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MOTIVAÇÃO

Vivendo e aprendendo a jogar

Novo estilo de treinamento em empresas desenvolve habilidades dos funcionários

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postado em 21/07/2013 18:51

 Viola Junior/CB/D.A Press
Com a competição no mercado cada vez mais acirrada, a qualificação de pessoal é caminho assertivo para empresas que desejam maximizar os resultados das equipes. Assim como a rotina de trabalho, que tem se modificado constantemente, as técnicas para desenvolvimento profissional também se transformam. Nesse contexto, um novo estilo de treinamento tem chamado atenção: os jogos empresariais. Baseados em atividades lúdicas, as simulações, como também são chamadas, resgatam situações cotidianas com o intuito de desenvolver habilidades como liderança, criatividade e cooperação.

Trinta gestores do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) passaram pela experiência na última semana. Após três meses de treinamento intenso, eles tiveram de construir uma ponte durante um dos jogos. O desafio, que durou cerca de seis horas, dividiu os participantes em cinco times — exigindo planejamento, flexibilidade e muito trabalho em equipe. Com pedaços de madeira, tocos de bambu e fita adesiva, cada grupo montou uma ponte. Em seguida, após a reflexão dos resultados obtidos, os gestores uniram os frutos de seu trabalho para formar uma única ponte — ou melhor, uma grande travessia. A cada integrante do treinamento que passava pela estrutura, um novo compromisso com a equipe era firmado.

A publicitária Viviane Lopes, 31 anos, destaca que a “brincadeira” serviu para canalizar o conhecimento adquirido durante as etapas anteriores do treinamento. A opinião dela é compartilhada pelo engenheiro eletricista Guilherme Kersul, 31, que diz ter vivenciado uma experiência diferente. “Sinto que coloquei em prática coisas que já sabia, mas em um novo contexto. Foi uma oportunidade de redescobrir habilidades de forma espontânea”, conta. Monclair Cammarota, da consultoria Ekoá, que aplicou a simulação, explica que o principal ganho da metodologia é o alto desenvolvimento de habilidades em um curto espaço de tempo. Durante a construção da ponte, por exemplo, foram desenvolvidas características como trabalho em equipe, visão de futuro aplicada a projetos e tomada de decisão. “Em apenas um dia trabalhamos inúmeros conceitos e qualidades. É um trabalho rápido que não retira o profissional da empresa por longos períodos”, pontua.

Nada de monotonia

Novas exigências de conhecimento e o fluxo cada vez mais veloz de informações fazem com que os funcionários sintam uma necessidade constante de atualização. Trata-se de uma tarefa difícil para o profissional, que precisa se manter ativo, e para as empresas, que devem buscar meios originais de motivá-los. Mestre em Recursos Humanos e sócia da Rhaiz, Rita Brum diz que a mesclagem de técnicas torna o processo de aprendizagem mais efetivo, aumentando a demanda por novas alternativas de desenvolvimento. “A repetição (do conhecimento) é sempre necessária; porém, não pode ser maçante. As simulações acabam com a monotonia e permitem a abordagem de diversos pontos ao mesmo tempo, de maneira leve”, explica. Ela também ressalta a fácil combinação dos jogos com outras estratégias de treinamentos, como palestras.
Além disso, os jogos empresariais são reconhecidos por gerarem engajamento entre os participantes. Professor de simulação empresarial da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Gustavo Abib ressalta que esse tipo de atividade retira o profissional da zona de conforto. “Durante os jogos, o funcionário pode errar, arriscar, criar situações. É uma medida muito eficaz para empresas que querem retirar o pessoal de uma posição de passividade, levando-os a uma conduta mais ativa dentro da companhia”, esclarece.

Motivação, olhar sistêmico, melhoria de resultados. São inúmeros os benefícios das técnicas de simulação. Contudo, suas aplicações requerem cuidados. Por trabalharem em um grau de interação mais profundo que os métodos tradicionais, o jogo precisa se encaixar corretamente ao jogador. “Os objetivos alcançados por esse tipo de dinâmica são infinitos. Justamente por isso, é preciso, em muitos casos, a customização do produto. Nenhuma dinâmica pode ser efetiva sem a análise prévia do público-alvo e seu nível de instrução, além do propósito da empresa com o treinamento”, explica Gustavo Abib. Como no videogame, onde a pessoa escolhe o tipo de jogo e o nível de dificuldade das fases, as simulações precisam ser feitas de acordo com o perfil do participante.

Opções variadas
Existem vários tipos de jogos empresariais e eles podem se adequar às necessidades de cada treinamento. Para gerenciar estresse, por exemplo, é possível organizar uma corrida de aventura. Foco no resultado e planejamento podem ser trabalhados pela montagem de uma embarcação de bambus e garrafas PET, que deverá correr uma regata, em seguida. Se o objetivo for comunicação e trabalho em equipe, a construção de instrumentos musicais para um show em grupo é uma boa alternativa. Mas se o intuito for um treinamento mais direcionado, a utilização de simuladores é indicada. Plataformas on-line permitem a recriação de ambientes empresariais, para o desenvolvimento de habilidades executivas e de vendas.
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