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A vez dos podólogos

Profissão oferece vários ramos de atuação e passa a ser considerada promissora no país. No entanto, ainda não é regulamentada, e faltam opções de graduação. Em Brasília, cursos técnicos formam profissionais

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postado em 03/02/2014 10:44

Ana Paula Sousa atua na área há seis anos e se interessou pelo trabalho depois de procurar o serviço por causa de um problema nos pés (Breno Fortes/CB/D.A Press) 
Ana Paula Sousa atua na área há seis anos e se interessou pelo trabalho depois de procurar o serviço por causa de um problema nos pés


Com a grande responsabilidade de suportar o peso do corpo e amortecer os impactos ao andar, além de manter a circulação sanguínea, os pés também precisam de acompanhamento específico para evitar dores e disfunções. É nessa hora que entra em cena a figura do podologista, clínico especializado em procedimentos terapêuticos para os pés. Integrante da área de saúde, a podologia ganha destaque no cotidiano do brasileiro e atrai a atenção de outros profissionais do setor em busca de bons salários, horários flexíveis e a chance de ingressar em uma carreira considerada promissora pelo mercado.

Experiente em assuntos relacionados a anatomia, patologias, fisiologia e biomecânica das extremidades dos membros inferiores, o podologista, podiatra ou podólogo, é o especialista certo quando se procura a prevenção e o tratamento para problemas nos pés. Para exercer a profissão, é preciso ter um diploma técnico-científico ou superior na área. O campo de atuação é vasto: de acordo com o nível de aprofundamento, é possível oferecer serviços de saúde para o cuidado de idosos, pessoas com diabetes, crianças, esportistas, além de atendimento clínico e autônomo (veja o quadro). “Há alguns anos, quem se interessava em se aperfeiçoar na área eram pessoas ligadas à estética, para conseguir uma renda extra. Hoje, com a maior divulgação do que a podologia realmente faz, conseguimos atrair a atenção de outros profissionais do ramo da saúde”, esclarece Janaina Melo, professora de práticas em podologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Distrito Federal (Senac-DF).

Além da estética

Apesar de o leque de atividades também envolver cuidados com o corte das unhas e a raspagem e higienização dos pés, o trabalho desse profissional não pode ser confundido com o de pedicure. “A ideia geral da podologia é a promoção de saúde, e não da estética. Além de serem diferentes, as técnicas sanitárias que utilizamos exigem ambientes e equipamentos adequados para evitar riscos, como infecções”, completa Janaina.

Sentir os benefícios que esse tratamento pode trazer foi o que motivou Ana Paula Sousa, 39 anos, a se interessar em seguir a carreira de podiatra. Há alguns anos, ela sofria com um problema nas unhas dos pés e foi aconselhada por uma manicure a procurar ajuda específica. “O profissional que me atendeu narrou passo a passo os procedimentos e a situação que ocorria. Ele literalmente tirou a minha dor com as mãos”, lembra. A importância do trabalho e a atenção oferecida fizeram com que ela se sentisse atraída pelo ramo e, algum tempo depois, veio a oportunidade de fazer um curso técnico na área. “Eu me interessei em estudar o tema e, ao aprender a respeito da profissão, decidi seguir carreira. Hoje, posso dizer que sou apaixonada pelo que faço”, afirma Ana Paula, que atua como podóloga há seis anos.

Mercado atrativo


A busca por qualidade de vida e o desenvolvimento de novos ramos na promoção da saúde entre vários grupos populacionais estão entre os fatores que impulsionam a atividade no mercado brasileiro. Além da higienização diária, a oferta de cuidados especiais a idosos, diabéticos e esportistas — como competidores de maratonas e ciclistas — faz do podólogo um profissional requisitado. “A quantidade de clínicas particulares e hospitais que procuram oferecer o serviço hoje em dia é um indicador desse crescimento”, comenta Jean Chamon, coordenador do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) no DF. De acordo com ele, o setor se mostra ainda mais promissor na capital federal devido ao fato de os brasilienses investirem no bem-estar físico e mental. “Decidimos oferecer o curso pelo Pronatec ao observar que a população local tem interesse nesse acompanhamento”, diz.

Segundo dados da Associação Brasileira de Podologia (ABP), existem hoje mais de 50 mil profissionais em todo o Brasil e a renda mensal pode variar de R$ 2 mil a R$ 6 mil para quem tem o curso técnico. Entretanto, a atividade ainda não é regulamentada no país. O coordenador do curso de podologia na Anhembi Morumbi, Armando Bega, argumenta que a expansão da carreira exige uma lei que a regule e defina padrões curriculares para o curso. Além disso, é necessário que ela trace metas de controle da segurança sanitária e de qualidade dos serviços prestados aos clientes. “Trata-se de um assunto de saúde pública, pois é preciso definir que tipo de conhecimento o profissional precisa obter para a prática e que condições físicas são necessárias para o ambiente de trabalho”, afirma.

Quem procura aprofundar os estudos na profissão enfrenta a pouca disponibilidade de centros de ensino com curso superior de podologia. Atualmente, a única universidade com graduação na área reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), de acordo com dados do sistema e-MEC, é a Anhembi Morumbi, em São Paulo. Para Bega, a regulamentação da carreira também deve ajudar a difundir o ensino superior da atividade. “Um bacharel em podologia faz o trabalho de um técnico, mas também oferece consultas, diagnósticos e acompanhamentos mais completos, como a análise da passada — ciência que estuda a forma como os pés entram em contato com o solo durante o movimento — ou a biomecânica”, comenta. Ainda segundo Bega, a especialização do profissional também é refletida na remuneração. “Para um graduado, o salário pode passar dos R$ 10 mil por mês.”

Legislação
Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) nº 6.042, de 2005, que estabelece os requisitos para o exercício legal da profissão de podólogo, como certificado de conclusão do ensino médio ou equivalente, diploma de habilitação profissional técnico expedido por escolas reconhecidas e registro nas secretarias de estado de Saúde. O PL exige também a criação de conselhos regionais e federais para regular e defender a classe. Atualmente, o texto tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
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