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PERFIS DE SUCESSO//ALISSON VALE »

Modelo de gestão

Após adotar métodos pouco conhecidos no país, empresário promoveu mudanças fundamentais no próprio negócio e pretende abrir o terceiro empreendimento

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postado em 06/01/2014 10:31 / atualizado em 06/01/2014 09:33

Mariana Niederauer

Formado na área de software, o brasiliense Alisson Vale, 39 anos, sempre teve perfil empreendedor. O primeiro contato com o desenvolvimento de softwares foi aos 19 anos, ainda durante a graduação. Depois de passar algum tempo em empregos formais e tocar, paralelamente, dois empreendimentos, ele decidiu se dedicar totalmente ao mundo dos negócios e, hoje, tem outras duas empresas com faturamento superior a R$ 1 milhão. A visão do empresário para perceber a eficiência de novos métodos de produção e de gestão das companhias foi essencial para o sucesso.

A dedicação exclusiva ao empreendedorismo começou em 2004, quando foi convidado para liderar o projeto de criação de um software de uma universidade em Vila Velha. Para isso, abriu a empresa Phidelis, também na capital do Espírito Santo. Nessa época, Alisson estava estudando outro tipo de abordagem para o trabalho na área de software, um modelo mais flexível de planejamento: o desenvolvimento ágil (veja o quadro). Participou de grupos, conferências e fóruns de discussão que debateram o novo sistema, que ainda era pouco conhecido no país.

A adoção do método foi um sucesso, toda a parte de tecnologia estava bem resolvida. Porém, quando a empresa começou a ficar com uma estrutura mais complexa, os desafios de gestão apareceram. Em 2007, o produto já estava pronto, e o próximo passo era mantê-lo funcionando e vendê-lo para outras instituições, o que exigia pelo menos um novo departamento na empresa, o comercial. Manter o negócio operando não era mais tão fácil. Alisson acreditava que as respostas para essa questão estavam também no modelo que o ajudou a acelerar a produção do software. “Eu queria absorver na gestão empresarial essa mesma filosofia”, relata.

Foi então que o empresário descobriu o modelo de gestão Lean, criado pelos japoneses e cujo principal exemplo é o caso da montadora de veículos Toyota. A ideia é a mesma do desenvolvimento ágil, mas agora aplicada à gestão do trabalho, com o objetivo de otimizar o fluxo de produção. Ele consiste em criar mapas que mostram visualmente todo o trabalho que está sendo desenvolvido pela empresa usando post-its para marcar as principais ações e quem ficará responsável por desenvolvê-las. Com a mudança na gestão, que confere maior autonomia à equipe, o nível de envolvimento dos trabalhadores nas tarefas aumentou e, consequentemente, os resultados melhoraram. “Não existe um gerente delegando o que cada um tem que cumprir, as pessoas simplesmente se prontificam a fazer alguma coisa porque elas estão vendo o que é mais importante e sabem quais são as habilidades necessárias. Há uma transformação social muito grande no ambiente de trabalho.”

O modelo também permitiu que Alisson passasse a se preocupar mais com as atividades de liderança do que com as tarefas diárias de atribuir metas. “Você ganha tempo para fortalecer a liderança, para torná-la mais incisiva e mais útil”, destaca. Além disso, esse mapa do trabalho ajuda a enxergar a empresa como um todo, quais os pontos fracos, em que áreas investir e de que tipo de treinamento a equipe precisa. Todos os dias, os funcionários se reúnem durante 15 minutos para observar o quadro e fazer as alterações necessárias. E Alisson garante que o método pode ser usado em qualquer escritório, apesar de ser mais comum em empresas ligadas a tecnologia.

Próximos passos

O engajamento do empresário com o método de gestão acabou por render um novo negócio. Entre 2010 e 2011, Alisson passou a ministrar palestras, dar consultorias, cursos e treinamentos sobre o tema. Ele já passou por quase todas as capitais do país — de Porto Alegre a Salvador — e visitou os Estados Unidos, a Islândia e a Áustria para contar a experiência de implantação do modelo na própria empresa e ensinar seus princípios fundamentais. Nesse período, treinou cerca de 400 pessoas e prestou consultoria para empresas como Embraer, Petrobras e Microsoft. No ano passado, decidiu abrir uma companhia para formalizar o trabalho. Em parceria com quatro sócios que também têm um portfólio relevante na área, criou a consultoria Knowledge21, no Rio de Janeiro.

E o empreendedor não pensa em para por aí. Já está nos planos para o futuro criar um negócio de cursos e conteúdos on-line, ainda sobre esse modelo de gestão. O objetivo do empresário é criar empresas que consigam se sustentar sozinhas para ter várias fontes de renda e dedicar o tempo a outros projetos, tanto pessoais quanto profissionais. “Uma das coisas mais significativas nessa experiência toda para mim é a ideia de empreender sem se prender. É você gerar o negócio de forma que ele possa ser executado e operado de maneira sustentável e que te dê espaço para continuar vivendo outras coisas. Por exemplo, eu não conseguiria viajar e morar no exterior se estivesse preso a empresas que não conseguissem sobreviver sem mim”, relata. “A ideia não é enriquecer, é simplesmente gerar valor de alguma forma para a sociedade e que eu consiga fazer outras coisas importantes para mim. Se o propósito fosse só tirar dinheiro, não teria dado certo. Para ganhar dinheiro ,é preciso ter o elemento de paixão”, completa.

Mais agilidade
» O desenvolvimento ágil consiste em uma série de práticas e processos que confere maior rapidez à elaboração de um software. No modelo tradicional, o planejamento é extenso, exige estimativas, análise e projeto — tudo definido em reuniões e colocado no papel depois. Essa preparação antes da execução poderia levar muitos meses e não incluía a participação do programador, que executa efetivamente o projeto. No desenvolvimento ágil, a atividade de programação se torna a mais importante. “Em vez de você fazer esse longo planejamento, faz-se um pouco de planejamento, de projeto e de análise e parte-se para a programação, com o intuito de construir um pequeno pedaço do software, o que leva em média duas semanas”, explica Alisson. A partir desse protótipo, é possível ter um retorno concreto e seguir para mais uma etapa de planejamento, até que o software esteja pronto.
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