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Você é feliz no trabalho?

Boa remuneração, ambiente que favorece a autonomia do profissional e estimula a colaboração com a equipe são fatores que geram mais satisfação nas empresas

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postado em 23/09/2013 10:02 / atualizado em 24/09/2013 12:09

Mariana Niederauer

Será que é possível ser feliz no trabalho? Ou o escritório é apenas aquele lugar para onde se vai com o objetivo de ganhar dinheiro para pagar as contas no fim do mês? Para 78% dos 207 entrevistados no levantamento Felicidade no Trabalho, feito pelo Ateliê de Pesquisa Organizacional, o dinheiro é o fator mais importante na vida profissional. Especialistas alertam, porém, que ele está longe de ser o único elemento a influenciar o grau de satisfação dos funcionários. O estudo, que ouviu trabalhadores do Rio de Janeiro e de São Paulo, mostrou que as pessoas também relacionam a felicidade a se sentir bem trabalhando em um ambiente colaborativo, em que elas possam falar e ser ouvidas.

Suzy Cortoni, sócia-diretora do Ateliê de Pesquisa, afirma que o dinheiro foi o aspecto que menos surpreendeu no levantamento. “Hoje, ninguém tem mais vergonha de dizer: ‘eu trabalho por dinheiro’ ou ‘eu não estou satisfeito com o que eu ganho’. Isso não era bem aceito antes”, explica. O que mais chamou a atenção foi o resultado tão positivo de felicidade: 79% das pessoas disseram ser felizes no trabalho. O grande desafio das empresas agora, segundo Suzy, será descobrir o que fazer para trazer satisfação aos outros 21% que se dizem infelizes.

Para a arquiteta Ludmila Pedrosa, 27 anos, o salário não foi o que mais contou para a satisfação com a carreira. Ela começou a trabalhar em um escritório voltado para a área de urbanismo. Em pouco tempo, chegou à conclusão de que não era isso o que queria fazer. “Eles pagavam bem, o que me fez ficar mais tempo, até que resolvi sair mesmo assim”, explica. Hoje, atua em um escritório na área de que realmente gosta: interiores e residência. Além da afinidade com o ofício, fatores como autonomia, poder de decisão e retorno dos líderes são essenciais para garantir a felicidade, segundo ela.

Responsabilidade compartilhada

O coach Vinícius Farias Franco, coordenador de Marketing do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), defende que a responsabilidade da satisfação e do engajamento no trabalho seja compartilhada entre empresa e o profissional. É necessário levar em consideração o perfil comportamental de cada trabalhador antes de delegar tarefas. “Existem quatro perfis principais, o executor, o comunicador, o planejador e o analista. É preciso dar ao colaborar um trabalho pertinente a essas características”, explica. O especialista alerta, no entanto, que todos têm os quatro perfis, mas alguns predominam dependendo do meio onde profissional está e da atividade que exerce.

A preocupação da empresa com a felicidade do funcionário também pode ter reflexos na saúde dele. O professor Mário César Ferreira, do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), ressalta a importância de as organizações atuarem preventivamente para evitar que a falta de satisfação dos funcionários gere doenças, uma vez que os estudos mostram que a maior parte das causas de infelicidade no trabalho são de origem organizacional. “Ser produtivo é um dos modos de exercício da felicidade. Produtividade que leva a adoecimento não interessa a ninguém. Não adianta o funcionário entregar o trabalho no prazo e no dia seguinte entrar de licença”, alerta. A estilista Anna Paula Osório, 42 anos, percebeu grande melhora na produtividade depois que decidiu mudar de carreira. Formada em ciência da computação, ela se sentia limitada diante do computador. “Quando você é estilista, não tem um limite. A criatividade ultrapassa isso. Eu consigo produzir muito mais do que como analista de sistemas”, relata.

De acordo com o professor Mário César, que é especialista em qualidade de vida no trabalho, fatores como a possibilidade de desenvolvimento pessoal e profissional, o ambiente de trabalho saudável, uma gestão humanizada, o sentimento de prazer e a percepção do trabalho como tempo valioso de vida influenciam o bem-estar e a felicidade do profissional.

