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Em busca de transparência

Depois de aprender várias lições durante 10 anos no mercado, empresários do DF reestruturam o negócio com o objetivo de contribuir para mudar a cultura política do país

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postado em 05/08/2013 10:31 / atualizado em 05/08/2013 10:33

Mariana Niederauer

Janine Moraes
Foi numa mesa de bar que cinco amigos tiveram a ideia de abrir o negócio próprio. Sem muitas pistas do que era necessário para se ter uma empresa, em 2003, eles alugaram quitinete na Asa Norte e, com uma mesa, cinco cadeiras e alguns computadores, começaram a SEA Tecnologia. No início, trabalhavam com uma linguagem de programação que acabava de despontar, o Java. Ao longo dos anos, ocorreram várias mudanças, a equipe aumentou para 30 funcionários, sócios saíram e entraram. Hoje, o foco é construir portais corporativos para o governo. A empresa já teve como clientes o Exército Brasileiro, diversos ministérios e tribunais.

No aniversário de 10 anos da companhia, a vontade de mudar o negócio tomou conta dos sócios e veio ao encontro dos recentes protestos por todo o país. Desde o ano passado, os empresários estão envolvidos com a Open Government Partnership (OGP), uma iniciativa global criada em 2011 que tem como objetivo tornar os governos melhores, por meio da transparência e da eficácia das ações. Em consequência, esse movimento pretende empoderar os cidadãos e garantir que as instituições governamentais respondam aos anseios deles. No último encontro da OGP, que ocorreu no ano passado em Brasília, cerca de 60 países assinaram o documento de compromisso com a transparência.

Seguindo essa tendência, a SEA, agora, tem como foco projetos que levem em consideração os objetivos da OGP e que possam fazer a diferença para os cidadãos brasileiros. “Nós queremos, daqui a dez anos, olhar para trás e dizer: ‘Está vendo essa mudança na cultura política? Nós ajudamos nisso, porque ajudamos o governo a criar mecanismos de maior interação com a sociedade’”, explica Alexandre Gomes, 35 anos, um dos sócios.

O processo de mudança, no entanto, não foi fácil. A rotatividade de sócios foi um dos principais fatores que dificultaram o crescimento rápido da empresa. Há um ano, o grupo atual de sócios passou por uma crise grave de relacionamento. Sem metas e ideais definidos, eles se afastaram. Dividir o mesmo ambiente era praticamente impossível. A saída foi ir para o divã. Como última alternativa antes de largar tudo, contrataram um psicólogo e encararam o problema de frente. A falta de diálogo e a insatisfação generalizada foram detectadas como as maiores fontes de conflito. Ninguém se sentia valorizado. A ideia inicial da SEA, quando surgiu 10 anos atrás, era se tornar a melhor empresa para se trabalhar. Apesar disso, os próprios donos não se sentiam à vontade no ambiente organizacional. Eles perceberam que, em vez de funcionários comprometidos com o trabalho por causa do ambiente descontraído, estavam reunindo profissionais que não compartilhavam a visão da companhia e que não tinham resultados compatíveis com as capacidades.

Após a medida extrema, a parceria dos sócios Alexandre Gomes, Leonardo Antonialli, Renato Willi e Bruno Pedroso foi retomada. Eles repensaram e reestruturaram o negócio. Com as mudanças, planejam dobrar o faturamento até o fim do ano. Alexandre lembra que o lucro era muito baixo para uma empresa de tecnologia que estava há tanto tempo no mercado, isso porque os donos seguravam as vendas feitas pelo departamento comercial para não sobrecarregar a equipe e não precisar contratar mais pessoas. Hoje, o pensamento é diferente. Eles passaram a cobrar um preço justo pelo serviço — sem entregar mais do que é contratado, como costumavam fazer antes — e, se for preciso, contratarão mais funcionários. O objetivo é que a equipe continue a crescer, mas que o faturamento aumente em uma proporção muito maior.

“Hoje, se eu fosse montar uma empresa, procuraria pessoas com perfis completamente opostos, mas a visão e os princípios têm de ser comuns a todos”, relata Alexandre. Para manter a confiança, os sócios estabelecem acordos artificiais. Cada um tem horário de chegar e de sair e constantemente reestabelecem as expectativas mútuas para conseguirem andar sempre em direção semelhante. “Sozinho eu vou mais rápido, mas, junto, eu vou mais longe”, destaca o empresário.
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