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Sim, elas podem. E fazem

Conheça a história de oito mulheres que comandam diferentes equipes de forças de segurança da capital federal. Além de enfrentarem criminosos e perigos, muitas têm que provar todos os dias que o lugar delas é nas ruas, cuidando da população

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postado em 18/08/2013 12:59 / atualizado em 18/08/2013 13:00

Edilson Rodrigues
Adriane Correia de Freitas, 45 anos, piloto da Divisão de Operações Aéreas Sheila Tahan de Carvalho, 39 anos, sargento do Corpo de Bombeiros. Pioneira na direção de plataformas de incêndio Nelbe Ferraz de Freitas, 33 anos, chefe da Delegacia de Controle de Segurança Privada da Polícia Federal Fernanda Costa de Oliveira, 34 anos, é chefe da delegacia de inquéritos especiais da PF Fátima Elizabeth de Sousa, 42 anos, inspetora da Polícia Rodoviária Federal, chefe da seção de contratos. Renata Malafaia, 35 anos, delegada adjunta da 1ª DP, ex-corregedora da PCDF Juliane Ribeiro Maia, major responsável pela análise de procedimentos de alto custo na área da saúde em todo Exército Brasileiro Hilda Ferreira da Silva, 48 anos, coronel da Polícia Militar e comandante do Comando de Policiamento Regional Metropolitano
 

Elas chamam a atenção, incomodam criminosos e desempenham funções importantes dentro da instituição onde trabalham. Oito mulheres, chefes em forças de segurança diferentes no DF quebraram paradigmas e, hoje, representam o potencial feminino frente aos afazeres outrora exercidos por homens. No grupo, há três delegadas da Polícia Federal e Civil, uma piloto da Divisão de Operações Aéreas (DOA) da Polícia Civil, uma coronel da Polícia Militar, uma sargento do Corpo de Bombeiros que dirige uma plataforma de incêndio de 70 metros de altura, uma inspetora da Polícia Rodoviária Federal e uma major, responsável pela análise de procedimentos de alto custo na área da saúde em todo o Exército Brasileiro.

Chegar ao topo não foi fácil para esse time. Além de anos de estudos, de inúmeros testes físicos e missões arriscadas, algumas tiveram de enfrentar dificuldades relacionadas à aceitação da ala masculina como subordinada no início da carreira. Foi o caso da delegada adjunta da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), Renata Malafaia Vianna. “Ingressei em 2006 e estava com 27 anos. Alguns policiais mais antigos não queriam ser chefiados por mim e pediram para sair”, revela. O profissionalismo no trabalho é o maior aliado para driblar o machismo e impor respeito.

Natural do Rio de Janeiro, Malafaia já atuou na antiga Divisão de Homicídios (DH) e em casos de repercussão nacional. Está entre os nomes mais respeitados da corporação. Em dezembro do ano passado, enquanto diretora da Divisão de Investigação da Corregedoria-Geral, ela teve uma das atitudes mais ousadas da carreira: prendeu dois agentes acusados pelos crimes de sequestro e extorsão. “Sabia que ia enfrentar críticas, mas para mim isso não foi cortar na própria carne. Essas pessoas nunca foram policiais”, ressalta. Os cabelos ondulados e o belo rosto também já arrancaram suspiros de detentos. “Uma vez, eu me surpreendi quando um preso disse que, quando saísse da cadeia, me pediria em casamento”, brinca a delegada.

Também na Polícia Civil do DF, há uma piloto de aeronaves lotada na Divisão de Operações Aéreas (DOA). Adriane Correia de Freitas, 45 anos, chefiava a seção de administração e contratos quando se viu interessada em voar. Destemida, fez cursos de meteorologia, técnicas de voo até sobre a parte mecânica do avião. Desde 2011 está habilitada para arranhar o céu do Brasil na busca por presos em outras unidades da Federação. “A responsabilidade é enorme e não dá para descuidar um minuto”, admite.

Adriane diz se sentir à vontade para pilotar aviões. “Sou policial há muitos anos e já passei por várias experiências de risco. Tenho mais medo de ir ao salão e cortarem errado o meu cabelo do que de voar”, diz, entre risos, a única mulher piloto da PCDF. Em relação a isso, não há constrangimento. “Às vezes, eu pouso para abastecer e as pessoas me olham estranho, pela surpresa de ser uma mulher pilotando. A minha equipe me encara como uma colega de trabalho e me trata com muito respeito”, garantiu. Abaixo, leia mais sobre o dia a dia dessas mulheres.

Curiosidade
Além do exemplo de Dilma Rousseff como a primeira presidente da República, em todo o Brasil, as mulheres já se destacam em cargos de diretorias de empresas e em diversas áreas do meio jurídico, com salários de dar inveja a muitos homens. O segredo está na força de vontade e na dedicação aos estudos. A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada em 2011, revelou que as mulheres entre 20 e 24 anos registram, em média, 10,2 anos de estudo, um ano a mais que homens da mesma faixa etária.



Elas constroem a própria história
“A gente faz tudo o que eles fazem”
Na Polícia Federal, duas delegadas são destaque pelo trabalho e pela beleza. Fernanda Costa de Oliveira, 34 anos, e Nelbe Ferraz de Freitas, 33. A primeira é policial desde 2005 e há dois anos é chefe da delegacia de inquéritos especiais, responsável por casos relacionados a desvios de dinheiro público. Fernanda atuou na Diretoria de Inteligência da PF e, em Foz do Iguaçu, na Delegacia de Repressão a Tóxicos e Entorpecentes (DTE), região de fronteira com países conhecidos pela produção de drogas como cocaína e maconha. Fernanda se orgulha do distintivo que carrega na cintura e por estar entre os 10% de mulheres que compõem o quadro da PF. “Nossa atuação assume vitrine e temos que fazer um trabalho muito benfeito. Espero daqui a 10 anos ser ainda melhor”, afirma.

