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Seu trabalho, seu dispositivo

Levar o próprio notebook ou tablet para o ambiente corporativo é tendência entre os empregados de todo o mundo. Entre os benefícios, estão a maior produtividade e o conforto de ter tudo de um jeito personalizado

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postado em 08/04/2014 15:06

O mercado da tecnologia pessoal criou necessidades que antes o usuário não imaginava ter. É só observar a ascensão dos tablets e dos fablets, impulsionados, principalmente, pelo iPad e pelo Galaxy Note, respectivamente. Com o aumento da demanda e da produção, o crescimento de usuários foi inevitável. Consequentemente mais serviços, aplicativos e melhorias de sistema foram implementados, passando a digitalizar tarefas antes comuns na vida real. E, claro, essa gama de atividades disponibilizada por esses aparelhos atingiu o ambiente de trabalho.

E, então, surgiram dois termos no setor da Tecnologia da Informação: Bring Your Own Device (Byod) — leve seu próprio aparelho, em inglês — e consumerização. Eles têm o mesmo significado e representam a política de algumas empresas de permitir que os funcionários levem aparelhos pessoais (ou os disponibilize) para aumentar a produtividade.

Mundialmente, segundo a companhia de tecnologia Cisco, a visão de líderes de TI de empresas de médio e grande porte é otimista. Para 89% deles, a tendência é favorável às marcas — desses, 69% acreditam que a consumerização terá efeito positivo nos negócios. No Brasil, a visão também é boa, mas a adoção da política ainda está engatinhando no mercado corporativo. Segundo estudo da Navita, especializada em mobilidade corporativa, apenas 9% dos líderes de TI entrevistados implementaram o Byod onde trabalham.

Fora do país, a prática já gera frutos. O CEO da Logitech, Bracken Darrell, em entrevista ao Wall Street Journal disse que uso de dispositivos móveis no trabalho aumentou o rendimento dos funcionários e ajudou, inclusive, a visão de mercado, já que a maioria deles passou a levar iPads para o escritório e a desenvolver acessórios para o tablet.

Estudo da IDC estima que a tendência é de o Byod aumentar no mesmo ritmo do crescimento de dispositivos no mercado. A preocupação das empresas, entretanto, é criar estratégias para acompanhar esse fenômeno. Nesta edição do Informática ,você vai conhecer os aplicativos e os aparelhos que facilitam a adoção do Byod dentro das empresas e como se preparar para trabalhar com seu dispositivo, do seu jeito.

Tendência irreversível
Ana Rayssa/ESP.CB/D.A Press

Maior parte dos líderes de Tecnologia da Informação se interessa em adotar estratégias para lidar com a consumerização. Para especialista, essa atividade no ambiente de trabalho é benéfica e estará cada vez mais presente no dia a dia dos funcionários e das empresas

Muitas pessoas têm o hábito de estender o trabalho para casa, mas e se lhe dissessem que agora a moda é carregar um pouco da residência para o escritório? Hoje, levar o tablet, o notebook ou o smartphone para o ambiente corporativo se tornou normal. E essa é uma das principais discussões não só do universo da Tecnologia da Informação atualmente, mas em outros departamentos do ambiente empresarial.

Em análise que levantou as 10 principais tendências de tecnologias estratégicas para este ano, a Gartner destacou a diversificação de aparelhos móveis mundialmente. E a consumerização teve papel essencial para que o segmento tenha vigor em 2014. “A consequência inesperada dos programas Byod está duplicando ou até mesmo triplicando a força de trabalho com dispositivos mobile”, explicou o estudo.

Nas companhias do mercado tecnológico, inclusive, já existe quem esteja colhendo frutos do incentivo da atividade. De acordo com o CEO da produtora de periféricos Logitech International, Bracken Darrell, o método Byod aumenta o rendimento dos funcionários. A estratégia de consumerização da empresa começou em 2008, quando o vice-presidente de TI, Sanjay Dhar, “abriu novas perspectivas para os trabalhadores”, segundo Darrell. O programa ajudou os executivos a perceber a popularidade de aparelhos e também motivou mudanças no planejamento de novos produtos. “Particularmente, os iPads nos deram a percepção de uma oportunidade única. Mudou nosso ritmo de inovação. Estamos lançando a cada seis meses. Nós nunca fazíamos isso com mouses e teclados. Agora, as capas de tablets estão nas lojas de três a quatro semanas após o lançamento do produto”, concluiu.

Estima-se que, neste ano, mais de 5 milhões de dispositivos pessoais serão levados pelos funcionários às empresas. O levantamento feito pela IDC indicou a necessidade de uma base de gestão móvel para garantir que as políticas da companhia continuem sendo seguidas.

