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Cotas ampliam discriminação

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postado em 08/11/2013 14:00 / atualizado em 08/11/2013 10:45

Ana Carolina Dinardo

Ed Alves
A reserva de 20% das vagas em concursos para o serviço federal, proposta pela presidente Dilma Rousseff nesta semana, é vista com reserva por boa parte dos funcionários públicos negros. Para eles, a meritocracia deve ser o critério de seleção, e não a cor da pele. A maioria dos ouvidos pelo Correio acredita que a criação de cotas no serviço público é discriminatória e reforça o preconceito.

Ednaldo dos Santos, 52 anos, servidor do Ministério da Agricultura, avaliou que a implementação do sistema de cotas nos certames desrespeita a população e amplia o preconceito contra os negros e, até mesmo, entre eles. “As bancas organizadoras precisam avaliar o candidato pelos conhecimentos aferidos nas provas e não por conta da cor da pele. Isso é ridículo”, afirmou. Santos acredita que, diante da reprovação da maioria dos brasileiros, o sistema de cotas não deve entrar em vigor. Ele disse que o governo precisa rever alguns conceitos. “O mais justo seria estabelecer uma reserva de vagas para pessoas com dificuldades financeiras e não por raça”, afirmou.

Já na opinião da servidora Nivaldina Santos da Paixão, 58, o sistema de cotas é um não reconhecimento da sabedoriados negros. “Sem contar que é preconceituoso demais. Os próprios negros deveriam entender isso”, afirmou. “Com isso, a nossa luta por igualdade perde todo o sentido. Será que não temos capacidade para passar em um concurso? Eu e meus filhos nunca precisamos de cotas para entrar na faculdade ou no serviço público. Foi tudo mérito nosso”, frisou.

A implementação do sistema de cotas em concursos públicos também não agradou a Guaraciara Beca, 53. “É um total absurdo. Os negros que concordam com isso assumem que somos incapazes e menos inteligentes”, afirmou. Para ela, o que deve prevalecer como critério para aprovação é a capacidade intelectual da pessoa. Constâncio dos Santos, 65, concorda com os colegas. Ele define o sistema de cotas como uma “discriminação sem medidas.”

“Daqui a pouco vão criar cotas até para entrar no ônibus”, disse a servidora Dilce Fernandes, 66, que, como os outros entrevistados, é afrodescendente. A proposta, na opinião dela, pode trazer uma acomodação por parte dos negros e fortalece a ideia de que as pessoas dessa etnia são menos capazes de passar em um concurso do que outros. Para ela, medidas que segregam as pessoas pela cor da pele tendem a recrudescer o preconceito.


» 10% de vagas
   para ex-viciados

Um deputado de Minas Gerais acaba de dar sua contribuição para o debate sobre reserva de vagas em concursos públicos. Vanderlei Miranda (PMDB) anunciou, durante um ciclo de debates na Assembleia Legislativa mineira, a intenção de incluir na agenda de prioridade do governo estadual a proposta de criação de cota de 10% nos certames do estado. Os beneficiados, desta vez, são os ex-dependentes químicos. De acordo com o político, a intenção é reinserir o antigo usuário de drogas no mercado de trabalho para mantê-lo afastado do vício.
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