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Negócio em alta

O setor de franquias cresce, em média, 10% ao ano e oferece oportunidades para quem quer correr menos riscos ao abrir uma loja. Antes de investir, é importante fazer uma autoavaliação e conhecer o mercado

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postado em 10/02/2014 10:27 / atualizado em 10/02/2014 10:06

Mariana Niederauer

Carlos Moura
O setor de franquias cresce a cada ano no Brasil. Em 2012, o aumento foi de mais de 10% e a expectativa é de que se mantenha em 2013 — os dados oficiais da Associação Brasileira de Franchising (ABF) serão divulgados no início do próximo mês. Para 2014, a expectativa de crescimento é de 14%, com faturamento de R$ 117 bilhões. Em Brasília, o cenário não é diferente. Considerado um dos mercados mais promissores do país, a capital é a quinta cidade com maior número de unidades instaladas, são 1.520 em operação, ainda de acordo com levantamento da ABF. Na primeira reportagem da série sobre franchising, o Correio mostra o perfil ideal para se abrir um negócio no setor e as principais obrigações de um franqueado.

O empreendimento formatado, com padrões predefinidos, faz do franchising uma opção mais segura para o investidor. “Muitas pessoas que depois se especializam têm diferentes unidades de diversas redes”, observa o diretor executivo da ABF, Ricardo Camargo, que também acredita no potencial do setor em Brasília. “Esse mercado é um dos mais bem desenvolvidos no Brasil, porque tem inúmeros shoppings centers”, afirma. E as oportunidades de conhecê-lo melhor também estão aumentando. Hoje, termina a Brasília Expo Franquias, feira que apresenta diversas marcas e aguarda um público de cerca de 10 mil pessoas, inclusive de Mato Grosso, Tocantins e Minas Gerais. Além disso, ainda neste mês, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no DF (Sebrae-DF) promoverá um evento para capacitar potenciais franqueados (leia Capacite-se).
 
Vantagens
Como o percentual de falência das franquias é mais baixo do que o de negócios tradicionais, o acesso a financiamento bancário é mais fácil e com juros mais baixos. Hoje, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Banco do Nordeste, BNDES, Bradesco, HSBC, Santander e Itaú têm linhas de crédito específicas, segundo a ABF. É importante, porém, que o empresário tenha de 50% a 60% de capital próprio para investir. Além disso, a compra dos produtos é mais barata porque é feita em rede, com os mesmos fornecedores, e é obrigação do franqueador dar suporte à unidade franqueada, o que inclui toda a organização do conhecimento, com acesso a treinamentos e a manuais.

No entanto, o franqueado precisa estar disposto a se dedicar. “Se quer trabalhar menos, desista agora da franquia. É preciso estar preparado, inclusive, para trabalhar numa escala de horário complexa, se a loja for num shopping por exemplo”, lembra o especialista em varejo e em franchising Adir Ribeiro, sócio-fundador da consultoria Praxis Business. A habilidade de gestão de pessoas é outra característica que o especialista destaca como essencial no ramo. “O franqueado tem que ser um bom gestor de negócio e com comportamento empreendedor. Ele recebe diretrizes e precisa que entregar a experiência para o cliente com muita excelência”, completa.

O especialista lembra ainda que, hoje, o processo de seleção do franqueado está ficando cada vez mais rigoroso e o nível dos candidatos têm melhorado. As marcas costumam mapear o perfil comportamental deles por meio de testes. Os potenciais franqueados enfrentam, por exemplo, a concorrência com quem já tem outras lojas da mesma rede. A dica para se destacar, segundo Ribeiro, é fazer um levantamento de informações e ter um profundo conhecimento sobre a marca, estudar o segmento e o mercado — crescimento, público-alvo etc. “As marcas mais conhecidas têm um volume muito grande de cadastros e há muita gente focada em comprar franquias”, lembra.

Ronan Rivadavia, 34 anos, abriu uma franquia da Cacau Show na Feira dos Importados há quatro meses, marca que tem 1.549 unidades no país. O suporte técnico e o acompanhamento oferecidos foram alguns dos fatores que mais influenciaram a decisão. Mesmo assim, não dispensou a pesquisa antes de investir. “Já havia um ano que eu estava analisando o mercado de franquias. Como a marca está há um bom tempo no mercado, é um nome forte, comecei a estudá-la. Fui a uma reunião em que me mostraram os números e consultei outros franqueados”, conta.

O superintendente do Sebrae-DF, Valdir Oliveira, explica que o perfil para ser franqueado é o de um gestor, um administrador do negócio (faça o teste). Mesmo assim, ele lembra que nada impede que o empreendedor use a franquia como uma forma de se preparar para a abrir a própria empresa. “Iniciar uma franquia não quer dizer que você vai ser um franqueado a vida toda. Esse tipo de negócio tem um limitador de ganho, porque você está se tornando um canal de distribuição daquele que é dono, mas é uma boa porta de experiência para entrar num negócio próprio”, afirma. Valdir Oliveira destaca que é possível abrir outras franquias ao longo do tempo ou, com a experiência, encontrar um produto adequado para determinado nicho de mercado e montar o próprio negócio.

Exigências
Apesar de ter várias facilidades com a abertura de uma franquia, o empresário precisa ter em mente que também deve cumprir uma série de obrigações, principalmente no início, quando as marcas costumam ser mais exigentes para garantir que o padrão de qualidade seja mantido e que o negócio prospere, já que o fechamento de uma franquia também compromete a imagem do franqueador. Claudia Bittencourt, diretora-geral do Grupo Bittencourt, que presta consultoria empresarial, lembra que o franqueado precisa ter em mente que está entrando num negócio estruturado, com regras predefinidas que ele precisa seguir. “O empreendedor impulsivo vai ter dificuldades”, destaca. Também é obrigação do franqueado pagar uma taxa inicial de franquia e, mensalmente, uma quantia para o fundo de marketing e outra de royalties, além de participar  dos eventos, convenções e programas de treinamento da marca.

Para avaliar o trabalho do franqueado, algumas franquias chegam a usar até mesmo o serviço de cliente oculto. José Worcman, sócio-diretor da On You, explica que esse serviço costuma variar de R$ 200 a R$ 450 por visita. “Quando a empresa expande, precisa começar uma operação para ter supervisores de loja e ter certeza de que os padrões estão sendo mantidos”, relata. Esses clientes são treinados de acordo com o perfil do estabelecimento e observam atendimento, apresentação pessoal dos funcionários, limpeza, organização, técnicas de vendas, entre outros quesitos. Worcman lembra, no entanto, que o cliente oculto não é um espião: “Isso tem de estar previsto em contrato. Muitos até dividem o custo entre franqueador e franqueado”.


Capacite-se
Brasília Expo Franquias 2014

Data: até hoje, das 10h às 18h
Local: Ala Oeste do Centro de Convenções Ulysses Guimarães
Informações: www.brasiliaexpofranquias.com.br
Entrada gratuita (O credenciamento pode ser feito no local)
A feira contará com a participação dos departamentos de expansão de vários franqueadores, que vão apresentar as marcas ao público. Também estarão presentes representantes do Sebrae-DF, da ABF e de consultorias da área.
 
1º Encontro de Franquias do Sebrae-DF
Data: de 19 a 21 de fevereiro
Local: Centro de Convenções Ulysses Guimarães
Informações: www.sebrae.com.br/uf/distrito-federal ou 0800-570-0800
Entrada gratuita
O visitantes terão acesso a todas as informações sobre franquias e poderão assistir a palestras, como a do técnico da Seleção Brasileira de Vôlei, Bernardinho, que falará sobre motivação e formação de equipes.

 

 

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