SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

>> PERFIS DE SUCESSO // SKY%U2019S BURGUER »

Persistência em família

Há 29 anos, empresários começaram vendendo três sanduíches por dia. Hoje, são 45 mil unidades por mês

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 17/02/2014 10:25 / atualizado em 17/02/2014 10:27

Mariana Niederauer

No primeiro dia de funcionamento do Sky’s Burguer, em 1985, Venancio Pérez López, 80 anos, e os filhos Carlos, 48, e Fernando, 45, venderam apenas três sanduíches. A família persistiu e confiou na qualidade dos produtos e do serviço. “O desespero não foi tão grande porque nunca em um dia nós vendíamos menos do que no anterior, as vendas sempre aumentavam”, conta Carlos. Hoje, quase 30 anos depois, a lanchonete, uma das mais tradicionais da cidade, produz cerca de 45 mil unidades por mês em três pontos comerciais.

Em 1956, Venancio, que é espanhol naturalizado brasileiro, chegou a Brasília e trabalhou durante nove anos da construção dos blocos comerciais da 106 Sul, quadra onde abriu o primeiro empreendimento, uma mercearia. O negócio funcionou até 1984, quando a concorrência com os supermercados que começaram a abrir nas entrequadras o forçou a fechar as portas. Como o empresário já fornecia carne para algumas lanchonetes, achou que seria uma boa ideia investir no ramo e chamou os dois filhos para participarem dessa nova empreitada. O Sky’s foi aberto no mesmo local.

No início, os próprios donos trabalhavam atrás do balcão, com a ajuda de cerca de cinco colaboradores apenas. Um ano depois de a lanchonete abrir, eles enfrentaram o Plano Cruzado, conjunto de medidas econômicas que incluía o congelamento de preços e a mudança da moeda do país. Com o racionamento de produtos, os três precisavam se revesar nas filas dos supermercados para adquirir carnes e outros ingredientes e servi-los no restaurante. “Faltava muita mercadoria. Enfrentávamos fila para comprar um quilo de filé de frango”, lembra Fernando.

Exemplo

Hoje, com o negócio consolidado, a família se dedica à gestão financeira e administrativa e conta com supervisores em cada uma das lojas — são 84 funcionários nos três estabelecimentos. Mesmo assim, um dos principais trunfos é a presença constante deles na lanchonete. “Já fizemos de tudo no negócio. Então, se um funcionário me diz que tem dificuldade em executar uma tarefa, eu consigo mostrar que é possível, porque eu já fiz”, relata Carlos.
Ao longo do tempo, algumas estratégias foram importantes para manter o negócio. O sistema de entrega funciona de maneira praticamente independente, como uma equipe só para cuidar da produção e da envio do pedido à casa do cliente, que normalmente chega em tempo recorde. Além disso, a unidade da 106 Sul fica aberta até as 5h em alguns dias da semana. Os empresários acreditam que outro segredo foi manter padrão de qualidade desde o primeiro dia e o contato constante com os clientes. Dois dos diferenciais da casa surgiram de sugestões dos fregueses, o açaí e o hambúrguer vegetal, para quem não come carne. “Tudo é muito caseiro, preparado de forma artesanal, e é o mesmo tempero do sanduíche de 29 anos atrás. Nós sempre procuramos mudar para melhor”, afirma o irmão mais velho.

Todos os funcionários recebem treinamento para trabalhar nas lojas. Alguns deles estão no Sky’s desde o dia da inauguração, fato muito mais raro atualmente. Os empresários relatam que, nos últimos três anos, tem ficado cada vez mais difícil manter os trabalhadores por mais tempo na empresa. “De 10 pessoas que nós treinamos, perdemos mais ou menos oito”, diz Carlos. O treinamento é o primeiro passo do que eles chamam de processo positivo Sky’s, que inclui ainda fornecedores conceituados no mercado e a qualidade e eficiência do atendimento e dos produtos e termina com a satisfação do cliente.
A entrada da lanchonete na internet também contribuiu. No início do ano passado começaram a investir ainda na presença em diferentes redes sociais, uma forma simples e barata de atingir grande parte do público-alvo. “É muito importante estar conectado às redes sociais, pois é onde o cliente está e onde ele espera que você esteja”, conclui Carlos.
Tags:

publicidade

publicidade