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As preferidas da classe C

Os maiores segmentos do setor de franquias refletem a preocupação da classe média com a qualidade de vida. Empresários que pretendem investir no ramo precisam estar atentos a esse público

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postado em 24/02/2014 09:45 / atualizado em 24/02/2014 11:20

Mariana Niederauer

Breno Fortes
O segmento de alimentação é o maior do setor de franquias no Distrito Federal. São 454 unidades, o que corresponde a quase 30% do número cadastrado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) na capital. No Brasil, também é o maior em número de redes, com 573 contra 435 do de esporte, saúde, beleza e lazer, que fica em segundo lugar. Estão ainda entre as principais franquias as de educação, acessórios pessoais e escolas de idioma (veja o quadro). O crescimento desses segmentos mostra, segundo especialistas, a preocupação da classe média com a qualidade de vida. Essa parcela da população representa grande parte dos consumidores do país. Por isso, o franqueado precisa estar atento às exigências dela na hora de escolher em que marca investir.

De acordo com pesquisa divulgada este mês pela Serasa Experian e pelo Data Popular, a classe C é composta por 108 milhões de pessoas, que gastaram mais de R$ 1,17 trilhão em 2013 e movimentaram 58% do crédito no Brasil. Se fosse um país, corresponderia à 18ª nação do mundo em consumo. Para Diego Simioni, sócio-fundador da consultoria especializada em franquias GoAkira, a preocupação com o bem-estar e com a alimentação representa uma tendência de longo prazo à qual os franqueados devem estar atentos. Grandes redes de alimentação já promoveram mudanças no cardápio, e aquelas que oferecem produtos mais saudáveis — sucos naturais, alimentos congelados nutritivos e outros elementos de uma refeição equilibrada — apresentam um diferencial competitivo.

Simioni acredita que manter o foco nas demandas do cliente e fazer pesquisa de mercado é o mais importante. O franqueado que buscar uma marca apenas por causa das oportunidades da Copa do Mundo, por exemplo, poderá cometer um erro por não considerar que essa é uma relação de longo prazo. “Eu não indico a ninguém que esteja procurando franquia correr atrás de uma que vai se sair bem durante a Copa. Se a pessoa já tiver esse plano anteriormente, pode ser um bom momento para investir e retomar o capital de forma mais rápida, porém, não se deve tomar a decisão baseado apenas nisso”, alerta.

Além do sabor
Handerson Batista, 32 anos, abriu uma lanchonete da rede Quiznos em 2012. Nesse tempo de operação, ele aprendeu que, assim como em qualquer outro negócio, na franquia da área de alimentação é necessário estar presente constantemente para evitar desperdício e prejuízo. Para isso, Handerson explica que quanto menos estoque tiver em loja, melhor, pois isso garante que os alimentos estejam sempre frescos. O abastecimento é semanal, com exceção dos vegetais, comprados mais vezes durante a semana. O passo a passo para o negócio dar certo, não é segredo: “Por ser uma marca que chegou ao Brasil há pouco tempo e no segmento de alimentação, para ter uma boa aceitação dos clientes, é importante garantir a segurança na alimentação, em primeiro lugar, oferecer bom atendimento e manter o padrão”.

O diretor de Expansão da rede Quiznos no Brasil, Henry Wall, destaca que um franqueado do segmento de alimentação precisa ter as mesmas características essenciais a qualquer empresário: comprometimento com a marca, dedicação e espírito empreendedor. Depois disso, vem o respeito às normas da Vigilância Sanitária — observar os prazos de validade e oferecer produtos frescos. O marketing local e a escolha do ponto também são importantes, e instalar-se numa região perto de outros restaurantes e lanchonetes pode ser um benefício. “Muitas vezes, isso é uma oportunidade. Estar do lado do concorrente demonstra que tem um público que vai consumir aquele produto. É mais fácil do que desenvolver a clientela sozinho.”

A retenção de trabalhadores tem sido um dos maiores desafios do segmento. Paulo Maksoud, franqueador da rede de restaurantes Zacks, observa que a construção civil tem atraído essa mão de obra. “O que tentamos fazer com a equipe de franqueados é criar alternativas, como remunerações variáveis por meio de um plano de cargos e salários, que estimule o profissional a ter um ciclo, crescer dentro do restaurante”, explica. O grau de exigência dos clientes e a necessidade de seguir um padrão de qualidade cada vez maior também são pontos destacados por ele. “O futuro não vai ser das operações antigas, de restaurantes sem preocupação com a segurança alimentar. Pequenos deslizes não são mais toleráveis”, conclui.

O futuro não vai ser das operações antigas, de restaurantes sem preocupação com a segurança alimentar. Pequenos deslizes não são mais toleráveis”
Paulo Maksoud, franqueador

 

 

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