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Ainda dá tempo de se capacitar e correr atrás de um emprego permanente ou temporário em Brasília para trabalhar durante a Copa

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postado em 07/04/2014 09:59 / atualizado em 07/04/2014 10:17

“Resolvi mudar de vida e também vi a Copa como uma oportunidade. Aprendi inglês instrumental, mas usei pouco ainda. Acho que o mundial vai ser o momento de praticar com os hóspedes de fora”
Verônica Soares,camareira


Breno Fortes
A pouco mais de dois meses do início da Copa do Mundo, os brasilienses têm as últimas chances de se preparar para conseguir um emprego durante o evento. De acordo com o Ministério do Turismo, Brasília receberá cerca de 600 mil turistas, sendo 400 mil de outros estados e 200 mil estrangeiros. Todo esse contingente extra de visitantes ajudará a movimentar a economia da capital. Segundo estudos da Secretaria de Trabalho do Distrito Federal (Setrab), o crescimento será maior nos setores de comércio, de serviços e na indústria de transformação, seguidos pela construção civil e reparação de veículos automotores e motocicletas. A expectativa da Setrab é de que os índices de desemprego sejam os mais baixos já registrados no período no mundial.

Desde 2011, o programa do Governo do Distrito Federal Qualificopa promove cursos para preparar mão de obra com o objetivo de atuar no evento. As formações são nas áreas de vendas e de telemarketing e também para garçom e operador de caixa. Mais de 8,3 mil pessoas já foram capacitadas, e a meta do governo é atender outras 6 mil até o mundial. O secretário do Trabalho do DF, Bispo Renato Andrade, afirma que a capacitação não servirá apenas para a Copa do Mundo, mas também para todos os grandes eventos que Brasília tem capacidade de atrair. “Durante a época da Copa, a expectativa é de que tenhamos o menor índice de desemprego da história do DF e, o que é ainda melhor, mão de obra que saiba atender bem os turistas do exterior, de outras partes do Brasil e os moradores locais também”, completa. No programa, os profissionais são treinados principalmente para trabalhar na rede hoteleira, em bares, restaurantes e farmácias, e têm aulas de inglês, espanhol e libras, em cursos que duram, em média, 350 horas.

Rede hoteleira
Na rede hoteleira, a capital teve aumento de 30% da capacidade de atendimento a hóspedes, com oito novos hotéis construídos, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal (ABIH-DF). Até o momento, sete estão prontos e, segundo o presidente da associação, Helder Carneiro, serão 2,5 mil novos quartos até a Copa. Ele diz que a maior carência de mão de obra qualificada é na área de alimentos e bebidas. “As contratações para essa nova demanda serão de mil a 1,2 mil novos postos de emprego. Não tivemos problemas com profissionais como camareiras e recepcionistas, mas é muito difícil encontrar cozinheiros e garçons qualificados, por exemplo.” Carneiro diz que é preciso pensar no futuro e teme pelo aumento do mercado motivado pelos 30 dias de Copa do Mundo. “Em dias normais, o movimento nos hotéis da cidade é somente na segunda, na terça e na quarta. Se o governo não começar a incentivar o turismo, investir em publicidade fora do estado e na captação de grandes eventos, serão mais 2,5 mil quartos sem clientes”, alerta.

Verônica Soares, 26 anos, era empregada doméstica quando recebeu indicação de uma amiga sobre um curso profissionalizante para camareira. Na formação, ela aprendeu a parte teórica e prática da nova profissão e, hoje, está empregada em um hotel de Brasília. “Resolvi mudar de vida e também vi a Copa como uma oportunidade. Aprendi inglês instrumental, mas usei pouco ainda. Acho que o mundial vai ser o momento de praticar com os hóspedes de fora”, afirma.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no DF (Abrasel-DF) se prepara desde 2010 para atender a demanda da Copa. A entidade oferece, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no DF (Sebrae-DF), cursos para formação de garçom, bartender e gerente. “O segmento tem carência de 20% de mão de obra qualificada (4 mil profissionais), mas, em três anos, já formamos cerca de 1,2 mil. Até o início do evento, serão mais 320”, diz o presidente da Abrasel-DF, Jaime Recena.

Além desses cursos profissionalizantes, a associação conta com o programa Learning for Life, em parceria com a fabricante de bebidas alcóolicas Diageo, que oferece cursos para jovens desempregados de 18 a 35 anos. “São 180 horas divididas em 45 dias e é totalmente gratuito. Ao fim do curso de bartender, por exemplo, a média de contratação é de 70%”, diz Recena. Atuar no ramo exige cuidado com a higiene pessoal e habilidade para lidar com o público.

