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PERFIS DE SUCESSO// PASTELARIA VIçOSA »

A cara de Brasília

O pastel mais famoso da cidade começou a ser produzido por um mineiro. O negócio já está na segunda geração

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postado em 20/01/2014 10:21 / atualizado em 20/01/2014 10:24

Gustavo Moreno
Sebastião Gomes chegou a Brasília para trabalhar na construção da cidade. Ele vendia lanches aos outros pioneiros da capital. No dia em que estava marcada a viagem de lua de mel com a mulher, Ivanildes, os dois perderam o ônibus para Belo Horizonte, mas encontraram o futuro parceiro de negócios, o ambulante Eugênio Apolônio. O casal gostou tanto do pastel comercializado por ele que Tião, como é conhecido, propôs que criassem uma sociedade. Após a  viagem, os dois se encontraram para aprimorar o produto e abriram, na Rodoviária a pastelaria mais tradicional da cidade, a Viçosa. Desde a inauguração, em 1960, já passaram por lá políticos e artistas brasileiros e estrangeiros, que provaram o famoso pastel com caldo de cana.

Aos 84 anos, Sebastião está aposentado e passou o comando da empresa para a filha, Patrícia Rosa. “A transição não foi difícil, pois a equipe é muito boa. Foi apenas uma questão de realocar pessoas. Além disso, antes de chegar aqui, eu passei por todas as áreas da empresa”, conta Patrícia.. Ela acredita que a vivência do cotidiano do negócio é essencial e pode ser complementada com a qualificação. Depois de se formar em artes plásticas,  percebeu que não tinha vocação para a profissão e que seguiria os mesmos passos do pai. Decidiu cursar administração e fez pós-graduação em marketing.

Patrícia acredita que o segredo para o sucesso, após tantos anos no mercado, é a preocupação com a qualidade dos produtos, todos preparados no dia. A cana-de-açúcar é produzida na fazenda da família, em Alexânia, e a compra das demais matérias-primas, como queijo, farinha de trigo e óleo, é terceirizada. Segundo ela, esse é um dos fatores importantes para a eficiência de qualquer negócio. Comprar de quem é especializado elimina tempo e custos desnecessários e o risco de perder o padrão de qualidade. A regra que funciona para a pastelaria também se aplica aos parceiros — são pelo menos sete na cidade. Em vez de produzirem pastel, eles compram o produto com a massa tradicional da Viçosa, revendem e têm autorização para usar a marca.

 

A demanda pelas vendas por atacado, para bares, restaurantes e lanchonetes, começou ainda na década de 1980. Além dos tradicionais pastéis e do caldo de cana, a empresa produz milhares de salgados por mês e expandiu a atuação para bufês e eventos. O cardápio é variado e permite um passeio saboroso pela história da cidade, desde aqueles batizados com os nomes dos pioneiros — pastéis Ari Cunha, Costa, Niemeyer, Pinheiro e JK — até os que lembram monumentos históricos da cidade — pastéis Catetinho, Três Poderes, Esplanada, Alvorada e, claro, Rodoviária.

Hoje, são três unidades da pastelaria na cidade, duas na Rodoviária, nos locais originais em que foram instaladas, e outra na Asa Norte, onde fica a fábrica. Já está nos planos, para o próximo semestre, a reforma dos espaços da Rodoviária e a expansão da marca, pois a capacidade da fábrica está praticamente esgotada. A Viçosa emprega cerca de 200 funcionários diretos, alguns deles trabalham lá há mais de 30 anos.

Para manter o sucesso do empreendimento, Patrícia segue até hoje os conselhos do pai. Depois de ter visto pelo menos três moedas diferentes no país e planos econômicos variados, Sebastião sempre alertou sobre a importância de ficar atento tanto às mudanças na economia, quanto àquelas no perfil do consumidor. “Sempre procuramos trabalhar com capital próprio, é um cuidado que nós temos”, afirma a empresária. “Quem está começando a empreender tem que ter pé no chão, especialmente no ramo de alimentação, em que é muito rápido o retorno, entra dinheiro todo dia. Não se pode esquecer o investimento que foi feito e é preciso trabalhar de acordo com a capacidade financeira do caixa da empresa”, acrescenta.

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