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Concursos de alto escalão

Bacharéis sonham com vagas de delegado e de juiz, mas especialistas afirmam: não existe caminho fácil nem fórmula mágica para conquistar os cargos

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postado em 20/01/2014 10:25 / atualizado em 20/01/2014 10:27

Ana |Rayssa
Dedicar parte da vida a estudar e a conseguir um bom emprego é a realidade dos graduados em direito que buscam concursos de alto desempenho. De acordo com o Censo da Educação Superior de 2012 realizado pelo Ministério da Educação (MEC), mais de 700 mil estudantes se formaram no curso.  No Distrito Federal, existem 27 cursos de graduação de direito, presenciais ou a distância, vinculados ao MEC. Muitos formandos direcionam os estudos com o sonho de se tornarem profissionais de alto escalão na área jurídica. Com média de preparação geralmente maior que dois anos, são diversos fatores que influenciam na aprovação de concursos nos cargos, por exemplo, de delegado ou juiz.

Para o procurador da República em Campinas e professor do Verbo Jurídico Edilson Vitorelli, existe uma grande diferença entre as seleções para delegado e para juiz. Segundo ele, quem quer ser juiz terá que enfrentar etapas mais exigentes em relação a outras provas.

Edilson Vitorelli sugere que os candidatos tenham cautela e não acreditem em soluções milagrosas para uma aprovação mais rápida. “Não existe caminho fácil e não existe fórmula mágica”. O primeiro passo para quem está se preparando para concursos desse nível é criar uma base de conhecimento nas matérias.

Vitorelli ainda explica que grande parte dos concurseiros prioriza quantidade de estudo em detrimento da qualidade. Para ele, como forma de obter essa base de conhecimento, é preciso ter foco durante o período da faculdade e realmente ler os textos que são indicados pelos professores. “Não recomendo fazer cursinho e cursar a faculdade ao mesmo tempo. A base de conhecimento é adquirida principalmente durante o curso superior”, explica.

Em relação ao tempo médio para aprovação, Edilson Vitorelli diz que essa é uma questão que não deveria ser tão importante para os alunos, apesar de grande parte considerá-la crucial. “Os brasileiros gostam muito de comparar o desempenho com o outro candidato e não se atentam ao quanto realmente falta para alcançar a aprovação – se é apenas um ponto ou se está a 10 pontos”, comenta. O professor conta ainda que já teve alunos que obtiveram êxito após um ano de estudo e outros que foram aprovados apenas nove anos após o início.    

“Uma boa técnica é a autoavaliação e o diagnóstico dos pontos em que se cometem erros e das matérias nas quais o candidato não apresenta um bom desempenho. Sempre recomendo que seja revisto cada detalhe da prova prestada. É preciso detectar os erros e fraquezas para que não se repitam”, conclui.

O concurseiro Caio Xavier, 25 anos, está formado há cerca de um ano e, desde julho de 2013, está focado nos estudos de seleções para a carreira de delegado. “Quero passar para delegado da Polícia Civil do DF ou da Polícia Federal e, por enquanto, não tenho outros planos. Já prestei dois outros concursos do mesmo nível, mas foi para obter experiência ali na hora da prova mesmo”, diz. Durante a faculdade, Caio assistiu a palestras de profissionais da área, e, como se identifica com o direito penal, logo decidiu se dedicar a esse ramo jurídico.

 Para Caio, o teste físico, parte da prova, pode ser uma vantagem na hora de somar pontos: ele trabalha na empresa do pai pela manhã e estuda durante a tarde e à noite, com uma média de seis horas diárias, mas diz que não deixa de lado a saúde física. Cursos específicos presenciais e on-line já fizeram parte da rotina do concurseiro, mas hoje ele estuda sozinho em bibliotecas da cidade. “Estudo com apostilas e questões de provas de um site e quero aumentar minha rotina diária para oito horas”, completa.

Profissão dinâmica
Bruna Eiras Xavier, delegada cartorária da Polícia Civil do Distrito Federal, está no cargo há três anos e enfrentou uma extensa jornada de estudo para ingressar na função. Depois de se graduar, ela se preparou para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e, logo em seguida, fez um ano e meio de pós-graduação. “Consegui uma boa base de conhecimento e, assim que terminei a pós-graduação, o edital para o concurso foi aberto. Estudei quatro meses e consegui passar”. Entre a primeira fase do concurso, que continha questões objetivas, até a nomeação, a delegada diz que teve um intervalo de cerca de um ano, pois ainda passou pelas etapas da prova discursiva, teste físico e psicológico e do curso de formação. Nessa última fase, que também faz parte do concurso, o candidato passa quatro meses em treinamento de técnicas de investigação policial, defesa pessoal, aula de tiro, local do crime, entre outras atividades, e no fim do período tem que ser aprovado em uma última prova.

Bruna considera a profissão muito dinâmica e por isso gosta do que faz. “Cada dia é uma situação nova que tenho que encarar. Em alguns momentos, uma situação não está prevista pelo legislador e então essa questão de como enquadrar o incidente e de saber lidar com a prática e a teoria estudada é muito interessante”, diz. Em relação à falta de segurança no DF, a delegada diz que nunca sofreu nenhum tipo de ameaça e consegue realizar o trabalho normalmente.
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