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Hora de crescer

Planejar a expansão pode parecer o caminho mais óbvio para quem tem um negócio consolidado. No entanto, erros cometidos nessa fase comprometem até mesmo o sucesso da matriz

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postado em 22/12/2013 10:51 / atualizado em 26/12/2013 17:05

Mariana Niederauer

Bruno Peres/CB/D.A Press
Depois de planejar a empresa, formalizá-la e resistir aos primeiros anos de funcionamento, o empresário pode começar a pensar em expandir o negócio. Não existe um momento certo para isso, mas, antes de tudo, é necessário que a matriz esteja bem estruturada e organizada, gerando lucro de forma contínua e consistente, pois um erro nesse processo compromete inclusive o desempenho da matriz. Por isso, é importante fazer um estudo do novo mercado, avaliar o ponto comercial e a demanda pelo produto ou serviço nesse local e traçar metas de faturamento e de custos do novo empreendimento. Na última da série de reportagens sobre como criar uma empresa o Correio reúne dicas para o empreendedor que pretende dar um passo adiante.

As principais opções de crescimento para empresas de pequeno a médio porte são montar um modelo de franquia, abrir uma filial e, mais recentemente, o e-commerce (veja o quadro). O coordenador do curso de administração do UniCeub, Marcelo Gagliardi, sugere que o empresário contrate profissionais capacitados para fazer uma pesquisa de mercado e avaliar as oportunidades de crescimento, além de firmar boas parcerias. Outra opção  é a necessidade de procurar um sócio, seja para investir no negócio, seja para trazer o conhecimento necessário durante o processo. Gagliardi lembra que a expansão pode ocorrer em três níveis: local (na mesma cidade), regional (em outra cidade) e global, quando os riscos são cada vez maiores e o planejamento precisa ser ainda mais detalhado. Uma sugestão para quem quer expandir internacionalmente é começar a exportar pequenas quantidades do produto antes de investir em uma operação mais ousada. O Exporta Fácil, dos Correios, facilita esse processo. “Às vezes, uma empresa sólida que dá um passo em falso na expansão, em vez de expandir, encolhe”, alerta o professor.

Luiz Antônio Campos, 48 anos, dono da Croissanterie, decidiu abrir uma nova unidade e duas franquias da loja alguns anos depois da inauguração, em 1991. A expansão foi um fracasso e, em 2000, ele precisou fechar as portas de todas as lojas, inclusive da matriz. Para não cometer o mesmo erro, ele sugere que o empreendedor avalie se realmente há demanda pelo produto ou serviço no local em que pretende instalar o novo empreendimento. Do contrário, em vez de aumentar a clientela, o empresário vai apenas dividi-la entre os dois pontos. “É uma nova empresa e também tem um tempo de maturação. Não vai necessariamente carregar o sucesso da primeira”, afirma. E caso perceba que a expansão vai dar errado, a dica de Luiz é desistir cedo, para não comprometer o empreendimento original. “Levou quase 10 anos para revertermos esse quadro. Começamos praticamente do zero. Fechamos em 2000 e reabrimos em 2001, num espaço bem pequeno”, conta.
 
Mudanças no ano-novo

 
Os donos da Commute BikeStudio, Samuel Haddad, 27 anos, e Daniel Malva, 34, abriram a loja em 2012 e, agora, planejam a expansão para um e-commerce — que deve começar a funcionar nos primeiros meses do próximo ano. Além disso, querem ainda abrir mais uma unidade no segundo semestre de 2014.

