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Capacitação a distância

Aulas não presenciais são opção para profissionais que buscam incrementar o currículo. Instituições renomadas oferecem cursos de graduação e de pós-graduação

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postado em 23/09/2013 10:14 / atualizado em 23/09/2013 10:17

Ana Paula Lisboa

Carlos Moura
 
Marcelo Ferreira

Phelippe Kauã Maia, 25 anos, se formou em administração de empresas na Universidade de Brasília (UnB) e desejava deixar o currículo mais competitivo com uma pós-graduação. A instituição escolhida, a Universidade de São Paulo (USP), está entre as mais conceituadas do Brasil e foi a opção de Kauã devido à oferta de cursos não presenciais, já que mora em Brasília e trabalha como analista de projetos. O administrador de empresas iniciou a especialização há três semanas e se surpreendeu com a seriedade das atividades on-line. “Eu tinha um pé atrás com a educação a distância, mas, já na primeira aula, interagi bastante com os professores e com os outros 50 alunos. Não encontraria em Brasília um curso tão interessante e com professores tão bons”, afirma.

Entre 2011 e 2012, as matrículas em cursos de graduação e de pós-graduação presenciais tiveram aumento de apenas 3%, enquanto as opções de formação superior a distância tiveram 12% de matrículas a mais, de acordo com o Censo da Educação Superior, divulgado na última semana. Os cursos a distância já concentram 15% dos universitários brasileiros, o que equivale a mais de 1 milhão de alunos. Desse total, 83,7% estudavam em instituições de ensino particulares em 2012.

Há quem ache que cursos dessa modalidade são mais fáceis, mas Kauã já percebeu que não é bem assim. “Não tem moleza, não dá para enrolar. O número de atividades é grande, e o tutor acompanha tudo o que você faz. Além de duas horas de aula ao vivo, ainda tenho que estudar, pelo menos, cinco horas por semana.” Iran Junqueira, diretor de ensino de graduação a distância da UnB, alerta que se inscrever num curso mediado por tecnologia com a expectativa de se esforçar menos pode gerar frustrações. “A percepção de que cursos a distância são mais ‘leves’ é totalmente errada. Não se pode abrir mão das competências que o aluno precisa aprimorar. Nessa modalidade, o estudante precisa se mostrar independente do professor e também autodidata, desenvolver hábitos de estudo e se esforçar ainda mais”, esclarece Junqueira.

Mais disciplina

Nina Claudia de Assunção, mestre em educação e professora da Universidade Católica de Brasília Virtual (UCB Virtual), atribui boa parte da responsabilidade por uma formação de qualidade ao interesse do aluno. “É possível fazer um curso, presencial ou virtual, de curta duração e com poucas exigências e aprender muito, assim como é possível fazer um curso de pós-graduação de forma medíocre”, exemplifica. Francisco Botelho, doutor em informática na educação e superintende-geral de educação a distância do Centro Universitário Iesb, ressalta que a credibilidade é outro fator primordial para a realização de um bom curso a distância. “O aluno não faz o curso sozinho: ele precisa do suporte de um estabelecimento de qualidade. Por isso, é importante verificar como a instituição escolhida é avaliada pelo Ministério da Educação.”

Segundo Botelho, parte dos empregadores vê com bons olhos candidatos que fizeram algum curso não presencial. “Os contratantes, cada vez mais, não fazem distinção entre os alunos das duas modalidades (presencial e a distância). Inclusive, alguns chefes preferem alunos de cursos on-line porque sabem que eles desenvolvem autonomia e conseguem fazer uma melhor gestão do tempo disponível”, diz. O técnico administrativo Lucas Rocha, 26 anos, confia nas habilidades que está aperfeiçoando no curso de turismo da UCB Virtual e acredita que não terá dificuldade para se encaixar no mercado de trabalho. “Não há discriminação por parte das empresas, ainda mais porque escolhi uma instituição renomada”, presume.

Lucas resolveu cursar a primeira graduação motivado pelas facilidades da modalidade a distância, como a flexibilidade de horários. “A disponibilidade de tempo foi um fator crucial, porque eu posso estudar no momento em que desejar e, assim, concilio faculdade e trabalho. O preço da mensalidade também é mais em conta em comparação a uma formação presencial”, afirma. Apesar das facilidades, ele detecta desafios na modalidade eleita. “No curso on-line, você depende apenas de você. É preciso se organizar muito bem e não deixar as atividades se acumularem, porque, depois, não dá para recuperar o tempo perdido. É preciso estudar de verdade, pois as provas são presenciais.”

Solução corporativa


A secretária executiva da Fundação Milton Campos, Ellen Caroline Konrad, aproveitou a oferta de um curso a distância no local de trabalho para se qualificar com outros funcionários. “Fiz um curso de políticas públicas de 120 horas e me aperfeiçoei bastante na área de prestação de contas, que é muito importante para a minha função. Meu desempenho ficou bem melhor depois disso”, conta. Ellen tem duas filhas e acredita que aulas não presenciais permitem a capacitação de pessoas com pouco tempo disponível. A senadora Ana Amélia, presidente da Fundação Milton Campos — voltada para pesquisas e estudos políticos —, avalia que a opção é muito prática para o ambiente corporativo. “Ficou claro que as capacitações a distância melhoram o desempenho do funcionário, e todo o esforço pode levar até a um aumento de salário”, destaca.

É comum que empresas contratem serviços de educação a distância para capacitar os empregados com cursos personalizados. O publicitário Ricardo Murolo é dono de uma rede de serviços on-line, a GSB pontocom, e há um ano aposta nesse nicho de mercado. A GSB é contratada para gravar e editar vídeos para aulas não presenciais, além de disponibilizar atividades e provas por meio de um programa de computador. Ele garante que, mesmo on-line, o funcionário é avaliado com rigidez. “Tudo que a pessoa faz é registrado e, como é um programa de computador, não é possível fazer o curso enquanto se navega na internet.”

Potencial

O norte-americano Fredric Litto, presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) e professor emérito da Escola de Comunicação e Artes da USP, acredita que os cursos a distância podem suprir a carência de mão de obra qualificada. “Enquanto, no Brasil, apenas 15% dos jovens estão na universidade, na Argentina, no Chile e na Bolívia, o percentual sobe para 30%. No Canadá e nos Estados Unidos, o índice é de 75%. Na Coreia, então, é de 85%. Como podemos competir com isso?”, questiona. O professor acredita conhecer a solução: “O Brasil nunca vai alcançar o sonho de ser uma potência se não contar com jovens qualificados, mas não há professores suficientes nem dinheiro para construir tantos câmpus. Os cursos a distância são capazes de preencher essa lacuna, com qualidade e baixo custo”.

Perfil dos estudantes
Trinta anos é a idade mais frequente entre os alunos de EAD, sendo que 25% deles têm mais de 39 anos. O aluno típico da educação a distância é do sexo feminino, cursa licenciatura e está vinculado a uma instituição privada. Entre os alunos de cursos presenciais, a idade mais comum é 21 anos e 25% deles têm mais de 29 anos. O aluno típico da graduação presencial é mulher, e cursa bacharelado à noite em faculdade particular.

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