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As startups são a cara de Brasília

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postado em 23/01/2014 16:40 / atualizado em 23/01/2014 16:45

Luiz Calcagno

Carlos Moura/CB/ D.A Press
Brasília se destaca, cada vez mais, como um dos polos de empresas startups do Brasil. Em geral, os criadores desse tipo de segmento enxergam oportunidades de negócio em falhas ou em carências de serviços e criam aplicativos de celular ou sites (leia Para saber mais). Na linha social, dois grupos brasilienses ganharam a competição chilena Desarrollando América Latina (DAL), que incentivou a invenção de empreendimentos em 12 países latino-americanos.

Uma das equipes locais elaborou o programa Bizu Buzú, que oferece cursos e podcasts profissionalizantes para as classes C, D e E — as ferramentas podem ser ouvidas ou estudadas no deslocamento ao trabalho, no ônibus ou no metrô. A outra criou uma plataforma digital para auxiliar, por meio da internet, processos jurídicos de conciliação, colocando as partes em contato e agilizando o andamento das ações na Justiça. É o Conciliador Virtual (leia Em destaque).

Cada grupo ganhou notoriedade em um segmento da premiação. Os integrantes da Bizu Buzú — Fabrício Batista, Felipe Blini, Leandro Freire e Rakell Simon — ficaram com o segundo lugar na modalidade aceleração presencial e vão ao Chile para assistirem a cursos que deem mais chances de sobrevivência à iniciativa. Os responsáveis pelo Conciliador Virtual conquistaram a mesma posição, mas na aceleração remota. Farão cursos a distância.

Segundo Fabrício Batista, 37 anos, idealizador da startup voltada ao aprendizado, a intenção é auxiliar os usuários na busca por uma vaga de emprego. “A pessoa ganha pontos e evolui a partir do momento em que ela começa a estudar. A pontuação cresce com o tempo, e ela pode ser indicada para entrevistas. Pensamos em cursos de balconista, garçom ou caixa, por exemplo”, explica.

Nesse caso, as próprias empresas podem patrocinar as lições. Dessa forma, a marca delas aparece no aplicativo. “Estamos desenvolvendo ferramentas mais efetivas e estudando o comportamento dos usuários. Já sabemos que é viável, que existe público para isso. Grande parte dos potenciais usuários das classes C, D e E têm smartphones, ainda que alguns sejam mais simples”, complementa Fabrício. O colega Leandro Freire adianta que o grupo arriscará patrocinadores e parceiros. “As empresas que buscarem novos profissionais também pagarão um valor, que será revertido para o funcionamento do Bizu Buzú”, detalha Leandro.

Waldemar Osmala, do Conciliador Virtual, explica que o projeto visa economizar dinheiro público, já que cada processo tem um custo. Os integrantes ainda estudam a segurança judicial da startup para que todas as ações do empreendimento estejam de acordo com a lei.

Um dos organizadores brasileiros do Desarrollando América Latina, André Luís Eloy Soares conta que a competição começou há quatro anos com outro evento, o Hackathon, que reunia jovens empreendedores e especialistas em criação de softwares e em internet a fim de desenvolver aplicativos que auxiliassem governos. “O DAL vai um passo adiante e tenta garantir a continuidade das melhores ideias”, conclui André.

Em alta
Segundo o diretor regional da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), Roberto Braga, a capital federal rivaliza com Belo Horizonte (MG), então líder do segmento de negócios no Brasil. Até outubro do ano passado, o Distrito Federal acumulava 57 iniciativas do tipo, com 130 empreendedores, uma incubadora de empresas e três investidores. De acordo com Roberto, o número pode ser maior, pois elas abrem e fecham com rapidez. “A gente vê que Brasília está crescendo nesse ramo. As pessoas têm conversado e trocado ideias. Outro ponto peculiar é que somos a terra dos concursos públicos, e um negócio próprio é uma ótima opção para quem não quer trabalhar para o governo”, afirma.

Com o empreendimento instituído, o empresário mantém o contato com o público-alvo a fim de atualizar o serviço oferecido. “Os primeiros casos de sucesso no Brasil aconteceram na primeira década do século. Hoje, Brasília tem startups de sucesso, como o Rota dos Concursos, um banco de provas e questões para concurseiros, e o Qual Canal, que monitora comentários em redes sociais. Tivemos um evento chamado Startup Weekend em 2012 e em 2013, em que incentivamos as pessoas a criarem essas iniciativas em um fim de semana”, relata Braga.


Para saber mais
A exemplo do Google

Startup é o nome dado a empreendimentos inovadores que buscam soluções simples a problemas diários e produtos criativos para público e demanda pouco conhecidos. Podem oferecer novas saídas para dificuldades e carências em serviços estatais, por exemplo, ou a monitoração de comentários sobre uma determinada empresa em redes sociais.


A principal característica dessa modalidade de negócio é que os empreendedores utilizam questionários e entrevistas com o público-alvo durante o processo de criação. Dessa forma, é possível solucionar com mais rapidez os próprios erros e, posteriormente, mantém o contato com os usuários. Por causa da necessidade de conhecer melhor o consumidor durante o processo de criação do empreendimento, é comum que os startups apareçam e desapareçam do mercado rapidamente. Algumas grandes empresas renomadas, como o site de buscas Google, encaixam-se nessa categoria.

Em destaque


Trata-se de um aplicativo de celular para profissionalizar quem deseja ser caixa, balconista ou garçom, por exemplo. Voltado para as classes C, D e E, oferece palestras com áudio e perguntas e respostas que fornecem uma pontuação. Empresas cadastradas podem buscar funcionários entre os mais bem classificados.

O site se propõe a facilitar os processos jurídicos de conciliação. O programa reuniria os usuários por meio da internet para agilizar o diálogo entre as partes. Com o uso da ferramenta virtual, a mediação seria mais rápida e pouparia tempo e recursos. O dinheiro economizado poderia
se revertido para melhoria de outros
serviços dos tribunais.

“A gente vê que Brasília está crescendo nesse ramo. As pessoas têm conversado e trocado ideias. Outro ponto peculiar é que somos a terra dos concursos públicos, e um negócio próprio é uma ótima opção para quem não quer trabalhar para o governo”
Roberto Braga, diretor regional da Associação Brasileira de Startups
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