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Correio Braziliense

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Um gás na vida dos colegas

Operador em fábrica do refrigerante oficial do Mundial cria grupo de corrida na empresa e ajuda os demais funcionários a perderem peso e a cuidarem mais da saúde. Equipe ganhou profissionalização e disputa provas fora da cidade

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postado em 07/04/2014 17:39 / atualizado em 07/04/2014 18:45

Amanda Martimon , Felipe Seffrin , Rodrigo Antonelli

Um levantamento divulgado após a Copa do Mundo da África do Sul,em 2010,apontou que o consumo de refrigerantes mais do que dobrou no país sede durante os 30 dias de competição.Foram comercializados mais de 1 bilhão de litros naquele fim de junho e início de julho. No Brasil, um estudo do ano passado mostra que a bebida gaseificada aparece, ao lado de cerveja, pipoca e salgadinho, como preferência nacional para acompanhar a programação esportiva no Mundial deste ano.

Rodrigo antonielli/CB/D.A Press

É nesse cenário que o trabalho de Elias Sousa do Nascimento, 31 anos, ganha mais importância e o aproxima da Copa do Mundo.“Já imaginou se falta refri no estádio?Não pode”, brinca o operador da máquina que enche as garrafas com o refrigerante oficial do torneio em uma fábrica de Brasília. Morador do Riacho Fundo, ele não vai conseguir acompanhar o Mundial de perto — já adianta que os ingressos estão muito caros —, mas não tem dúvidas de que é parte da festa.“Não existe futebol sem uma cervejinha ou refrigerante para acompanhar,dentro ou fora do estádio. Nosso trabalho é importante para deixar a Copa completa”, diz, cheio de orgulho.Bom humor àparte,Elias também é conhecido na fábrica por sua disposição como esportista.Amante das corridas de rua desde 2004, quando foi apresentado à modalidade pelo irmão, ele não demorou a levar seus hábitos para dentro do ambiente de trabalho e ajudou a formar um grupo de corredores entre os colegas.“Sempre me encontrava com o Erick (Novaes), outro funcionário,nas provas da cidade.Umdia,surgiu a ideia de criarmos um grupo só com o pessoal da fábrica”, lembra.“Muita gente se interessou e ele foi crescendo.”Lá se vão oito anos, a equipe de corrida ganhou nuances profissionais e conta agora com 50 atletas patrocinados pela própria empresa. Eles recebem auxílio para competir no Distrito Federal e em algumas das principais corridas de outros estados.“No ano passado,corri em 20 provas. Algumas fora da cidade”, comemora Elias, que já completou avolta da Pampulha, em Belo Horizonte, e a São Silvestre, em São Paulo.“Se não fosse a corrida,talvez nunca tivesse conhecido outros lugares.”Aos 31 anos, Elias ainda é um dos destaques da equipe.

Ao longo da“carreira”, acumula 180 medalhas em provas de rua pelo país e não pretende parar tão cedo. O objetivo é alcançar 1 mil medalhas.“O bom da corrida é que não tem prazo de validade. Quero correr até ficar bem velhinho,com 80, 90 anos”, projeta.

Inspiração
O grupo de corrida que teve Elias como um dos pioneiros serviu como porta de entrada no esporte para muitos funcionários. É o caso do analista de qualidade Glayton Roriz, 28 anos, que perdeu 35 quilos depois que conheceu a modalidade e agora se considera um viciado.“Pesava 120 quilos e comecei a praticar por causa da minha saúde. Perdi o peso que queria e, agora, não consigo largar mais. Corro quase todos os fins de semana.”Rebeca Mameri, 27 anos,entrou para a equipe da fábrica depois da gravidez e não tem dúvidas quanto aos benefícios do esporte.“Sinto que estou muito mais disposta para tudo.” O treino fez evaporar os 25 quilos que ela ganhou no período de gestação e agora tem um prazer amais.
“Consigo levar minha filha para as corridas.Vou empurrando o carrinho, ela se diverte.”

Setor aposta em Copa para voltar a crescer

No início da semana, mais uma pesquisa apontou uma queda na venda de bebidas no Brasil.Enquanto a procura por sucos em garrafas ou caixinhas subiu mais de 10% no primeiro trimestre do ano, refrigerantes e cervejas venderam 4% a menos do que no mesmo período de 2013. Em âmbito mundial, os dados para o setor de refrigerantes são ainda piores: desde 2005, a indústria sofre com uma queda no consumo nos principais mercados —Estados Unidos e Europa.
Assim, empresários do setor apostam na Copa do Mundo para voltar a crescer. A maior empresa do ramo, apesar de não divulgar abertamente, estima triplicar as vendas,segundo analistas de consumo. Para atrair a atenção do público e incrementar as vendas,diversas estratégias de marketing foram adotadas, como promoções e latas personalizadas. A expectativa é de que as vendas superem os períodos de alta, entre dezembro e março, quando o calor forte e os períodos de férias escolares fazem o setor explodir.
A baixa motivou um congresso da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras),no fim do ano passado, para discutir“o futuro da indústria brasileira de bebidas”. Para o presidente do grupo, Fernando Rodrigues de Barros, é necessário que empresas regionais voltem a ocupar parte importante da produção para que o setor retome o sucesso.
“Poucas empresas têm mais de 90% do mercado.Faria bem se pequenas e médias empresas também dividissem o lucro”,avalia.

Um dia, surgiu a ideia de criarmos um grupo só com o pessoal da fábrica. Muita gente se interessou e ele foi crescendo”Elias do Nascimento operador de máquina em uma fábrica de refrigerantes

60 Litros de refrigerante por ano é o que um brasileiro bebe em média.

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