SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

TUDO SOBRE FRANCHISING »

Elas dominam

Mulheres correspondem a quase metade dos franqueados do país e têm faturamento maior em comparação a unidades geridas por homens

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 10/03/2014 10:47 / atualizado em 10/03/2014 11:09

Mariana Niederauer

Daniel Ferreira
As mulheres já são maioria entre os empreendedores iniciais do país, de acordo com o estudo Global Enterpreneurship Monitor 2013, e estão chegando perto da participação masculina também nas franquias. A pesquisa anual do perfil do franqueado brasileiro, divulgada no último mês pela consultoria Rizzo Franchise, mostra que são 65 mil no comando de franquias no Brasil, o que corresponde a 48% do total de franqueados. Na última da série de reportagens sobre franchising, o Correio aborda a participação das mulheres no setor.
“Não acredito que o equilíbrio ou mesmo a falta de mulheres possa fazer diferença (no franchising). Mas o fato é que as mulheres operando franquias fazem a diferença em faturamento e em rentabilidade”, afirma o autor do estudo Marcus Rizzo. Os dados mostraram ainda que o faturamento em franquias com mulheres no comando é 34% maior do que naquelas geridas por homens (veja o quadro).
Para o especialista, isso é resultado de três fatores: a presença constante no negócio, o melhor relacionamento com os colaboradores e a disposição para aprender. “As mulheres têm mais estabilidade com a equipe de funcionários, gerando menor rotatividade de pessoal, e também estão presentes no dia a dia do negócio. Os homens se ausentam e costumam delegar mais tarefas”, afirma.

Rizzo também observa algumas características positivas das mulheres que estão à frente de franquias, como foco, automotivação, potencial de decisão e disponibilidade para ouvir as pessoas. Entre as principais dicas para quem pretende investir em uma franquia, o especialista destaca o envolvimento com a marca.
Essa identificação não foi problema para a empresária Renata Cardim, 27 anos. Ela escolheu uma franquia da marca de cosméticos Avatim, porque já conhecia e usava os produtos comercializados. “Isso ajudou a fazer uma propaganda natural”, relata. Esse é, inclusive, o segmento em que as mulheres estão mais presentes, de acordo com o levantamento da Rizzo Franchise. Para ela, os desafios de ser empreendedora são grandes, mas não chega a sentir preconceito no dia a dia, apenas tenta manter uma boa relação com os outros lojistas do shopping onde tem a loja instalada, a maioria homens.

Preparação

A qualificação é um dos pontos destacados por Renata como essenciais. “Sou formada em química, o que facilita para que eu tenha uma boa argumentação na hora de vender o produto. Posso ter uma abordagem com o cliente um pouco mais profunda, que envolve o marketing olfativo, ou seja, memórias e lembranças da pessoa”, explica. A capacitação também se estende à equipe de funcionários, que recebe treinamentos periódicos. Nessa parte, ela acredita que algumas características femininas ajudam. “Eu acho que o pensamento feminino é mais organizado e a maior sensibilidade torna a relação com a equipe mais pessoal. Acredito que isso impacta nos resultados”, afirma.

O setor se mostra promissor. O potencial de consumo de itens de beleza pelos brasileiros será superior a 43,4 bilhões em 2014, segundo dados do Pyxis Consumo, do Ibope Inteligência. Entre as principais tendências, Peter Schimidt, gerente de expansão do Laboratório Sklean, empresa detentora da marca de cosméticos Mahogany, destaca as linhas de produtos anti-idade e também as linhas masculinas, para pele, cabelo e cuidados com a aparência em geral. A maioria dos franqueados da marca é mulher. “Uma franquia de sucesso no setor de cosméticos deve apresentar diversidade de produtos, lançamentos constantes, produtos inovadores e atendimento diferenciado”, sugere.
Segundo o estudo da Rizzo Franchise, a presença de mulheres tem aumentado em segmentos normalmente dominados por homens, como o de negócios e serviços, e em postos de gasolina e oficinas mecânicas. A empresária Cristina Boner, presidente da Associação de Mulheres Empreendedoras (AME), afirma que a participação delas também é pequena no setor em que atua, o de tecnologia. Ela defende ser importante que a mão de obra feminina passe a ter mais representação, principalmente na parte de vendas, em que costuma se sair muito bem. “A mulher é muito focada, concentrada e dedicada aos detalhes, e essa é uma área em que não se pode errar, porque é responsável pelo funcionamento de uma estrutura inteira”, detalha.

