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Começando com o pé direito

Brasileiro quer acabar com a estagnação e buscar emprego que gere mais satisfação e ajude a equilibrar a vida pessoal e a profissional

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postado em 13/01/2014 10:20 / atualizado em 13/01/2014 10:24

Ana Paula Lisboa

Antonio Cunha
Na terceira semana do ano, ainda dá para eleger objetivos profissionais, imaginar a empresa dos sonhos para se trabalhar e definir erros que não devem ser repetidos em 2014. Não se trata apenas de fazer resoluções de ano-novo, mas de traçar objetivos para sair da mesmice. Aliás, permanecer na mesma é algo que a maioria dos profissionais não quer fazer neste ano. De acordo com uma pesquisa do site de empregos Catho, 70% das pessoas prometem não ficar acomodadas ou estagnadas na profissão (veja o quadro). Trabalhar com o que não gosta e ficar muito além do horário no ambiente de trabalho são outros problemas a serem evitados. Já conseguir um emprego ou mudar para uma posição melhor e buscar capacitação estão entre as metas mais cotadas.

Qualificação foi a chave encontrada por Devanil de Souza, 34 anos, para encontrar um emprego. Depois de dois anos fazendo bicos com montagem e manutenção de computadores, ele começou um curso técnico em informática e acaba de ser contratado por uma empresa de computação. “Sempre gostei da área, mas tinha pouco conhecimento e sabia que precisava me especializar para conseguir um emprego fixo e melhorar de vida”, analisa. Agora, Devanil espera crescer dentro da empresa. Para alcançar esse objetivo, pretende se qualificar novamente: desta vez, com um curso superior em ciências da computação.

O investimento constante em qualificação, porém, pode estar banalizado. É o que avalia Hermine Luiza Schreiner, diretora de recursos humanos da Pormade Portas. “Não adianta fazer o curso só para colocar no currículo: tem que ser algo que vá agregar conhecimentos teóricos e práticos. É preciso escolher muito bem o curso, analisar a instituição e conferir o currículo dos professores. O que faz a diferença é a visão dos docentes”, pondera. Outra dica para quem quer deixar de ser desempregado, como Devanil, é se preparar melhor para processos seletivos. “A grande gafe do candidato em entrevistas é não conhecer a empresa. Isso é um pecado mortal e demonstra descaso. Ele precisa pesquisar e conhecer o mercado, a empresa, o presidente da companhia. É como uma prova: tem que estudar antes. Fazer perguntas durante a entrevista também é bem-visto”, orienta Hermine.

Solução empreendedora
Rodrigo Tavares, 26 anos, se formou em administração no fim de 2011 e está desempregado desde então. Durante esse tempo, passou seis meses estudando para concursos até que resolveu realizar uma vontade antiga: abrir o próprio negócio. Em abril de 2014, ele deve inaugurar um lava a jato e trabalhar naquilo que gosta. “Passei 2013 mapeando e entendendo o problema de lava a jato em Brasília. O meu projeto reutiliza a água e tem um sistema de agendamento de clientes por telefone e por aplicativo de celular”, detalha.

Trabalhar em algo que não se  gosta foi eleito como um erro a não ser repetido em 2014 por quase metade dos empregados e por 64,2% dos desempregados, segundo a mesma pesquisa. A professora de psicologia do trabalho da Universidade Católica de Brasília (UCB) Ana Cláudia Machado explica que atuar na área mais apreciada deve ser prioridade. “Passamos a maior parte da vida trabalhando, nenhuma outra atividade nos consome tanto tempo. Atualmente, fazer o que gosta não é apenas uma busca pelo prazer. É sentir-se útil. Abrir mão de uma remuneração maior para fazer algo que traz essa satisfação costuma ser recompensador.”

Monisa Ferreira, 19 anos, começa a trabalhar como auxiliar administrativa numa escola na próxima quinta-feira. Atualmente, ela cursa o 4º semestre de gastronomia e vai conciliar faculdade e trabalho. Ela conquistou, já no início do ano, o objetivo de metade dos empregados e de 73% dos desempregados entrevistados: conseguir um novo emprego em 2014. Mesmo depois de formada, Monisa pretende continuar no trabalho e se mostra comprometida com a organização. “Estou muito empolgada e tenho que dar o meu melhor. O funcionário tem que colaborar com a missão da empresa e ajudá-la a crescer. É preciso ir além e fazer mais que o esperado”, diz.

