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PERFIS DE SUCESSO // FAMíLIA NINOMIYA »

Herança para a vida

Com o objetivo de dar estudo para os filhos, casal começou vendendo refeições preparadas em casa. Hoje tem quatro empresas que os herdeiros administram

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postado em 15/07/2013 10:15 / atualizado em 15/07/2013 10:16

Mariana Niederauer

Edilson Rodrigues
Cida Ninomiya, 47 anos, não imaginava o sucesso que alguns salgados poderiam fazer quando organizou as primeiras festas de aniversário dos filhos. Convidados e vizinhos gostaram tanto dos quitutes servidos que começaram a fazer encomendas para a dona de casa. Logo ela começou a comercializar marmitas. No início, vendia cinco por dia e pouco tempo depois a produção já chegava a quase 400 refeições. Toda a família passou a ajudar: o marido Nelson, 53, funcionário público aposentado, e os filhos, que eram pequenos ainda. Cada um deles tinha uma função, desde espremer laranjas até fechar as quentinhas com papel alumínio.
Em pouco tempo, ficou insustentável ter uma produção tão grande no apartamento de 60 metros quadrados no Cruzeiro, e o casal alugou uma loja no subsolo de um prédio comercial no Sudoeste, em 1996. Hoje, o restaurante Cozinha e Sabor Gourmet ocupa o espaço de 10 lojas, com cerca de 500 metros quadrados. A família ainda expandiu o negócio para outros dois restaurantes, um no andar térreo da mesma quadra do Sudoeste e outro na 201 Sul, reinaugurado este ano.

Todo o esforço de Cida no início do negócio foi para que os três filhos tivessem a chance de estudar em boas escolas. “Se ela não tivesse o objetivo de dar estudo para a gente, acho que nem teria começado a vender salgadinhos”, conta Gustavo, o mais novo. Todos eles cursaram o ensino superior. O caçula tem 25 anos e é advogado, Fernando, 28 anos, veterinário, e Renato, 26 anos, psicólogo. Apesar disso, mesmo contra a vontade dos pais, acabaram se envolvendo com a empresa. “Era uma coisa que meus pais não queriam para nós. Eles falavam que demandava muito esforço, que eles trabalhavam demais”, relata o caçula.

Experiência

Agora, o conhecimento adquirido na graduação contribui para as funções que cada um desempenha. Gustavo usa a experiência com direito trabalhista, tributário e empresarial para cuidar de toda a parte burocrática, como o financeiro e a contabilidade. Fernando é o chef de cozinha dos restaurantes. Ele usa o conhecimento adquirido quando visitou abatedouros durante o curso e ainda partiu para a segunda graduação, em culinária. O psicólogo Renato cuida do departamento de pessoal e é responsável pelos treinamentos dos funcionários. “Por mais que eu e meus irmãos não exerçamos as nossas profissões diretamente, os estudos trouxeram maturidade e poder de negociação. Tenho certeza que isso interfere hoje na nossa produtividade”, garante Gustavo.

E os pais tinham razão, a rotina de empreendedor não é fácil. Gustavo acorda às 6h da manhã e percorre todos os restaurantes, assim como o irmão Fernando, que cuida das cozinhas. Não tem descanso, os donos trabalham de domingo a domingo para ter certeza de que tudo funcione bem. Além das tarefas do dia a dia, eles estão envolvidos com outros projetos e planejam a expansão do negócio. Há dois anos meio, fecharam uma parceria com o Café do Ponto e instalaram duas franquias da loja, uma ao lado do restaurante do Sudoeste e outra em Taguatinga.

Ao todo, são quatro empresas que os três filhos administram e os pais acompanham de perto, supervisionando com cuidado o trabalho. Eles atendem 60 mil clientes por mês. Para garantir a eficiência do serviço, os empresários investiram na informatização do sistema de vendas. Com a nova tecnologia, é possível controlar o fluxo de qualquer lugar do mundo. Além disso, a preocupação com a qualidade dos alimentos e do ambiente é constante. Nutricionistas desenvolvem o cardápio e até a manutenção do ar-condicionado é supervisionada com rigor.
Os 80 funcionários dos quatro estabelecimentos são contratados de acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Para a maioria deles, é o primeiro emprego com carteira assinada. Gustavo e os irmãos fazem questão da formalização, pois, apesar de representar alto custo para o negócio, ajuda a fidelizar os funcionários e traz credibilidade. “Você precisa de pessoas, porque você não cresce sozinho”, afirma.
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