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Perfis de sucesso: Barbearia do Onofre

Quatro décadas de tradição

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postado em 03/03/2014 09:57 / atualizado em 03/03/2014 09:59

Mariana Niederauer

Carlos Vieira/CB/D.A Press
Tesoura e pente estavam entre os principais itens da bagagem que Onofre Bezerra da Silva trouxe do Nordeste para Brasília. Ele se casou com Domelice de Oliveira Bezerra em 1969 e, no dia seguinte, embarcaram para a capital. Em 1971, Onofre abriu a barbearia em uma loja da Asa Norte, batizada com o nome dele — antes, funcionava em um barraco de madeira que não tinha alvará. Quarenta e três anos depois, o empreendimento se mantém, e com sucesso: já atende a quarta geração de clientes. “Algumas das crianças que sentavam na cadeirinha no início da loja, acompanhadas dos pais e avós, já trazem os netos”, conta Jorge Bezerra, 40 anos, único filho do casal, que toca o negócio atualmente.

A loja cresceu com a cidade. “A demanda aumentou com o tempo, pois a Asa Norte cresceu. Era um deserto, não tinha nada aqui atrás”, lembra. Os fregueses são moradores, profissionais a caminho do trabalho ou que estão próximos do escritório. Na lista de clientes ilustres que frequentaram ou frenquentam a barbearia, estão réus do processo do mensalão, embaixadores, ministros e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia (PT/RS).
Jorge foi praticamente criado na loja. Desde os 12 anos ajudava os pais em vários serviços. Varreu chão, cuidou do caixa e de serviços de banco. Para contribuir ainda mais com o negócio, fez o curso superior de administração e aprimorou as habilidades de gestão de pessoas, de atendimento, além de obter entender melhor o fluxo de caixa. “Eu tinha prática, mas não tinha conhecimento. A graduação me ajudou bastante.”

Mudanças

Onofre morreu em 2008, aos 61 anos, e o filho assumiu a empresa com a ajuda da mãe e de um tio, mas ambos morreram dois anos mais tarde. Mesmo com a experiência acumulada desde criança, Jorge enfrentou dificuldades para manter o negócio sozinho. Hoje, ele é a cara da nova fase da barbearia, ligada às demandas do mercado e em constante atualização, mas sem perder a tradição e a essência da comércio. Em 2011, abriu uma nova unidade em Águas Claras. As cadeiras são as mesmas da década de 1970, que foram restauradas especialmente para o espaço. Os clientes são recebidos com café expresso, e as toalhas usadas para fazer a barba são aquecidas e aromatizadas. Toda a loja tem estilo retrô, e a unidade da Asa Norte, que hoje ocupa três pontos na comercial, está em reforma para seguir o mesmo padrão.

Além disso, a barbearia conta com uma página no Facebook, em que divulga promoções, e patrocina um grupo de teatro da cidade para ajudar a atrair clientes. Jorge também mantém 22 assinaturas de revistas nas duas unidades — de gibis a títulos sobre carros — e oferece internet sem fio.
Em algumas características do negócio, porém, não é possível mexer. O empresário já tentou, por exemplo, oferecer o serviço de manicure na barbearia, mas a aceitação não foi total e mesmo os fregueses que aprovaram a mudança não eram suficientes para manter a profissional contratada todas os dias na loja. O preço também é mantido num limite acessível — corte de cabelo e barba custam R$ 23.

Tudo isso para não perder o foco principal: o cliente. “Ele é o nosso patrão”, afirma Jorge. Por isso, o empresário não abre mão de uma equipe competente e unida. “Não dá para trabalhar sozinho”, diz. Os funcionários sempre são contratados por meio de indicações dos veteranos. São 23, seis deles trabalham em Águas Claras e o restante na matriz. O comprometimento com o trabalho e a boa aparência estão entre as principais exigências.
Para gerenciar tudo, o herdeiro nunca tira mais do que 15 dias de férias, mas está preparando os três filhos para ajudá-lo a manter o negócio familiar. “Já estou colocando eles a par da rotina”, conta. E a memória do pai permanece, não só no legado que deixou, mas também com os amigos que frequentemente visitam as lojas e lembram o pioneiro.
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