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"Futuro seguro" é prioridade para jovens que ingressam no governo

Estudantes abdicam de carreiras para as quais se prepararam a fim de ingressar no funcionalismo, de olho na estabilidade

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postado em 10/06/2013 11:25 / atualizado em 10/06/2013 11:32

Diego Amorim

Antonio Cunha
Gabriel de Carvalho Carneiro tem 19 anos e terminou o ensino médio no ano passado. Conquistou uma vaga no curso de educação física da Universidade de Brasília (UnB) pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS), mas não se matriculou. Apoiado pelo pai, servidor público, assumiu a condição de concurseiro. Chega a estudar 10 horas por dia, contando as aulas no cursinho pela manhã. “Tenho que correr atrás do que quero, e quero estabilidade. É a minha decisão”, diz.

Ao ver os amigos envolvidos com vestibular ou com o início da vida acadêmica, Gabriel confessa sentir “aperto no coração”. A disciplina com a rotina de estudos e o incentivo da família, no entanto, o ajudam a seguir firme na opção menos convencional. “O problema seria se, por acaso, eu não passasse em nada, porque aí não teria feito faculdade nem tido experiências anteriores”, comenta o jovem, que, por enquanto, almeja o cargo de agente do Departamento de Trânsito (Detran).

Para o diretor de Educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Luiz Edmundo Rosa, é natural que a ideia de “futuro seguro” ainda esteja associada ao funcionalismo, mas ele pondera que a construção de uma carreira infeliz pode ser pior que uma provável instabilidade. “Quando o jovem não é vocacionado e escolhe o concurso pelo concurso, as chances de encarar o trabalho como mal necessário são muito grandes. Tem muita gente caindo de paraquedas na repartição”, argumenta.

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