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Ideias compartilhadas

Profissionais que dividem o espaço de trabalho para reduzir custos com aluguel encontram outras vantagens, como maior rendimento nas atividades e intercâmbio de conhecimento

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postado em 08/07/2013 09:51 / atualizado em 08/07/2013 09:58

Sarita González

Janine Moraes
Ter espaço garantido em um escritório compartilhado com profissionais de diversas áreas já representa uma opção de trabalho em todo o mundo. Em vez de alugar um escritório tradicional, freelancers, startups ou pequenas empresas pagam uma mensalidade ou por hora para ter disponíveis mesa, cadeira, telefone, internet, sala de reuniões e até serviço de secretária. Apropriado para profissionais que não se adaptaram a atuar em casa ou que querem minimizar custos, o coworking, como é chamado, é um modelo de trabalho que traz um resultado vantajoso para os adeptos: aumento da produtividade e troca de experiências e de ideias.

O administrador de empresas Leonardo Borrás, 29 anos, era dono de uma agência de publicidade em Goiânia e veio morar em Brasília há dois anos. “A princípio, tentei trabalhar em casa, mas não me adaptei bem. Com televisão e geladeira por perto, não dá para render tanto”, brinca. Com dificuldade de manter uma rotina, Leonardo procurou uma empresa de coworking da capital federal para trabalhar. “Já tinha ouvido falar a respeito desse tipo de empresas em outras capitais e achei interessante. Aderi à ideia há um ano e meio e acabei abrindo uma loja virtual. Hoje, dedico o tempo no escritório para cuidar da minha empresa”, relata.

Leonardo revela que, além do aumento na produtividade, conseguiu economizar dinheiro para investir em outros projetos. “Se tivesse alugado um escritório tradicional, com certeza teria gastado mais dinheiro e tempo para lidar com certas burocracias”, afirma. Por ter chegado recentemente em Brasília, ele acredita que ter se tornado um coworker foi importante para estabelecer contatos. “Já trabalhei com vários tipos de profissionais, por causa da possibilidade de fazer networking. Além disso, aproveito a troca cultural com outras pessoas e sei que posso ajudar e receber dicas em questões que não domino”, ressalta.

Tendência

Para Flávia Martins, gerente da Unidade de Acesso à Inovação do Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no DF (Sebrae-DF), o coworking faz parte de uma nova tendência que promete crescer na cidade, inclusive entre as startups — empresas inovadoras de base tecnológica — que, segundo ela, encontram um ambiente propício para a inovação. “Empreendemos muito mais do que antes e acredito que essa possibilidade de trabalho representa uma alternativa para novos empreendedores entrarem no mercado de trabalho e desenvolverem projetos”, assegura.

A pesquisa Global Coworking Census 2013, do site Deskwanted.com, mostra que existem 2.498 escritórios compartilhados distribuídos em 80 países. Na América do Sul, já são 141, sendo 95 deles somente no Brasil (veja o quadro).
Em Brasília, a ideia é recente. Na tentativa de estimular a prática na capital federal, o administrador de empresas Alexandre Nasiasene, 43 anos, e a executiva de negócios Cristiane Pereira, 39, tornaram-se sócios-fundadores do Espaço Multiplicidade de Coworking em 2011. “Apesar de a procura ser grande, por diminuir custos de aluguel, acredito que o maior benefício do coworking é a interação entre as pessoas. Diariamente, consigo desenvolver meus projetos, gerenciar a empresa e ainda aprender com outros profissionais”, comemora Alexandre.
Ele destaca que um dos objetivos do espaço é alinhar cada vez mais a estrutura de coworking com o estímulo ao empreendedorismo. “Desenvolvemos projetos que incentivam a união de diferentes ideias para que o profissional não se restrinja a ter um espaço para desempenhar sua atividade, e, sim, para se sentir parte de uma comunidade criativa”, explica. Atualmente, a empresa fica disponível das 8h às 20h, de segunda a sexta-feira — e nos fins de semana ou após o horário normal quando há demanda —, para 25 profissionais, simultaneamente.

Produtividade

Em 2010, as irmãs brasilienses Paula Camanho, 36 anos, e Bruna Lafego, 34, que moram há 15 anos em São Paulo e em Belo Horizonte, respectivamente, decidiram abrir uma empresa de coworking. Depois de fazerem pesquisa de mercado e plano de negócio, inauguraram a CWK Coworking nas duas capitais. Segundo Paula, advogados, webdesigners, professores, profissionais de marketing digital e pequenas empresas são alguns dos clientes que procuram um ambiente compartilhado para trabalhar. “Recebemos muitos profissionais que antes adotavam o home office e, agora, acreditam que a produtividade no trabalho aumentou.”
Além de terem interesse em expandir o negócio para Brasília, Paula e Bruna já oferecem serviços que vão além da mesa e da cadeira para os profissionais que utilizam o espaço. Na mensalidade paga pelos clientes, estão inclusos também salas privativas para telefone, escritórios virtuais, serviço de secretária, salas de reunião, internet e serviço de água e café. Na unidade de São Paulo, por exemplo, os profissionais que alugam o espaço contam com o local disponível 24 horas por dia, sem exceção. “A pessoa tem liberdade para ir ao escritório trabalhar quando quiser”, comenta Paula.

A psicóloga organizacional Eudete Borges, presidente do grupo de soluções em Recursos Humanos Spot, destaca que o coworking é mais vantajoso do que o home office no que diz respeito à produtividade do profissional. “Trabalhar em casa exige da pessoa muita disciplina e organização, além da existência de um espaço adequado para as atividades”, alerta. Ela defende, ainda, que o coworker encontra no escritório compartilhado todas as ferramentas de trabalho e um espaço bem equipado e acolhedor. “Além disso, se o home office deixa o profissional mais isolado, o coworking permite fácil acesso a pessoas de outras carreiras e ele se sente como se estivesse trabalhando em equipe”, justifica Eudete, que também usa esse tipo de serviço quando viaja a trabalho.

 

Carreira em comum

Edilson Rodrigues
Flávia Martins, do Sebrae-DF, explica que profissionais da mesma área também podem dividir um ambiente de trabalho a fim de minimizar os custos. “O propósito é o mesmo, pois os profissionais podem compartilhar espaço e ideias”, diz. A arquiteta Tanara Machado, 34 anos, já trabalhava com a sócia Andrea Nomura quando resolveu se unir à  colega Carla Villela e a uma outra arquiteta, que tinham empresas independentes, para compartilhar o espaço de trabalho. Segundo Tanara, além de diminuírem os custos, elas enxergam no dia a dia um resultado positivo para a carreira: a troca de conhecimento e de experiência profissional. “Inicialmente, tivemos a ideia de otimizar os custos que tínhamos com nossas empresas e, hoje, também temos a oportunidade de sermos parceiras”, explica Tanara.

As arquitetas, que se formaram juntas na Universidade de Brasília (UnB), nem sempre estão ao mesmo tempo no espaço de trabalho que alugaram em conjunto, mas tiveram a preocupação de projetar o ambiente de acordo com a área em que atuam e com o gosto de cada uma. “O que poderia ser apenas uma vontade de resolver custos individuais se tornou um trabalho em equipe, mesmo que entre empresas diferentes. O espaço nos une”, finaliza.

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