Ao lado de Fernanda, a amiga Nelbe Ferraz também desempenha papel importante na PF. Delegada desde 2007, ela já foi responsável pela Delegacia de Imigração em Manaus (AM) e, atualmente, está à frente da Delegacia de Controle de Segurança Privada em Brasília. Mãe de uma menina de 1 ano e meio, ela destaca que conciliar a profissão e a vida pessoal não é tarefa simples. “Não temos legislação específica que trate da mãe servidora que amamenta. Temos hora para chegar, mas não para ir embora. Os desafios são superados pela vocação e pelo amor à polícia”, conta. Como delegada,  diz ter conquistado o respeito pelo trabalho apresentado. “A gente faz tudo o que eles (os homens)  fazem, só que de salto alto”, brinca.

Três décadasde PM


Nas ruas da capital federal, o policiamento ostensivo é imprescindível para a segurança da população. Quem observa o trabalho dos policiais militares nas ruas não imagina que por trás do serviço possa ter uma mulher no comando. Hilda Ferreira da Silva, 48 anos, ingressou na corporação há três décadas como recruta, aos 18, nos tempos de regime militar no Brasil. “Naquela época, a PM não tinha referência de mulher”, revela a pioneira.

Em 1987, Hilda participou de treinamentos e cursos de formação de oficiais em Minas Gerais e galgou todos os passos da carreira. Teve de conciliar a profissão com a vida pessoal. “Temos que separar a hora da mulher, da mãe e da profissional. A mulher tem o poder de fazer arroz, cuidar do marido, ajudar os filhos na tarefa da escola e ainda se dedicar ao trabalho”, defende. Atualmente, Hilda é comandante do Comando de Policiamento Regional Metropolitano, que abrange seis batalhões com 1,4 mil homens que administram a área central de Brasília, Asas Norte e Sul, Lago Sul e embaixadas, além do Cruzeiro e do Sudoeste.

A Polícia Militar do DF conta ainda com uma tenente-coronel que ficou conhecida nacionalmente. Cynthiane Maria Santos foi a primeira mulher no Brasil a comandar uma tropa de choque. Para isso, passou em todos os testes psicológicos e físicos, como rastejar na lama, suportar o frio, a fome, e ficar noites sem dormir.

Plataforma de 70m


A sargento do Corpo de Bombeiros Sheila Tahan de Carvalho, 39 anos, também tira de letra quando o assunto são máquinas. Ela é pioneira na direção de plataforma de incêndios no DF e está na corporação há 19 anos. Desde 1995, pode dirigir todos os carros disponíveis. Lotada no 13ª Grupamento de Bombeiro Militar, no Guará, e com apenas 1,60m de altura, Sheila é a responsável por conduzir uma plataforma de 70 metros, a maior no DF. “No trânsito, eu faço sucesso. Já ouvi muitos parabéns, mas muitos homens ainda são machistas e chamam as mulheres de roda presa, mas acredito que já começamos a quebrar paradigmas”, comenta.

Sheila conta que não é fácil dirigir veículos grandes. É preciso se aperfeiçoar, estudar as rotas das cidades e pisar fundo no acelerador sem provocar acidentes. “A gente dirige para si e para o cidadão. Tem que prever onde vai estacionar a plataforma para não colocar a guarnição em risco e fazer o combate ao incêndio da melhor forma. O condutor também precisa chegar imediatamente porque um minuto perdido pode custar uma vida”, explica.

“Tem batom ainda?”


Sem esquecer o batom e o salto alto, a major do Exército Juliane Ribeiro Maia não perde a feminilidade. “Tem batom ainda?”, pergunta antes de posar para fotos. Há 20 anos, a enfermeira ingressou na instituição e está entre as 5,2 mil mulheres aprovadas em concursos realizados pela instituição. Juliane é responsável pela seção de regulação e auditoria de contas médicas. É ela quem assina contratos com organizações civis de saúde.

A major almeja chegar ao posto de coronel, mais alto na carreira militar. “A gente trabalha no dia a dia para alcançar o ponto máximo da carreira”, admite. Para ela, o fato de as mulheres cada vez mais assumirem postos importantes na sociedade é um exemplo positivo. Juliane ainda ressaltou que o Exército pretende admiti-las na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), responsável pela formação de futuros chefes militares, pelas armas de infantaria, cavalaria, entre outras. “Já há uma lei aprovada e está em fase de implementação. Num futuro muito próximo, teremos mulheres na área bélica”, acredita.

Em situação de igualdade


Uma das tarefas mais desafiadoras em qualquer profissão é se destacar na hora de lidar com situações adversas e ter habilidade para desempenhar a função. A policial Rodoviária Federal (PRF) do DF inspetora Fátima Elizabeth de Sousa, 42 anos, soube driblar os desafios. Fátima não aceita diferenciação entre mulheres e homens, mas admite ter passado por diversas situações em que precisou se impor. “Muitos usuários (pessoas abordadas em blitzes) não nos respeitam por sermos mulheres. Uma pessoa já deixou de falar comigo e procurar um policial homem”, conta.
 
Fátima atua como gestora de contratos, mas na maior parte da carreira atuou na área operacional, com abordagens em rodovias federais. Para a PRF, as mulheres já demonstraram historicamente a capacidade de liderar.

“A mulher não tem a força física de um homem, mas temos outras habilidade que podem ser levadas em consideração, com igualdade e até superioridade. Se alçamos uma chefia, é porque corremos atrás, estudamos e treinamos muito”, discursa.

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