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Perfis de Sucesso

Os reis da marmita

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postado em 21/10/2013 15:17 / atualizado em 21/10/2013 15:29

Mariana Niederauer

Quatro amigos de infância abriram uma cozinha industrial com investimento próprio e, em sete meses, venderam mais de 50 mil refeições
Marcelo Ferreira CB/D.A Press

Amigos há mais de 20 anos, Carlos Augusto Lopes, 36 anos, Marco Erick, 38, Carlos Puppi, 41, e Lucas Braga, 36, decidiram se unir também na hora de mudar os rumos da carreira. Cada um deles trabalhava em uma área diferente e, cerca de um ano atrás, largaram empregos, estudo e empreendimentos próprios para iniciar o planejamento de uma cozinha industrial. Carlos Puppi, que atuou na construção civil, percebeu que havia uma demanda crescente por empresas que fornecessem marmitas aos canteiros de obra e as reclamações dos funcionários sobre a qualidade da comida eram constantes.
Durante seis meses, os quatro discutiram, estudaram o mercado, visitaram cozinhas em toda a cidade, participaram de palestras do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e montaram um plano de negócios detalhado, que prevê riscos, possíveis problemas e até mesmo a expansão gradual da empresa. “Todos nós sempre trabalhamos muito, mas para os outros. Agora, a nossa responsabilidade é ainda maior. Estamos num ramo muito minucioso e complexo”, diz Carlos Augusto.

Em abril, quando abriram as portas da Comer Bem Brasília, no Guará, entregavam 30 marmitas por dia. Hoje, alcançaram o limite da produção, com mil refeições transportadas produzidas diariamente, que incluem café da manhã, almoço e jantar. A marca memorável de 50 mil maritas foi atingida no mês passado e comemorada com festa de confraternização.
Tanta organização surpreendeu até mesmo os agentes da Vigilância Sanitária, que nunca tinham visto empresários procurarem a fiscalização antes de serem notificados por irregularidades. Eles queriam ter certeza de que estariam seguindo todas as normas necessárias para garantir a qualidade do serviço. “Sem planejamento, não teríamos conseguido chegar a esse ponto”, afirma Carlos Puppi. A empresa também foi construída nos padrões exigidos pelo mercado, para evitar alterações após abrir as portas, e, agora, está qualificada para receber pelo menos três selos de qualidade.
No total, a empresa conta com 25 funcionários em três equipes que se revezam nos turnos da manhã, tarde e noite. Dois deles são nutricionistas que preparam o cardápio. Os donos também se revezam. A cada dia, um deles abre a cozinha às 4h e outro fecha às 19h. Assim, a parceria funciona e ninguém fica sobrecarregado.

Novos mercados

Além dos canteiros de obras, os empresários aproveitam as grandes produções artísticas que ocorrem na cidade para alavancar o negócio. A empresa foi responsável pela alimentação da equipe que trabalhou nos shows de Beyoncé, Renato Russo, nas apresentações do Cirque du Soleil e do Sesi Teatro de Bonecos, e na abertura da Copa das Confederações.
As refeições servidas variam todo mês e, a cada dia da semana, um prato diferente é servido, com o objetivo de satisfazer o principal cliente: os funcionários dos canteiros de obra e de eventos artísticas, e não os empresários que compram as marmitas. Para cativar os fregueses, o segredo, segundo os empresários é o sabor do tempero. Os quatros circulam constantemente pelos locais de entrega para fazer pesquisas de satisfação com os trabalhadores. O índice de aprovação chega a 90%.

No entanto, com todo o planejamento feito desde o início da empresa, o sucesso não chega a surpreender os donos, que se concentram agora na expansão. A meta é aumentar a produção para 3 mil refeições diárias. Os sócios já começaram a alugar mais salas no prédio para transportar toda a parte administrativa e ampliar a cozinha. Ao abrirem a empresa, usaram capital próprio. Hoje, o faturamento varia de R$ 80 mil a R$ 120 mil. “Nunca buscamos o caminho mais fácil. Agora, estamos colhendo os frutos”, destaca Carlos Augusto.
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