atrapalham a inovação e a competitividade das empresas. Enquanto no Brasil a proporção de engenheiros é de dois para cada 10 mil habitantes, nos Estados Unidos, o índice é de 4,1, e, na China, de 13,4.  

A confederação estima que, em 2011, faltavam 150 mil engenheiros no país e que, hoje, o deficit deva ser ainda maior. “O desinteresse em se formar na área tem a ver com o caráter técnico dos cargos que o profissional costumava ocupar no mercado de trabalho, mas isso vem mudando”, afirma o diretor de Políticas e Estratégias da CNI, José Augusto Fernandes.

Segundo o especialista, os engenheiros brasileiros, a exemplo de outros países, passaram a assumir papéis de liderança nas empresas e na gestão do país. Não por acaso, nunca houve tantos estudantes interessados nessa formação. No início de 2013, o Ministério da Educação (MEC) registrou pela primeira vez um número maior de calouros matriculados nos cursos de engenharia do que nos de direito — são, atualmente, mais de 220 mil. “Formar mais engenheiros é fundamental para a saúde da economia. As grandes companhias demandam profissionais polivalentes, com boa capacidade analítica e rapidez para solucionar problemas”, avalia. A previsão do setor é de que, até 2022, a produtividade média da indústria passe dos atuais 2,3% ao ano para 4,5%.

Vantagens
A carência de mão de obra qualificada na área obriga o mercado brasileiro a oferecer salários cada vez maiores para atrair os profissionais. A remuneração média para essa carreira chega a ser cinco vezes maior do que a nacional, de acordo com levantamento feito pelo site de classificados on-line Catho.

A baixa oferta de cursos de educação profissional, segundo a CNI, é uma das causas para o apagão no setor. No país, apenas 6,6% dos jovens cursam esse tipo de formação concomitantemente ao ensino médio regular. O índice está distante da média de 50% alcançada pelos países desenvolvidos. Na graduação tecnológica, o número é ainda menor. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 0,16% da população entre 20 e 29 anos frequentava esses cursos em 2007.

Gleisson Lima, 20 anos, só conseguiu se matricular num curso profissionalizante depois de concluir o ensino médio. Agora, ele se dedica para conseguir uma colocação no mercado de trabalho logo que tiver em mãos o diploma de técnico em edificações do Instituto Federal de Brasília (IFB). Em média, profissionais com esse tipo de formação têm salários 12% maiores do que os que cursam apenas o ensino regular. Conhecimentos em matemática e física aplicadas, engenharia elétrica e hidráulica, arquitetura e administração são alguns dos conteúdos do curso. “Depois, pretendo ingressar em alguma faculdade de engenharia civil. A bagagem que vou ter ao chegar à universidade vai contar pontos a meu favor”, planeja.

 Para quem não quer perder o bom momento de contratações e investir na qualificação, o IFB está com inscrições abertas para 1.815 vagas em 48 cursos de técnicos nas modalidades pós-médio e integrado ao ensino médio para jovens e adultos. Alguns deles são ligados a diferentes áreas de engenharia. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo site www.ifb.edu.br até 2 de junho.

Nota zero
Na opinião de Vanderli Oliveira, diretor da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), ter uma base mais sólida é o que falta para melhorar o nível dos engenheiros no país. “Os primeiros anos da maioria dos cursos de graduação tentam corrigir a defasagem dos alunos no aprendizado de matemática”, explica. Segundo os dados da Prova Brasil 2011, apenas 10,3% dos alunos do ensino médio atingiram desempenho satisfatório na disciplina. Na última medição da proficiência em matemática do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, o Brasil ficou na 57ª posição, atrás de países como Argentina, Chile, México, Portugal e Cingapura.

Oliveira considera que a baixa qualidade da educação básica é preponderante para o aumento do índice de evasão no nível superior, estimada pela Abenge para os cursos de engenharia em 43%. “As faculdades perdem muito tempo retomando conhecimentos que a educação básica deveria garantir. O excesso de teoria no início do curso e o adiamento da experiência prática desestimulam o aluno.”

Lara Oliveira, 22 anos, resistiu ao período mais denso do curso de engenharia elétrica na Universidade de Brasília (UnB) e, às vésperas de se formar, decidiu conhecer melhor a área de vendas da multinacional onde estagia. “O departamento comercial também depende do meu conhecimento como engenheira para funcionar bem. É diferente do que estou acostumada a fazer, mas é bom para abrir o leque e melhorar meu nível profissional.” Para ela, diversificar as experiências de emprego eleva o peso do currículo.
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