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>> PERFIS DE SUCESSO // Leo Roberto

História doce

História doce Ex-estudante da UnB investiu em apicultura nos anos 1980 e hoje fatura até R$ 1,8 milhão por ano

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postado em 03/06/2013 10:47 / atualizado em 03/06/2013 10:48

Mariana Niederauer

Ed Alves
O carioca Leo Roberto Aires Cardoso, 56 anos, chegou a Brasília em 1971, acompanhando o pai, que era funcionário público. O gosto pela natureza já ficou claro quando fez a escolha da graduação. Em 1974, iniciou o curso de geologia na Universidade de Brasília (UnB). Entre 1978 e 1984 ficou fora da cidade, se dedicou a uma pós-graduação no Pará e descobriu a apicultura em sua terra natal, o Rio de Janeiro. Apesar disso, quando resolveu seguir os passos da família e se tornar empreendedor, voltou para Brasília, cidade que considera até hoje o seu lar. “Voltei para casa”, comenta.

Os avós paternos, portugueses, sempre tiveram empreendimentos no Rio de Janeiro e a mãe, que também nasceu em Portugal, manteve por muito tempo uma loja de roupas. Para ele, ter a oportunidade de abrir um negócio numa cidade que havia recém saído do papel foi um privilégio. “Me senti como um pioneiro”, conta. E realmente foi. Poucas pessoas dominavam na região a técnica necessária para produzir mel. Leo decidiu, então, unir o conhecimento adquirido durante os anos que passou na academia com as oportunidades da nova capital.
O empresário também aproveitou o início da onda dos produtos orgânicos, na década de 1980, que ajudou a impulsionar o negócio. Ele começou a produzir mel em uma área destinada a reflorestamento de eucaliptos, em Cristalina. Lá, havia 60 colmeias de onde ele mesmo, com a ajuda do cunhado, que não estava trabalhando na época, extraía o mel. O próprio produto pagava o aluguel do terreno. Em 1985 abriu a Mel do Sol, loja de varejo na 403 Norte. Em meados de 1990, no entanto, Leo parou de produzir mel e passou a se dedicar apenas ao beneficiamento e à comercialização do produto e passou o controle da loja para os pais dele, Darcy e Maria Eugênia Cardoso.

A fábrica, instalada próximo à BR-070, em Águas Lindas, na divisa do Distrito Federal com o estado de Goiás, tem 25 funcionários diretos, mas a cadeia produtiva da empresa conta com centenas de fornecedores da matéria-prima. A localização é estratégica: o DF e o estado vizinho são os principais clientes da Mel do Sol. A empresa atende cerca de 500 pontos de varejo nessas localidades. Por meio das parcerias com distribuidores, no entanto, os produtos do empresário alcançam estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, São Paulo e Mato Grosso. Existe até uma linha de exportação de extrato de própolis para o Japão.
Nesse caminho empreendedor que traçou, Leo percebeu a importância de ouvir e de conhecer o cliente. A empresa oferece produtos compostos, com mel e alguns extratos de plantas, como guaco, eucalipto e agrião, para dar ao consumidor aquele produto que as avós costumavam preparar para manter a saúde de ferro dos netos. O mercado de produtos naturais também precisou se adaptar às necessidades da sociedade atual, que exige soluções práticas para o dia a dia.

Leo explica que, por causa da característica do produto, a expansão para o resto do país é difícil, pois a concorrência de marcas regionais é muito grande. A Mel do Sol se enquadra no grupo de empresas de pequeno porte — que têm faturamento entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões por ano. O dono do empreendimento cuida desse patrimônio de perto. Na função de diretor-geral, ele transita por quase todas as áreas da empresa. Metade do tempo é dedicado à parte financeira e Leo ainda faz viagens quase diárias a Águas Lindas para acompanhar o processo de beneficiamento do mel na fábrica.

A experiência como apicultor também representa vantagens para o negócio hoje. Leo consegue conversar de igual para igual com os fornecedores e entende os problemas que eles encontram na coleta do mel e as características da safra. O empresário também tem uma agenda repleta de viagens para regiões do interior do Nordeste, de Santa Catarina, de Minas Gerais e outros estados. Como as abelhas dependem das flores para produzir o mel, é preciso diversificar as fontes de fornecimento do produto. Enquanto em Brasília está começando a época de maior crescimento das floradas, por exemplo, no Sul, o início do inverno dificultará a produção.
Depois de quase 30 anos no empreendedorismo, Leo se orgulha do trabalho que construiu, mas lembra que empreender é como andar de bicicleta: é preciso continuar pedalando para não cair. O segredo, para ele, é fazer o melhor que puder sempre, em todos os aspectos, passando pela qualidade da produção até o relacionamento com o cliente. “Eu acho que a busca da perfeição, que é praticamente impossível, é a única chave para o sucesso. Quem não tiver esse paradigma em mente dificilmente vai se estabelecer.”
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