Para todos os gostos

As oportunidades estão aí não apenas para quem estará trabalhando diretamente com os jogos ou no setor hoteleiro e de alimentação: o ramo de beleza também espera se beneficiar com o evento. O cabelereiro Claudin Mercier, 27 anos, veio do Haiti para Brasília com o objetivo de conseguir uma oportunidade de emprego durante a Copa do Mundo. “Eu já tinha alguns amigos que moravam aqui e me disseram que tinha trabalho. Vim e não demorou muito para conseguir um emprego”, diz. O haitiano foi selecionado pelo salão de beleza Universo Masculino, e sua habilidade em idiomas contribuiu para conseguir a vaga — ele fala inglês, francês, espanhol e, agora, português.

Naiara Borges, dona do salão, diz que será preciso ter profissionais especializados na área e com facilidade de se comunicar com os diversos públicos que vão atender. “Desde que abri o salão, sempre tive um funcionário bilíngue, pelo fato de ter muitos clientes de embaixadas, mas, com a Copa, essa demanda aumentou e tive que contratar mais trabalhadores com esse perfil”, conta.

A previsão do Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista) é de que serão criados ao menos 1,5 mil empregos temporários por causa dos sete jogos que ocorrerão em Brasília. O setor reúne 30 mil lojas de rua e de shoppings, e os segmentos com maior número de vagas serão o de confecção — que vende material esportivo, como chuteiras, tênis, camisas das seleções e bolas — e o de souvenirs. O presidente do Sindivarejista, Edson de Castro, diz que o comércio nas imediações do estádio Mané Garrincha será bem movimentado nos dias de jogos, principalmente em 23 de junho, quando o Brasil enfrentará Camarões. Para ele, os shoppings que ficam na área central da cidade, próximos à arena, serão beneficiados com o fluxo de torcedores. “Será uma excelente janela turística, vista por inúmeros países e por milhões de pessoas.”

Ao todo, a Fifa abriu 15 mil vagas nas 12 capitais que serão sedes da competição para trabalhar nas áreas de alimentos e bebidas e de hospitalidade nos estádios. Para Brasília, a campanha Quero vestir a camisa oferece 400 vagas nas áreas de alimentos e bebidas e mil na de hospitalidade. As inscrições vão até 11 de abril, e o processo de seleção seguirá até o fim do mês (veja o quadro). Segundo Juliana Nascimento, diretora de negócios da CSM Brasil, empresa responsável por oferecer treinamento específico para o desempenho de cada função, com ênfase no atendimento ao cliente, manuseio e transporte de alimentos e operação dos bares. “O processo seletivo já está acontecendo para quem se inscreveu, mas ainda dá tempo de participar. Estamos buscando pessoas carismáticas e proativas. Quem se candidatar para a área de hospitalidade também deve ter inglês fluente, pois vai orientar torcedores de toda parte do mundo”, completa.

“É uma oportunidade única para tratar com diversos tipos de público. Hoje, estamos na era do potencial humano, e toda empresa depende muito dos funcionários. Queremos pessoas engajadas, que saibam tomar decisões imediatas, onde buscar o conhecimento e, no caso dos líderes, que tenham capacidade de direcionar bem o time”, diz Dorival Kulicheski, gerente da unidade de Trade Marketing da empresa de recrutamento, gestão e contratação ManpowerGroup Brasil, que vai recrutar 2 mil pessoas que queiram trabalhar nos estádios em caráter temporário. Para Brasília, são 180 vagas.

Demanda antiga

O presidente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) Júlio Miragaya diz que a demanda por reformas e empregos já existia, e que a Copa foi apenas o estopim para que os investimentos fossem feitos. Ele cita o exemplo do Expresso DF Sul — eixo que liga Santa Maria e Gama ao Plano Piloto e que já funciona em fase de testes. “Outra obra de grande importância para o turismo e até mesmo para atender o público local é a expansão do Aeroporto Internacional de Brasília, que era necessária há bastante tempo”, explica. Em relação aos riscos que a economia local pode sofrer, Miragaya aponta o possível mau desempenho da seleção brasileira. “Se o Brasil for eliminado na primeira fase, ou nas oitavas de final, além da diminuição de pessoas nos estádios, as reuniões para assistir aos jogos e a movimentação em bares, por exemplo, não terão mais sentido. Esse pode ser um fator de desaquecimento no comércio”, afirma.

Durante a época da Copa, a expectativa é de que tenhamos o menor índice de desemprego da história do DF”
Bispo Renato Andrade, secretário de Trabalho do DF

 

 

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