Para uma das maiores empresas de tecnologia do mercado, a Intel, as novas soluções provenientes do uso de aparelhos individuais estão mudando a forma como as pessoas vêm se relacionando no trabalho. Um dos fatores imprescindíveis para as corporações, ao apoiar o Byod, segundo a companhia, é o preparo de estratégias e políticas da empresa para enfrentar os desafios que aparecerão com a chegada dos dispositivos no ambiente de trabalho.

Futuro vindouro

A previsão da Gartner é de que, até 2017, 38% das empresas mundiais parem de disponibilizar aparelhos para os funcionários. A consultora executiva da companhia de pesquisas, Elia San Miguel, explica que isso acontece porque, a longo prazo, será mais vantajoso para os dois lados. A empresa economizará custos, e o empregado terá o benefício de usar o aparelho personalizado com que já está acostumado. “No fundo, cada vez mais dispositivos digitais são relacionados à experiência pessoal. Há muito tempo, eles deixaram de ser para somente você falar. Hoje em dia, têm muitas funções, e viram uma extensão digital do seu mundo”, diz.

Elia explica que, além de fazer parte da rotina, os gadgets são procurados pela diversidade de opções. “Como é seu aparelho, você o domina. Com isso, a tendência de consumerização é maior. Assim, começou a existir essa dicotomia de que o dispositivo da empresa é mais quadrado e o seu não. Às vezes, pode ser um pouco lento e as pessoas começam a ter outras plataformas para atividades de trabalho.”

Segundo a especialista, cabe à empresa lidar com o desafio de se adequar às mudanças, já que antes, usando o computador do escritório, a companhia tinha controle de configuração, segurança e outras especificações. Isso pode ser ainda mais bem aplicado em casos de prevenção, como no caso de roubarem um aparelho pessoal que tem informações sigilosas. Outras soluções podem ser uma boa medida de precaução. “Um método é proteger as informações ou fazer o becape, por exemplo. Óbvio que a forma de operação faz parte da política da companhia”, ressalta.

Inclusive, essas estratégias não precisam ser exclusivas do setor de TI. Para Elia, envolver os outros departamentos é benéfico para todos. “Nenhuma empresa no Brasil está preparada. Elas têm de se adequar e entender que não é só no papel. Tem de envolver o jurídico, o RH… Ninguém precisa inventar a roda. Essas soluções são de mercado.” Tecnologia para que isso seja feito de maneira efetiva, segundo San Miguel, não é o problema. “Existem hoje em dia ferramentas que ajudam as empresas a poder gerenciar aparelhos móveis. Há tecnologia para confirmar a segurança.”

Nuvem
A executiva acentua a necessidade de um acordo mútuo entre as duas partes porque o equipamento é do funcionário. “Não é só uma política da empresa. Você vai usar um equipamento seu para trabalhar. Os dois têm de estar de acordo no que é direito e responsabilidade de cada um.”

É justamente o que acontece com o programador Renington Neli, 25, que utiliza o tablet, um iPad 2, para monitorar os aplicativos que desenvolve no trabalho. “Antes, no computador, era um pouco mais trabalhoso monitorar minhas atividades. Agora, usando o dispositivo, passei a ter maior mobilidade”, explica.

Uma das motivações de Renington para o uso dos gadgets é também a desconfiança do sistema usado no escritório. “Vez ou outra, cai a rede, e eu preciso subir correções o mais rápido possível. Geralmente, quando isso acontece, aproveito o tablet para enviar e-mail e esses arquivos”, explica.

O programador também vê muita vantagem na utilização de aplicativos, como o Google Drive e o Dropbox, serviços em nuvem que podem ser acessados em diversas plataformas. “Quando esqueço de levar o aparelho para o trabalho, posso acessar um arquivo que deixei em um desses aplicativos, ou quando estou em casa faço o oposto. Isso faz toda a diferença.”

Para Elia San Miguel, especialista da Gartner, não há outro jeito. “Impossível ignorar e dizer que (a consumerização) não vai chegar ao Brasil. Para nós, isso é uma tendência irreversível.”

Os preferidos

Pesquisa feita pelo site Surveymonkey ouviu 600 usuários de smartphone para saber qual aparelho usariam dentro de um ano tanto no trabalho quanto pessoalmente. O resultado não foi diferente do imaginado. O dispositivo mais popular foi o da Apple, com 56% das respostas, enquanto o segundo, Android, foi escolhido por 38%. Blackberry e Windows Phone tiveram 2% cada. As atividades nos celulares inteligentes, em geral, também foram divididas na pesquisa. Cerca de 41% usam principalmente para enviar mensagem, 29% para telefonemas, 13% para e-mails, 9% para aplicativos e 7% para navegar na internet. Além disso, 69% responderam que usam mobiles profissionalmente.
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