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Os primeiros passos

Disciplinas da Universidade de Brasília oferecem aos estudantes oportunidade de chegar ao mercado com soluções criativas e domínio de planos de negócios

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postado em 15/09/2013 19:38

Carlos Moura/CB/D.A Press
Viver das próprias ideias, ter salários maiores e liberdade de horário são atrativos para aqueles que desejam se tornar empreendedores. Com o intuito de aproximar o ambiente acadêmico das experiências reais de mercado e aproveitar o interesse que os alunos de graduação e de pós têm em desenvolver essas habilidades, aulas voltadas para a criação de negócios próprios têm chamado a atenção nos centros de ensino superior do país.

Projetadas para trabalhar o espírito empreendedor entre os alunos de diversos cursos, as disciplinas do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB), por intermédio da Escola de Empreendedores (Empreend), funcionam como plataformas para capacitar os futuros empresários. Atualmente, o CDT oferece cinco disciplinas para graduação e uma para pós. A coordenadora pedagógica do centro, Karen Ferreira, explica que o objetivo das atividades é dar meios para que os estudantes de cursos que não trabalham conhecimentos voltados para negócios durante a graduação possam investir nas oportunidades que o ramo oferece. “Procuramos tratar os conceitos dessa cultura de empreender de maneiras diferentes, para que o estudante da UnB possa voltar os conhecimentos aprendidos para a área em que estuda”, completa.

Iniciada em 1996, a disciplina de Introdução à Atividade Empresarial (IAE) se destaca como a mais antiga do grupo — já foi ministrada para cerca de sete mil estudantes e, hoje, conta com 11 turmas por semestre. Na matéria, os alunos são instruídos a se dividirem em grupos para montar planos e estratégias para a criação de empresas. As aulas são divididas em quatro módulos em que são trabalhadas competências empreendedoras, planos de negócios, de marketing e financeiro. Durante o processo, os universitários entram em contato com o modelo teórico e prático das situações apresentadas com a ajuda de jogos, vídeos e dinâmicas. “A proposta é que, no decorrer das aulas, os participantes possam gerar, a partir dessas orientações, planos para as empresas, que, ao término do semestre, serão apresentados em uma feira de negócios e inovação como se fossem para possíveis investidores”, descreve a coordenadora.

Além da chance de desenvolver projetos pessoais, as disciplinas para empreendedores incentivam a interação entre os participantes de cursos diferentes. Exemplo dessa troca de conhecimentos é a experiência que os cinco membros responsáveis pelo sistema Sispeed — proposta de ponto eletrônico biométrico para o controle de horário de empregados domésticos — tiveram durante a disciplina de IAE no primeiro semestre de 2013. Eles se conheceram durante as atividades da matéria e afirmam que a experiência ajudou a ampliar os conhecimentos a respeito do mercado de empreendedores.

Daniel Rubem, 19 anos, foi o responsável por sugerir o tema da empreitada e conta que a ideia partiu do conceito básico da disciplina. “Na aula, são propostas soluções para os problemas do nosso cotidiano e, na época, um dos assuntos mais comentados era a PEC das Domésticas (PEC nº 480, de 2010)”, relata Daniel, que estuda engenharia de produção. O estudante de ciências contábeis Loan Rodrigues, 20 anos, explica que, no início, existia o medo de investir em algo que poderia não dar certo, mas esse pensamento perdeu força com o passar do tempo. “Durante as aulas, foram apresentados modelos de planos de negócios e o apoio dos professores serviu como incentivo para seguir em frente”, diz o estudante.

Investimento

O esforço e a dedicação dos integrantes ao Sispeed não passaram despercebidos. O potencial do projeto atraiu a atenção de um investidor autônomo durante a feira e isso estimulou a equipe a continuar nas atividades. “Um visitante conversou conosco a respeito da iniciativa e falou que estava disposto a disponibilizar até R$ 20 mil caso o sistema se mostrasse viável”, lembra Uander Gonçalves dos Anjos, 27 anos, que faz geografia na UnB. “Agora, vamos nos reunir para tocar o projeto em frente e não deixar que a ideia morra. Embora o Samuel e o Caio (outros dois integrantes da equipe) não estejam no Brasil, faremos o possível para refazer o nosso plano de negócio até o fim de 2013”, completa Uander.

Para ajudar na capacitação dos empresários juniores da UnB, o CDT oferece as disciplinas exclusivas de empresa júnior 1 e 2 para quem tem vínculos com essas modalidades. Consideradas escolas de empreendedorismo, as empresas juniores têm o objetivo de colocar em prática os conhecimentos vistos em sala de aula. Vitor Almeida, 22 anos, explica que a experiência de três anos e meio na AD&M, empresa júnior do curso de administração da UnB, o ajudou a desenvolver a mentalidade de empreendedor e que as aulas complementam o aprendizado. “As aulas envolvem membros de diversas empresas. Assim, ocorre a troca de conhecimentos e práticas”, conta Vitor, que atualmente ocupa o cargo de presidente institucional da AD&M.

Caminho próprio

Pesquisa feita pela Endeavor Brasil em 2012 com 6.215 universitários de todas as regiões do país mostrou que seis em cada 10 estudantes têm o interesse de abrir a própria empresa no futuro.
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