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Os campeões da distração

Uso das redes sociais durante o expediente e conversas de corredor são os principais motivos da perda de foco no trabalho

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postado em 17/03/2014 10:27 / atualizado em 19/03/2014 12:04

Gustavo Moreno
Quem nunca foi conferir se tinha alguma notificação nas redes sociais e, sem perceber, perdeu mais de uma hora ou teve um simples encontro com o colega de trabalho na sala do café que rendeu assunto para a tarde toda? De acordo com pesquisa da empresa de recrutamento especializado Robert Half, publicada no último mês, navegar na internet e socializar com colegas são os principais ladrões de tempo dos funcionários durante o expediente. Entre os 2,1 mil executivos norte-americanos entrevistados, 30% afirmaram que o uso da internet para fins pessoais, incluindo redes sociais, é a maior razão para a distração dos colaboradores, e 27% responderam ser as famosas conversas de corredor.
“São várias as maneiras de um funcionário perder o foco e, ao não ter um ritmo de produção, o desempenho ruim é notado no fim do dia”, diz a gerente da divisão de engenharia da Robert Half, Isis Borge. Ela sugere que as organizações não optem pelo bloqueio dos sites, mas conversem e tentem conscientizar os trabalhadores sobre as metas e resultados esperados deles. “Grande parte dos funcionários tem acesso à internet por smartphones, então é inevitável. O bloqueio nos computadores acaba sendo mal-visto pelos colaboradores e esse clima de proibição gera resultado piores. Um jogo aberto com uma conversa franca é mais bem aceito”, opina.

Já quando o problema está em longos intervalos para tomar um café, Isis afirma que o ideal é realizar ações de integração para que a conversa ocorra em momentos específicos e diminua no resto do expediente. “Existem algumas empresas que promovem um café da manhã num dia da semana, o que tira apenas meia hora de trabalho. Outras fazem reuniões das equipes em locais descontraídos fora do ambiente de trabalho”, exemplifica. A diminuição da altura das baias para que todos consigam se ver e interagir de uma forma mais positiva também é uma opção apontada pela especialista.
No laboratório Sabin, o acesso a sites é liberado. “Temos uma forte política de educação no trabalho. Fazemos reuniões para instruir os gestores quanto ao excesso de uso da internet”, explica a gerente de recursos humanos da empresa, Juliana Alcântara. “Propomos alguns momentos de descontração em horas de menor fluxo de trabalho e temos uma sala destinada ao uso de smartphones e notebooks”, completa.
Para o autor do livro Geração Y (Ed. Integrare; 152 páginas; R$ 29,90), Sidnei Oliveira, a palavra que deve ser seguida à risca é bom senso, mas, em alguns casos, a restrição pode ser uma saída. “É preciso que as empresas tenham um código de conduta claro a que todos tenham acesso. Existem algumas atividades, como atendimento ao público e outras bastante operacionais, que não podem mesmo ter distrações”, pondera.

Limitações
No ambiente de trabalho do gerente de pré-vendas de uma empresa de tecnologia da informação Rodrigo Monção, 25 anos, o acesso à internet era livre. Há seis meses, no entanto, redes sociais e canais de vídeo foram limitados. “Além de puxar muita banda da internet e atrapalhar o acesso aos sites necessários para o serviço, algumas pessoas exageravam mesmo. De 10 em 10 minutos, eu olho meu e-mail, mas é sempre para me atualizar sobre assuntos profissionais”, diz. Como muitos funcionários têm acesso por smartphones, a rede de internet sem fio também foi reduzida.
O gerente de pós-vendas da firma, Pedro Rocha, diz que a mudança trouxe maior foco para o trabalho e melhorou os resultados. “Alguns colaboradores estavam usando os sites em excesso e isso ficava muito evidente para todos dentro da empresa”, relata. Outra mudança que a empresa pretende implementar em breve é a junção de todos os funcionários em uma única sala de escritório. “As conversas paralelas ocorrem, mas todos são muito atarefados, e a comunicação deve melhorar se estiverem juntos”, afirma Monção.

Para o professor de mídias sociais do Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Roberto Lemos, o ideal é que cada organização tenha uma rede social interna, para que a comunicação flua de forma mais rápida. O especialista afirma ainda que até mesmo as redes abertas podem ser usadas a favor da empresa. “Essa ferramenta pode ser usada para lidar de maneira mais rápida e pessoal com um cliente que precisa de uma resposta. O contato pode ser feito pelo perfil pessoal de um funcionário, caso seja necessário. Se a empresa tiver uma política clara do uso das redes sociais, todos saem ganhando.”



Para saber mais

Várias maneiras de perder a atenção

As redes sociais não são o primeiro elemento tecnológico a desviar o foco da atenção dos trabalhadores. O especialista Sidnei Oliveira lembra que, quando o computador foi disseminado nas empresas, houve casos de perda de produtividade porque funcionários gastavam tempo com o jogo de cartas conhecido como Paciência. O mesmo ocorreu com o surgimento da internet. “Todos ficavam navegando e descobrindo as novidades que ela podia oferecer”, afirma.
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