Para incentivar a entrada feminina no setor de tecnologia, a empresária pretende lançar uma franquia de venda de softwares no próximo mês. “Precisamos colocar nas mãos das mulheres as ferramentas de trabalho e dizer qual sequência devem seguir para atingir um objetivo. Por isso, acreditamos que o modelo de franquia é o ideal”, explica.
Neander Souza, especialista em franchising e diretor executivo da consultoria Invest Franchise, acredita que a participação da mulher no setor tem relação com o crescimento da economia em anos anteriores. Ele percebe o aumento da participação delas nas franquias de moda, estética e, principalmente, alimentação. “Elas são mais criteriosas e detalhistas, por isso se saem tudo bem nessa área”, afirma. De acordo com o especialista, nas feiras de franquias, quando casais vão em busca de uma marca para investir, na maioria das vezes, é a mulher que tem a palavra final. “É muito mais difícil vender franquia para mulher do que para homem. Elas prestam atenção, principalmente, ao suporte que será oferecido.”

Panorama

No empreendedorismo em geral as mulheres também se destacam em negócios ligados à saúde e à beleza. De acordo com estudo divulgado pelo Sebrae no último mês, elas se concentram principalmente nos setores de comércio (38%) e serviços (33%). Apenas 20% estão na indústria e envolvidas no ramo de vestuário, na maioria das vezes. Os empreendedores homens se dividem de maneira equilibrada. As atividades mais procuradas pelas mulheres ao abrir uma empresa são as de cabelereiro e manicure, seguidas por bares e lanchonetes. No comércio, elas estão presentes nas vendas ambulantes, de acessórios de vestuário, alimentos e bebidas.

O superintendente do Sebrae no DF, Valdir Oliveira, acredita que o aumento da presença da mulher no empreendedorismo é reflexo do crescimento natural da participação delas no mercado de trabalho e lembra que 40% sustentam as famílias com a renda dos negócios. “Houve um crescimento forte no número de empreendedoras individuais, como donas de salões de beleza e vendedoras ambulantes de produtos femininos. As mulheres estão assumindo aquilo que sempre fizeram na informalidade”, diz. No entanto, ele alerta para a importância de se capacitar e de se planejar antes de transformar uma atividade informal em negócio. Entre as sugestões, estão procurar cursos, separar o dinheiro da família e o da empresa, definir um local para o trabalho — caso atue em casa — e preocupar-se em fidelizar o cliente, por menor que seja o empreendimento.

Reconhecimento
Todos os anos, o Sebrae reconhece o trabalho de empreendedoras do país com o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, que completa 10 anos em 2014. As vencedoras da última edição foram conhecidas em 25 de fevereiro, em cerimônia na sede do Sebrae Nacional, em Brasília. Foram 9 premiadas na etapa nacional, em um total de quase 7 mil inscritas de todas as unidades da Federação. As inscrições para o próximo prêmio começaram ontem e vão até 31 de julho. Informações pelo site www.mulherdenegocios.sebrae.com.br.

Capacite-se
A Associação de Mulheres Empreendedoras (AME) promoverá quatro cursos on-line no primeiro semestre de 2014: Inclusão Digital: Windows 7 e Office 2010, Academia Virtual da Microsoft, Artesanal de Plantas Aromáticas e Empreendedorismo. Serão oferecidas 100 mil vagas gratuitas. Os interessados devem entrar em contato pelo e-mail ame@amedf.org.br ou pelos  telefones (61) 3426-3444 e (11)
3304-3190. O Sebrae também oferece cursos gratuitos para empreendedores. Informações pelo telefone 0800-570-0800 ou pelo site www.sebrae.com.br.

 

 

Tags:

publicidade

publicidade