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Procuram-se padeiros

Mesmo com o fraco desempenho da economia brasileira, faltam profissionais para trabalhar em padarias de todo o país

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postado em 08/07/2013 09:47 / atualizado em 10/07/2013 18:09

Viola Junior
Os donos de padarias estão à procura de profissionais qualificados para garantir que o pão quentinho chegue às prateleiras para o consumidor. A tradição de passar o ofício de pai para filho perdeu força e está difícil encontrar padeiros preparados e interessados em seguir a carreira. Estabelecimentos em todo o país sentem a carência. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), há 20 mil vagas abertas para a função. No Distrito Federal, o Sindicado das Indústrias de Alimentação de Brasília (Siab) estima um deficit de 1,2 mil trabalhadores. São cerca de 1,3 mil padarias na cidade, que empregam aproximadamente 3,9 mil padeiros.

A procura por profissionais capacitados impulsiona as remunerações. O piso salarial no DF é de R$ 955, mas um padeiro experiente chega a ganhar R$ 5 mil por mês, segundo a Abip. O presidente do Siab, Paulo Sérgio Dias Lopes, diz que, apesar de a falta de mão de obra qualificada não ser exclusiva da área de panificação, nesse setor, algumas questões dificultam especialmente a contratação. “No caso dos padeiros, fatores como a falta de interesse em continuar na carreira e o horário de serviço também interferem. É comum o ramo perder força de trabalho para setores mais atrativos, como a construção civil”, explica.

Outro problema listado por Lopes é a oferta insuficiente de cursos de formação no país. As poucas oportunidades se concentram em instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Além disso, os casos de abandono dos cursos são recorrentes. “Muitos começam a fazer as aulas, mas não têm a vontade de continuar na carreira e acabam por focar em outras formações, como a graduação em gastronomia”, diz Lopes.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), Alexandre Pereira, afirma que o setor passou por modificações nos últimos 13 anos e, por causa disso, a mão de obra ainda está em processo de formação. “De 2000 para cá, as padarias passaram a oferecer novos produtos, como café da manhã e almoço. Isso deu origem ao perfil do padeiro qualificado, uma preparação que leva tempo, mas que valoriza a profissão”, explica.

Solução caseira
Para enfrentar a falta de profissionais, os empresários buscam alternativas e qualificam trabalhadores nos próprios estabelecimentos. Lázaro Guimarães, dono da Casa do Pão, tem 25 anos de experiência no mercado de panificadoras e conta que o problema para contratar padeiros não é novidade. Como solução para driblar a carência, ele capacita funcionários que atuam em outras funções. “Nós pegamos um atendente, por exemplo, que já tenha interesse na área, e o qualificamos para o trabalho. Fazemos uma escola dentro da própria padaria”, explica.

Guimarães acredita que o problema não é exclusivo da profissão de padeiro, mas sim reflexo de uma mudança de mentalidade dos trabalhadores e da falta de investimento na área. “O profissional não gosta de esperar por aprendizado e por crescimento com segurança na carreira. Às vezes, ele entra, fica três meses e sai para outro emprego que pede menos treino. Ele não percebe que precisa melhorar com o tempo”, completa.

O padeiro Renato Oliveira, 32 anos, é uma raridade. “Sempre quis trabalhar com pão. Eu achava bonito criar uma coisa assim”, lembra. Funcionário de Lázaro há 8 meses, ele explica que o interesse e a dedicação no trabalho foram responsáveis por atrair a atenção dos superiores da empresa. “O patrão me orientou a fazer o curso do Senai, que durou dois anos. Depois de ver o resultado, ele gostou e assinou a minha carteira como padeiro. Ainda fiz outros cursos, como o de confeiteiro, para aprender mais formas de produzir”, conta. Hoje, é ele quem ajuda a transmitir as técnicas do preparo do pão e acredita que o principal empecilho seja a falta de conhecimentos teóricos. “Tem gente com 30 anos de experiência que só sabe fazer um tipo de pão, que não tem cuidado com a temperatura do forno ou que não deixa a massa descansar depois de pronta. Quando chega alguém novo, que quer aprender na prática, eu tento passar tudo o que eu estudei também”, afirma.

A experiência de Renato vale ouro no meio. Ele chegou a receber propostas para trabalhar em outras lojas, mas diz se sentir realizado no emprego e só quer sair de lá se for para abrir o próprio negócio. “Já até ligaram aqui para saber se tinha padeiro atrás de emprego, mas costumamos conversar com os chefes e avaliamos o que é mais seguro”, conta.

Geração de empregos
O último levantamento feito pela Abip, em 2012, mostrou que o país tem cerca de 64 mil empresas de pequeno e médio porte no setor de panificação, com mão de obra estimada em 802 mil funcionários. A área representa 36% do faturamento do setor de food service no Brasil.


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