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COMPORTAMENTO »

Conduta nota dez

Além da formação e da dedicação ao trabalho, a boa convivência com os colegas conta pontos na hora de subir na carreira. Veja como se manter na linha dentro do escritório

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postado em 25/08/2013 13:40 / atualizado em 25/08/2013 13:42

Bruno Peres
Quem nunca foi bombardeado pela clássica pergunta “você já sabe da última?” na fila do cafezinho? Ou já foi obrigado a conviver com aquele colega que perdia os amigos — e a concentração da equipe —, mas não perdia a piada? Pois esses comportamentos, por mais inocentes que possam parecer, podem atrapalhar a formação da imagem de um profissional dentro da empresa. De acordo com especialistas em carreira, os problemas de comportamento provocam mais demissões do que os erros cometidos pelos funcionários. Quanto mais as empresas tendem a crescer em nível organizacional, mais se preocupam com a imagem — principalmente aquela que é divulgada por meio dos funcionários.

Durante o processo seletivo para uma vaga, a etiqueta profissional conta tantos pontos quanto um currículo recheado de experiências e formação teórica. O estilo de se vestir e de se portar em uma entrevista indicará para a empresa que tipo de funcionário ela vai empregar. “Na seleção, você já pode perceber alguns indícios, como o tom de voz, como a pessoa se comporta, como se veste. Nada disso tem que ser forçado, mas são indícios que um bom entrevistador vai notar”, explica Lourdes Scalabrin, diretora de Operações do Gi Group Brazil, empresa especializada em recrutamento.

Auxílio na promoção

Os aspectos comportamentais têm grande importância na avaliação de um profissional e podem até contar pontos extras na hora de uma promoção. Foi o caso de Adriana Ferreira, 35 anos. Ela começou como auxiliar administrativa de obras na incorporadora Paulo Octavio há 16 anos e, hoje, coordena o Departamento Pessoal. De acordo com o gerente administrativo da empresa, Anísio Neto, a boa conduta do funcionário é o primeiro ponto levado em consideração antes de uma promoção. “Nossos funcionários são avaliados com relação à boa conduta antes da bonificação. Avaliamos se aquela pessoa apresenta um bom relacionamento interpessoal, sabe se vestir bem e tem responsabilidade com o trabalho. No caso de Adriana, a proatividade foi fundamental”, conta o gerente.

Para Adriana, o profissional que apresenta boa conduta é aquele que fala menos e ouve mais. “O importante é ter uma boa convivência com todos, do operário de obra até o dono da empresa. Sempre tentei ser muito discreta e evitar fofocas. Se alguém vem contar alguma coisa do gênero, é melhor só ouvir e fica calada, não espalhar. Assim, você não se compromete”, sugere a coordenadora.
Por ser um ambiente formal e diversificado, no qual convivem diversas culturas, é preciso impor limites e respeitar os colegas. Para o consultor Saulo Alves, da empresa de recrutamento Partner, a saída sempre é a comunicação. “Se for uma pessoa que está causando problemas para você,ou mesmo um colega com quem você tenha mais intimidade e esteja se comportando de forma inadequada, o ideal é conversar. Não deve ser algo que constranja a pessoa, e sim que ajude. Se não resolver, a melhor saída é procurar o chefe ou o RH”, aconselha. Algumas empresas têm ouvidorias para que os funcionários possam recorrer à instituição quando se sentirem prejudicados.

O cuidado com o visual, a habilidade de se comunicar e de se relacionar também são características esperadas pelos gestores após a contratação. Por isso, certas empresas preferem estabelecer normas desde a assinatura do contrato, como é o caso do grupo Votorantim. O código de conduta, criado em 2005, vale para os 42 mil funcionários da empresa — do diretor ao operador de máquinas.
“Nós entendemos que é obrigação do funcionário seguir as normas de conduta da empresa, pois esse código representa os valores que já fazem parte do grupo desde a fundação. Os funcionários representam a empresa, então, cabe a cada um de nós cuidar desses valores e transmiti-los. De nada adianta ser comportado dentro da empresa e apresentar uma conduta inadequada fora dela”, afirma Gilberto Lara, diretor de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Votorantim.

Falar mal da organização ou do chefe, espalhar fofocas e não respeitar os horários de trabalho são alguns comportamentos que, além de comprometer a imagem do profissional, também podem justificar uma demissão. “Se a orientação de comportamento foi feita durante a integração do colaborador e houve uma formalização disso no contrato, a empresa, no caso de uma violação insistente, pode demitir por justa causa. Isso só acontece em casos extremos, quando o colaborador já foi advertido e não cumpriu o que a firma determinou”, orienta o consultor de recursos humanos do Grupo Panna, Daniel Luz.

Respeito ao cliente

A boa conduta profissional é uma preocupação principalmente para as empresas prestadoras de serviço ou que mantêm relacionamento direto com o cliente. No Hospital Anchieta, por exemplo, foram estabelecidas normas para utilização do celular e das redes sociais. Ao ser contratado, o profissional recebe um guia com informações sobre o comportamento esperado: tudo que é, ou não, proibido. Caso viole uma das normas, o funcionário pode ser encaminhado para um processo de sindicância interna, que determinará a punição. “O empregado é a força de trabalho e a imagem da empresa. A imagem pessoal de um profissional pode ser diferente daquela que ele tem de transmitir enquanto representante da empresa, e elas não podem se confundir”, explica a coordenadora de Recursos Humanos do hospital, Luana Moraes.

Quando as normas de conduta não são estabelecidas pela empresa, vale lembrar que um bom relacionamento com as pessoas no ambiente de trabalho é essencial tanto para a carreira como para a qualidade de vida. As empresas preferem trabalhar com funcionários que sabem se relacionar a aguentar gênios problemáticos. Brincadeiras fora de hora prejudicam o ambiente de trabalho, assim como discussões, explosões de raiva e intrigas. Esses são problemas que atingem funcionários de todos os níveis da hierarquia. “Há uma máxima que diz que somos contratados por nossa competência técnica e demitidos por nossa incompetência emocional”, diz Saulo Alves, gerente de Recursos Humanos da Partner, empresa de treinamento e qualificação profissional.
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