Demonstrar maior comprometimento junto à empresa está entre as metas de 19% dos empregados e dos desempregados que responderam à pesquisa da Catho. No entanto, é preciso lembrar que se comprometer com a empresa significa também assumir os problemas dela, lembra a diretora de RH Hermine Schreiner. “O funcionário comprometido aponta o que vê de errado nas práticas e raramente isso acontece sem gerar indisposição por parte de outros colaboradores. Por outro lado, uma empresa que não deixa ninguém falar e expor suas opiniões não é um lugar ideal para crescer profissionalmente”, avalia.

Muito além do salário
Outros quesitos mencionados no questionário da Catho para eleger a “empresa ideal” não incluem salário, como destaca a professora de psicologia do trabalho Ana Cláudia Machado. Segundo ela, isso vai ao encontro dos estudos da psicologia do trabalho. “Acredito que não existe uma empresa perfeita, mas as melhores promovem a liberdade, o reconhecimento e a coletividade, ou seja, um bom clima organizacional”, explica. Segundo Ana Cláudia, as pessoas querem se sentir valorizadas, não apenas por chefes e por clientes, mas também pelos colegas de trabalho que desempenham a mesma função. “O ambiente de trabalho saudável promove a qualidade e uma clima bom, e dá liberdade ao funcionário. Empresas muito fechadas e com pouco espaço para a criatividade engessam o movimento do trabalho.”

É natural que as pessoas desejem trabalhar numa empresa em que sejam valorizadas — é o que desejam 36% dos entrevistados. Essa valorização ocorre quando há reconhecimento público da organização e quando as sugestões dos funcionários são levadas em conta. “Não é necessariamente aquela empresa que paga cursos para os funcionários, mas a que oferece direcionamento aos empregados sobre que cursos podem trazer resultados positivos para a organização a médio ou longo prazo”, explica Angélica Nogueira, gerente de recursos humanos da Catho.

Ponto a ponto
Os cinco pecados capitais do profissional


Acomodação
Estar estagnado é permanecer muito tempo na mesma empresa e na mesma função, sem perspectivas de futuro. Não ficar acomodado é ir além da obrigação, o que gera uma visão diferente do profissional.

Trabalhar naquilo que não gosta
Fazer algo que se gosta deve gerar resultados, mas você pode aprender a gostar de fazer aquilo que não gosta também. A mente humana se adapta às realidades e descobrimos preferências.

Hora extra

O tempo é relativo. Tem gente que fica quinze horas no trabalho e não produz o que outra pessoa faz em cinco horas. O importante é se conhecer e sanar deficiências para produzir com mais rapidez.

Conflitos com a equipe

Todo conflito é gerado por uma base emocional fragilizada. Se você tem equilíbrio, não vai deixar conflitos existirem. Bons relacionamentos geram bons resultados.

Muitas mudanças de emprego

Não mude de emprego acreditando que vai resolver os problemas do trabalho anterior. Quem foi demitido várias vezes precisa procurar ajuda para lidar com seus problemas comportamentais.

Fonte: Valdizar Andrade, mestre em comportamento organizacional e coach

Saiba mais
Sem surpresas

Angélica Nogueira, gerente de recursos humanos da Catho, avalia que os resultados da pesquisa eram esperados. “A tendência é de que os profissionais busquem novas oportunidades no início de ano e não fiquem estagnados”, afirma. Para quem deseja não permanecer horas a mais no ambiente de trabalho em 2014, a dica é se planejar. “A rotina de ficar até mais tarde normalmente se desenvolve por falta de planejamento das atividades”, observa. Aos desempregados, Angélica aconselha que não aceitem qualquer emprego que surgir. “Começar no primeiro emprego que aparece é um erro, pois nem sempre é aquele que vai deixá-lo efetivamente feliz, ou que vai durar. Quando a pessoa está infeliz num trabalho, continua procurando emprego, e ficar pouco tempo numa vaga pode ser prejudicial para o currículo.”

 

 

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