Existe vida após o diploma

Para fazer a escolha certa entre as muitas alternativas disponíveis no mercado, recém-formados precisam ter autoconhecimento e aprender a conciliar sonhos com metas reais

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postado em 10/06/2013 10:12 / atualizado em 10/06/2013 10:17

Gustavo Aguiar

Bruno Peres
Depois de noites em claro, trabalhos sem fim e questões de prova aparentemente sem solução, as últimas semanas de faculdade vão se aproximando. Você está prestes a se formar, mas toda a ansiedade da época de calouro parece ter voltado — e com tudo. É chegada a hora de saber o fazer com o diploma de ensino superior. Mas, afinal, quais são os primeiros passos?

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que, em 2011, cerca de um milhão de pessoas receberam o diploma de nível superior — número equivalente a apenas 15% do total de alunos que ingressaram na faculdade no mesmo ano no país. Para quem está insatisfeito com o curso concluído, os especialistas recomendam autoavaliação. O profissional precisa refletir sobre as habilidades que tem para saber como usá-las na hora planejar a carreira e conquistar um emprego.

“O passo seguinte à formatura depende muito mais do interesse real e da disposição do estudante em planejar a própria carreira do que de uma suposta vocação. O jovem enfrenta uma série de adversidades ao mesmo tempo, e também é comum duvidar um pouco de si mesmo. Para superar essa fase, ter calma e autoconhecimento é fundamental”, garante o consultor profissional carioca José Augusto Figueiredo, autor do livro recém-lançado My job — doce ilusão. O romance conta a história de quatro jovens que, às vésperas de sair da faculdade, precisam encarar os anseios e as primeiras frustrações profissionais para se impor no mercado em que pretendem atuar.

Carlos Moura
Difícil decisão

Os desafios do começo da carreira são alguns dos temas (e dúvidas) abordados na obra. Aceitar o posto de trabalho no antigo estágio ou mudar de companhia até conquistar o emprego dos sonhos? Investir em capacitação e adiar a procura pelo primeiro emprego ou sair distribuindo currículos? Os dilemas também incluem estudar para concurso e desistir de atuar na área de formação ou largar tudo e começar uma nova faculdade, ou ainda escolher emendar a graduação com um mestrado ou acumular mais experiências práticas no ramo. Afinal, o jovem profissional deve priorizar sonhos ou boa remuneração? “Como cada um apresenta uma preferência e uma visão diferente do trabalho que sonha realizar e de como se vê no futuro, é natural que as escolhas também sejam distintas. O livro desmistifica um pouco o primeiro emprego e ajuda o jovem a considerar os prós e os contras de cada opção, além de enfrentar os desafios da escolha que fizer na vida real”, esclarece o autor.

Se fosse fácil escolher o caminho certo, Yana Pimenta, 24 anos, não teria passado por tanta dor de cabeça depois da colação de grau. Ela precisou enfrentar as dificuldades de se enxergar em ação, a inexperiência e o medo de errar antes de decidir o que fazer ao se formar em relações internacionais na Universidade de Brasília (UnB). Foram quatro anos mirando a carreira diplomática ou um posto em alguma multinacional, mas, quando chegou a hora de sair à procura do primeiro emprego, ela precisou refazer seus planos. “Quando me formei, vi que as opções no mercado eram escassas. Sem muita experiência na área, eu também não podia ficar parada esperando a oportunidade dos sonhos simplesmente aparecer”, lembra.

Os bons salários do funcionalismo público atraíram Yana, que acabou sendo aprovada em exames para três órgãos diferentes no mesmo ano. “Quando passei nas provas comecei a assumir posições até descobrir onde eu me encaixava melhor. A dificuldade em saber o que fazer depois da formatura é muito angustiante. Cheguei a ficar por apenas dois meses no Senado Federal num cargo que não tinha nada a ver com a minha formação”, lembra. Hoje, ela é funcionária da Câmara dos Deputados em uma comissão que discute os assuntos ligados ao Mercosul e se diz satisfeita com o caminho que escolheu. “A estabilidade que alcancei me permite fazer planos para realizar outros projetos, como investir em um mestrado, por exemplo. Não penso em sair daqui”, conta.

Orientação

Para o coach Homero Reis, especialista em planejamento de carreira, o serviço público tornou-se a única saída para quem não tem muita ideia do que fazer. “Essa é uma forma errada de planejar a carreira, mesmo nesse setor que tende a oferecer mais segurança ao jovem concursado. Não é só uma questão de passar na prova. O bom servidor público deve ter a consciência de que trabalha para servir o povo, como o próprio nome da profissão diz.” E, para Reis, nem todo mundo tem esse perfil. Segundo ele, muitos funcionários públicos ganham bem, mas poderiam ser ainda mais bem-sucedidos se investissem na carreira adequada. Por isso, buscar orientação profissional é fundamental.

O especialista destaca que o recém-formado precisa avaliar se apresenta os requisitos necessários para fazer um bom trabalho, seja como funcionário de um órgão do Estado ou de uma empresa, ou até se decidir investir em um negócio próprio. “Muita gente que sai da faculdade não sabe sequer por que escolheu o curso em que se formou e desconhece as oportunidades que o mercado oferece”, enfatiza.

Ele sugere que, antes de procurar uma vaga ou alternativa, o profissional identifique a razão pela qual investiu parte da vida estudando e se aplicando em determinada área. “Tem gente com o perfil profissional mais maleável, que é capaz de se adaptar rapidamente a diferentes rotinas de trabalho e desenvolver múltiplas funções ao mesmo tempo, mas precisa da orientação de alguém no dia a dia”, descreve. Para esses, o mais interessante é começar procurando um emprego em alguma empresa privada. “Os mais ligados aos estudos e interessados em se aprofundar na área do conhecimento pesquisando tendências e inovações no setor conseguem se encaixar melhor em uma carreira acadêmica”, sugere.

Vinícius Domingues tem 22 anos e está no último semestre do curso de engenharia civil do UniCeub. Desde que entrou para a faculdade, o rapaz sabia que não se encaixaria com facilidade em qualquer posto de trabalho. Para ele, o melhor caminho era empreender e, por isso, precisou investir desde o início do curso em uma formação paralela para adquirir noções de administração e gerenciamento de empresas. “Foi bem difícil no começo. Via meus colegas conseguindo estágios, tendo experiências profissionais e se encaminhando para o mercado de trabalho enquanto eu não tinha nada muito palpável profissionalmente. Mas assumi o risco”, explica.

Hoje, o rapaz é sócio em uma empresa de engenharia que, com dois anos de existência, já atende algumas das maiores construtoras do país. “Trabalho o dobro que a maioria dos meus colegas antes mesmo de me formar. Mas ganho muito mais também. Pelo menos, já sei o que vou fazer depois de pegar o diploma, e isso é um alívio”, acrescenta.

Leia
My Job – doce ilusão
Autor: José Augusto Figueiredo
Editora: Évora
Páginas: 252
R$ 34,90

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