Iano Andrade
Dinheiro não é tudo
Pesquisa feita pela consultoria de recrutamento especializado Robert Walters mostrou que 49% dos executivos de alta e média gerência sinalizam que a falta de plano de carreira é o principal motivo para mudar de emprego. Foram ouvidos cerca de 10 mil profissionais de 10 países, incluindo o Brasil, onde o índice aferido foi ainda maior: 52%. A decepção com a revisão salarial foi mencionada por apenas 8% dos executivos.
O sócio-diretor da Fesa, consultoria especializada em recrutamento de altos executivos, Fernando Guedes, confirma que os executivos não olham apenas o pacote de remuneração na hora de aceitar uma proposta de outra empresa, já que têm uma posição patrimonial consolidada. “O que pesa são os desafios, ciclos de carreira, possibilidade de crescimento, novos projetos e também o alinhamento dele em relação à estratégia e à cultura da empresa”, enumera. Ele destaca que o executivo dificilmente vai se movimentar por uma remuneração menor, mas que, com certeza, levará em consideração o contexto organizacional.

“Para mim, o mais importante é trabalhar com pessoas, é isso o que me motiva todos os dias”, relata o diretor de logística da Brasal Enezil Egídio da Costa, 45 anos. Sempre que pode, ele cumprimenta, um a um, os 850 colaboradores que supervisiona. Essa forma de gerir, dando autonomia na tomada de decisões, reflete-se também no desempenho de todos. Enezil trabalha na empresa há 15 anos e, quando assumiu a área de logística, a primeira coisa que fez foi criar o índice de felicidade do setor. “Uma coisa que é muito clara é que um colaborador feliz é muito mais produtivo do que um infeliz. Eu posso ter inclusive mais custos se o colaborador não estiver motivado.”

Faça o teste elaborado pelo consultor em gestão de projetos Ricardo M. Barbosa, diretor executivo da Innovia Training & Consulting, e veja qual é o seu grau de satisfação no trabalho:


TRÊS PERGUNTAS PARA // Susan Andrews, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em Felicidade Interna Bruta

O que é Felicidade Interna Bruta?
Felicidade Interna Bruta (FIB) é um indicador sistêmico desenvolvido no Butão, um pequeno país do Himalaia, com o apoio do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que atraiu a atenção do resto do mundo com sua nova fórmula para medir o progresso de uma comunidade ou nação. Assim, o cálculo da “riqueza” deve considerar outros aspectos além do desenvolvimento econômico, como a preservação do meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas.

Podemos relacionar a FIB com o mundo do trabalho?
Existe também a abordagem do FIB Empresarial. As empresas, hoje em dia, compreendem que seus ativos intangíveis (sua reputação, seus softwares, a confiança que inspira tanto externamente quanto internamente e sua capacidade de inovação) são a verdadeira fonte de valor para a sociedade. E além dessa compreensão jaz a sabedoria que todos esses ativos são criados e desenvolvidos por seus colaboradores e pela qualidade das suas relações interpessoais. Nesse contexto, o FIB Empresarial é uma forma de cuidar tanto dos aspectos objetivos quanto dos subjetivos da organização.

Quais são os fatores que influenciam a satisfação no trabalho e como?
Os fatores que influenciam a satisfação no trabalho são multidimensionais – psicológico, físico, financeiro, interpessoal, ambiental, etc. E é aqui que jaz a eficácia da abordagem integral do FIB empresarial. O conjunto de indicadores que compõem o FIB é a expressão de uma nova visão sistêmica de progresso integral que está se espalhando no mundo, uma visão que valoriza essas dimensões tanto não-materiais como materiais. As nove dimensões do FIB, aplicadas no campo empresarial são: bom padrão de vida, boa governança, aprendizagem organizacional, cultura e diversidade, saúde, sustentabilidade, vitalidade comunitária, uso equilibrado do tempo, e bem-estar psicológico – a felicidade que surge do nosso profundo interior. A partir dessa base de bem-estar individual, o programa FIB incentiva o estabelecimento de autênticas relações de empatia, de uma sensação de conexão com o outro, de escuta profunda, e da formação de uma mente coletiva através de um compartilhamento significativo de ideias. E finalmente, com essa fundação firme de bem-estar individual e comparilhamento mútuo, os participantes coletivamente elaboram estratégias e planos de ação para promover mudanças desejáveis e sustentáveis na organização, e desenvolver uma empresa mais eficaz e mais feliz. As pessoas não querem somente o dinheiro – elas querem se sentir plenas nas suas vidas.
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