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Médicos fazem protesto nacional contra estrangeiros

De jaleco branco, a categoria promoveu passeatas em todo o país contra a decisão do governo de liberar a validação do diploma emitido no exterior para quem quiser trabalhar em áreas carentes

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postado em 04/07/2013 18:00 / atualizado em 04/07/2013 11:51

Julia Chaib

Viola Junior
Milhares de médicos por todo país foram às ruas, ontem, protestar contra a vinda de profissionais estrangeiros sem a revalidação do diploma. Os atos, que se repetiram em todos os estados e no Distrito Federal, pediam também mais investimentos em saúde pública e a criação de uma carreira de Estado. Em São Paulo, mais de mil pessoas vestidas de jaleco branco se reuniram na Avenida Paulista por cerca de quatro horas. No início da noite, a via chegou a ficar totalmente bloqueada, porque o grupo se juntou a manifestantes de outro protesto. Eles seguiram pela avenida até o escritório da Presidência da República, onde protocolaram uma carta com as reivindicações. O ato foi pacífico. Mais de mil pessoas também foram às ruas em Belém e em Natal.

Aqui em Brasília, a manifestação teve início às 16h em frente ao Ministério da Saúde. Cerca de 400 médicos, também vestidos de branco, entoaram palavras de ordem e chegaram até a pedir a saída do ministro Alexandre Padilha. Logo depois, o grupo seguiu em direção ao Palácio do Planalto. Várias velas foram acesas em torno de dois caixões — um com a foto da presidente Dilma e, outro, com a imagem de Padilha — para representar “a morte da saúde”. Não houve confronto com a segurança palaciana, mas manifestantes disseram ter sentido reação a spray de pimenta, mas a Polícia Militar negou o uso do produto.

A mobilização nacional foi organizada pelas entidades de classe, depois que a presidente Dilma e o ministro Padilha anunciaram um pacto pela saúde que envolve, entre outras medidas, o chamamento de médicos para trabalhar no interior do país. Segundo o governo, a prioridade é contratar brasileiros, mas, caso sobrem vagas, estrangeiros poderão ser convocados para trabalhar por três anos em áreas carentes, por meio de uma autorização especial que não os obriga a fazer o exame de revalidação do diploma médico (Revalida).

“Os médicos podem vir, desde que revalidem o diploma. Então, não pode ser colocada em prática essa proposta do ministro de botar os estrangeiros para trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS) sem passar por concurso”, disse o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Geraldo Ferreira, que participou do ato em Brasília. Ainda ontem, a direção do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital, foi recebido na Casa Civil pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, com quem discutiram a “importação” de profissionais, a Lei do Ato Médico e investimentos em saúde.

Ato Médico

Representantes de 14 entidades de profissões ligadas à área da saúde, como enfermagem, fisioterapia e psicologia, além do CFM, reuniram-se ontem com o Ministro Alexandre Padilha, para debater o polêmico projeto de lei conhecido como Ato Médico, que está para ser sancionado pela presidente Dilma até o dia 12. A proposta regulamenta a medicina e torna o diagnóstico de doenças e a prescrição de tratamentos como condutas exclusivas dos médicos. Temendo ficar reféns desses profissionais, as outras categorias da saúde posicionam-se contra a matéria e pedem que a presidente vete vários pontos do texto.
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