SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Vestindo a camisa

Na última reportagem da série que aborda o amor pelo esporte na indústria do Mundial, um time que não precisa comprar uniforme. Na fábrica, eles já confeccionam as roupas do Candangão e com motivos da Seleção Brasileira durante o ano inteiro

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 07/04/2014 11:46 / atualizado em 07/04/2014 11:58

Marcelo Ferreira

 

Goiânia e Brasília—Se o Brasileirão, a Copa do Brasil e a Libertadores consagraramas superquartas do futebol brasileiro, entre os funcionários de uma fábrica de bolas e camisas no setor industrial de Goiânia, o dia sagrado é a “superquinta”. Encerrado o expediente, às 20h, os atletas do Kiosfera—nomede batismo do time—se reúnem para treinar em uma quadra próximo ao local de trabalho.Um ritual que se repete há quatro anos e só foi interrompido— ironia fina—pelas horas extras de trabalho trazidas pela Copa do Mundo no Brasil.Na empresa que confecciona todas as camisas dos timesdo Candangão e do Brasília Vôlei, a demanda aumentou em mais de 200% no ano do Mundial.

Como a empresa é especialista em material esportivo, claro que o uniformedo grupo não poderia ficar a cargo de terceiros. Do goleiro a atacante do time, cada um tem uma função na hora de produzir o traje da equipe. Tudo—do tecido à linha de costura—é definido por eles. “Cada um faz a sua parte, como no dia a dia de trabalho”, conta Weverton de Oliveira, 24 anos.

Embora interfira nos horários de treino da equipe, a chegada do Mundial no país é comemorada pelos jogadores da fábrica.O principal motivo: o salário maior no fim do mês. “É mais complicado treinar porque o volume (de trabalho) está alto.Mas com as horas extras, o salário já chegou a aumentar 30% do normal”, avalia Valdemir Lopes, 26 anos, hoje gerente de corte. Em 2000, ele começou a trabalhar na empresa como estagiário da área de acabamento, logo depois de abandonar a categoria de base do Goiás, por problemas no joelho. Depois de seis meses, virou encarregado de produção da mesma área e,em quatro anos, avançou para modelista antes de se tornar gerente.

Nos gramados,Valdemir também mudou de posição. Acostumado a atuar na lateral ou no meio decampo, o jogador se viu obrigado a ir para um dos lugares menos disputados do futebol. “Fui forçado a ficar no gol. Aqui não tem ninguém que jogue.Mas eu tenho facilidade para mudar de função, não tem problema”, gaba-se.

Com as mãos

Manobrando uma das máquinas que “colam” brasões nas camisas, Tatiane Alves, 24 anos, já sonhou em ser profissional no handebol. A paixão, que começou aos 15 anos ainda no colégio, teve de ser interrompida, segundo a goiana, por “falta de tempo e oportunidade”. Contratada há seis meses para reforçar a produção da linha Brasil, Tatiane lembra a conquista inédita de um mundial pela seleção feminina da modalidade: “Achei o máximo a vitória delas. Imaginei que eu estava lá, com elas”.

 

 

Deolho na grana dos turistas

Nas contas do governo federal, aproximadamente R$ 9 milhões deverão ser gastos por turistas, estrangeiros e brasileiros, durante a Copa do Mundo no Brasil. Entre os itens de destino do dinheiro — como hospedagem e comida, por exemplo —, figura o setor de vestuário com foco em produtos com temática brasileira. Além dos torcedores locais, pesquisa do Sebrae aponta que as camisas serão preferência de turistas de for a do país como presente para levar para casa. De acordo com a Associação Brasileira do Esporte, o faturamento do setor pode ultrapassar os R$ 80 bilhões até as Olimpíadas do Rio.

Apostando nesse setor, fábricas de confecção têm impulsionado a produção. No ano passado, a capacidade máxima da fábricaemGoiânia era de 60 mil peças por mês. Em 2014, o número subiu para 200 mil/mês. Para atender aos novos pedidos com temas do Brasil, foi preciso elevar em 30% o número de funcionários. Segundo a área comercial da empresa, com o lançamento de produtos especiais para a Copa, a expectativa de venda para o primeiro semestre deste ano é de 50% a mais do que o faturamento normal.

 

 

 

 

Fui forçado a ficar no gol.Mas eu tenho facilidade paramudarde função, não tem problema”
Valdemir Lopes, que passou por cinco cargos na fábrica e trocou o meio de campo pelo gol no time da empresa

Tags:

publicidade

publicidade