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Correio Braziliense

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PERFIS DE SUCESSO // IVO JACÓ DE SOUZA

Retirante empreendedor

Paraibano fugiu do sertão nordestino em busca de estudo e se tornou empresário agroindustrial

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postado em 08/09/2013 13:00 / atualizado em 13/09/2013 14:39

Gustavo Aguiar

Breno Fortes
Recomeçar é um verbo que não sai do dicionário de Ivo Jacó de Souza, 61 anos. Em janeiro de 1971, aos 18 anos, o paraibano decidiu deixar tudo para trás na pequena Santa Luzia do Sabugy, onde nasceu, e tentar a vida na capital. Fugiu da seca e do sertão para terminar os estudos, mas não fazia ideia de que a vinda para Brasília lhe prepararia para ir ainda mais longe. O retirante sem diploma acabou se tornando um bem-sucedido empresário do setor agroindustrial e do comércio de alimentos no Planalto Central. “Isso não estava nos meus planos, mas agarrei todas as chances que tive na vida. Apostei minhas fichas em tudo o que fiz, arrisquei muita coisa. No fim, deu tudo certo.”

A Sabugy Agroindústria e Comércio de Alimentos LTDA é uma homenagem de Ivo à cidade natal. Foi fundada em 1997, exatamente 26 anos depois que ele desembarcou em Brasília. A empresa familiar, que começou industrializando carne suína e só contava com dois funcionários, hoje tem mais de 50 colaboradores, que também trabalham na criação de cavalos, ovelhas, gado de leite e até no cultivo de uva. Seus produtos estão disponíveis nas prateleiras dos supermercados e açougues, na mesa de restaurantes e no cardápio de hotéis em todo o Distrito Federal.
Muito antes de sonhar em abrir o próprio negócio, Ivo só queria poder ser um homem estudado. Como em Santa Luzia não havia escolas de ensino médio, a única opção era se mudar para a cidade grande. Veio para Brasília para refazer os passos de três dos 15 irmãos que já tinham se dado bem na nova capital, numa viagem de ônibus que durou três dias e três noites. As lições que aprendeu na infância e na adolescência, enquanto ajudava o pai em uma pequena mercearia na cidade paraibana, foram valiosas para definir o caminho dele. Além disso, e dos próprios sonhos que trouxe na minguada bagagem, ele tinha pouco com o que contar quando desembarcou na capital.

Altos e baixos

Para ter o próprio dinheiro, começou trabalhando como mensageiro em uma empresa privada enquanto dava duro na escola no turno contrário. “Consegui emprego assim que cheguei, mas tive muita dificuldade para me adaptar à cidade. Foquei nos estudos porque queria me tornar funcionário público”, lembra. O plano deu certo, e Ivo acabou ingressando no Ministério das Telecomunicações antes de terminar o terceiro ano escolar. O novo salário o ajudou a garantir o custeio da faculdade de administração, que cursou logo depois de pegar o certificado de conclusão do segundo grau.
“Eu já tinha chegado mais longe do que havia planejado. Não tinha por que me acomodar”, pondera. Foi então a vez de sonhar mais alto e investir nas seleções públicas. A dedicação e a perseverança o levaram a assumir um cargo na extinta Telebrasília após a aprovação em mais um concurso. “Comecei como assistente administrativo, mas fui pouco a pouco fazendo meu caminho lá dentro.” Na empresa, conquistou uma bolsa para se especializar em finanças e tornou-se expert na área.

“O cargo de gerência veio naturalmente. Passei a levar uma vida muito diferente da que eu estava acostumado no sertão. Criei minha família com conforto, me permiti alguns luxos e comprei um terreno rural em Planaltina, com o qual eu pudesse me ocupar depois da aposentadoria”, descreve. O que Ivo não sabia é que a privatização da Telebrasília, em 1996, o obrigaria a antecipar todos os planos. “Meu futuro era incerto dentro da empresa. Aproveitei o primeiro plano de demissão incentivada e pedi minhas contas”, explica.
Sem emprego, o segundo recomeço na vida do ex-funcionário público já tinha endereço certo. A chácara 26 no Núcleo Rural Rio Preto, Planaltina, antes um hobby, acabaria se tornando sede do Frigorífico Sabugy. “Apesar da experiência em administrar uma empresa, eu não sabia nada sobre manejo de animais, abate, corte, higiene, industrialização. O jeito foi aprender do zero e envolver toda a família no negócio.” Ivo procurou os cursos do Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e da Secretaria de Agricultura do DF, e tudo o que aprendia ensinava aos funcionários. Fez a segunda especialização em gastronomia e segurança alimentar na Universidade de Brasília (UnB) e apostou toda a energia que tinha no novo negócio.

Hoje, 16 anos após a fundação da empresa, a Sabugy prospera e diversifica as atividades. Os três filhos de Ivo dividem com o pai a missão de administrar o negócio — a filha mais velha é veterinária e especializou-se para assumir o controle de qualidade da empresa, enquanto os dois irmãos mais novos cuidam da parte administrativa da companhia. A receita para o sucesso, de acordo com o fundador, é pensar à frente e apostar sempre em si mesmo. “Meu objetivo sempre foi fazer a empresa crescer, seja a minha, seja a de outra pessoa.” Com tanto fôlego, aposentar-se é um projeto que o empresário vai ter que deixar para mais tarde.

Dicas valiosas

» MARIANA NIEDERAUER

Confira as orientações do presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Brasília (Siab), Paulo Sérgio Dias Lopes, e do gerente da unidade de agronecócios do Sebrae-DF, Roberto Faria, para ter sucesso num negócio do ramo de comércio de alimentos e agroindústria:

» O espaço físico destinado a indústrias em Brasília é restrito.É necessário fazer um levantamento para encontrar o melhor local para o instalar a empresa.
» A tributação dos produtos comercializados no DF costuma ser maior do que no Entorno. O empreendedor precisa pesquisar qual é a tarifação dos produtos que vai fabricar. No caso de indústrias maiores, outra dica é procurar se informar com a Secretaria de Fazenda se há incentivos fiscais dependendo do número de empregos gerados.
» O cuidado com a qualidade do produto comercializado deve ser constante. O negócio precisa se adequar às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e às regras locais, seguindo as orientações da Secretaria de Agricultura.
» A análise do mercado é fundamental. Quem são os consumidores e distribuidores em potencial? Calcular as distâncias entre os pontos de comercialização dos produtos também é importante para elaborar o planejamento logístico.

  Palestras gratuitas

O Sebrae-DF oferece o ciclo de palestras gratuitas Sebrae Mais, para empresas com mais de dois anos de funcionamento e mais de nove funcionários. Este ano, as palestras serão ministradas entre agosto e outubro. Inscrições e informações pelo site www.sebrae.com.br ou pelo
telefone 0800-570-0800.
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