“Consideramos possibilidades tanto para uma segunda quanto para uma terceira loja, e as vendas por e-commerce vão pautar em que local elas poderão ser. A partir daí, faremos também outras pesquisas”, explica Samuel. O foco do negócio é a venda de bicicletas para ciclismo urbano, específica para quem usa esse meio de transporte no dia a dia. Como é um serviço novo no país, eles não descartam a possibilidade de abrir unidades fora de Brasília. “Vamos avaliar a presença ou não de ciclovias, a cultura da bicicleta por meio de grupos na cidade, se é perto dos distribuidores, quais serão as taxas, enfim, vários fatores vão influenciar”, completa Daniel. Os empresários ainda têm em mente uma expansão horizontal: vão começar uma linha de produção própria de bicicletas para oferecer produtos exclusivos aos clientes.

Esse tipo de inovação é essencial para sustentar o crescimento da empresa e não precisa ocorrer apenas em produtos. A especialista Anna Maria Guimarães, coordenadora do pós-MBA da escola de educação executiva com foco em empreendedorismo e inovação B.I. International, explica que as organizações podem inovar também em processos e em gestão. A gestão compartilhada, segundo ela, é a que tem tido melhores resultados nas empresas. “É importante considerar os funcionários como parceiros e envolvê-los no processo. Colocar as gerações  X e Y trabalhando juntas, de forma a extrair o melhor do conhecimento das redes sociais e da bagagem, tanto técnica quanto de vivência da geração X”, destaca. Oferecer uma remuneração variada, com bonificações além do salário fixo, ter um plano de carreira mínimo e indicadores de desempenho e de metas são outras ferramentas de gestão que contribuem nesse processo.
Plano programado
 
Para planejar a expansão é preciso ainda de antecedência. A especialista Anna Maria Guimarães explica que em agosto já é preciso fazer o planejamento do ano seguinte, analisando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país, do setor em que  está inserido e da inflação, para calcular a possibilidade de crescimento. A partir dessa avaliação, será necessário definir o que vai precisar fazer para crescer , se vai inovar, se vai promover mudanças nos processos ou nos produtos. O plano de crescimento deve incluir um planejamento estratégico de médio a longo prazos, ou seja, para os próximos cinco a 10 anos.

Quem optar por criar um modelo de franquia do negócio também precisará de um planejamento detalhado. O especialista em varejo e em franchising da Endeavor Brasil Adir Ribeiro destaca que a empresa deve ter experiência no negócio e uma imagem consolidada no mercado; manuais, processos e projeto arquitetônico das unidades estruturados; programas de treinamento formatados para garantir a transferência de know-how; e o cálculo da viabilidade financeira, ou seja, quanto vai investir no processo e quanto vai ganhar. Não há um momento certo para iniciar o processo de franqueamento, mas está em análise no Congresso Nacional uma alteração na lei de franquias — Lei nº 8.955, de 1994 — que pode tornar obrigatória a exigência de que a matriz tenha pelo menos um ano de operação. “Não existe certeza nenhuma, em franquia muito menos. Os estudos ajudam apenas a minimizar os riscos”, lembra Ribeiro.

Do ponto de vista legal, o advogado Fernando Brandariz, especialista em elaboração de acordos de acionistas, explica que cada filial precisa ter um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) diferente, e a mesma regra vale para franquias. Além disso, cada uma dessas empresas tem de contratar os próprios funcionários, ou seja, os trabalhadores de uma unidade não podem prestar serviço para a outra, mesmo que esporadicamente. “O trabalho e a localização serão diferentes. O contrato não pode ser alterado unilateralmente, por mais que seja por um ou dois dias”, alerta o advogado.
 
Facilidades

O Exporta Fácil é um conjunto de serviços dos Correios que oferece facilidades para empresas e pessoas físicas na hora de exportarem os produtos. Com o sistema, não é preciso tirar antecipadamente o registro de importador ou exportador nem esperar a emissão da Declaração Simplificada de Exportação. Cada remessa pode ter valor máximo de US$ 50 mil e cada pacote pode pesar até 30kg. Os prazos de entrega variam de 1 a 30 dias úteis, a depender da modalidade de serviço escolhida. Mais informações estão disponíveis no site www.correios.com.br/exportafacil.


Pacífico/CB/D.A Press
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