EMPREENDEDORISMO

Eles cresceram com a cidade

Muitos estabelecimentos que existem em Brasília desde o nascimento da capital criaram,em torno de si, a aura de tradição em um lugar que completa 54 anos em breve.Em comum, têma dedicação da família para fazer o negócio dar certo

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postado em 14/04/2014 13:06 / atualizado em 14/04/2014 13:19

Ailim Cabral

Ed Alves

Brasília, apesar de jovem, é uma cidade com tradições. Grande parte da história da capital pode ser contada por estabelecimentos que venceram o tempo e sobrevivem desde a inauguração da cidade. No ramo dos alimentos, os nomes — e sabores — que vêm à mente do brasiliense são a Pizzaria Dom Bosco, o Beirute, o Restaurante Roma. A primeira tornou-se, no coração dos brasilienses, um patrimônio público: é raro encontrar alguém que viva por aqui e nunca tenha parado no tradicional balcão da pizzaria.

Seu Enildo Veríssimo Gomes, 68 anos, fundou a primeira Dom Bosco, na Asa Sul, em 1960, em parceria com dois irmãos, Hely Veríssimo Gomes, que faleceu aos 66, em fevereiro deste ano, e Elsci Veríssimo Gomes, 64. “Eu já trabalhava nesse ramo em Minas Gerais.Quando vim para Brasília, tive a chance de mostrar minha arte. Nós, irmãos, nos juntamos e criamos nosso negócio”, conta, rindo, Enildo. Para ele, o segredo do sucesso é trabalhar com produtos de qualidade, ter uma higiene perfeita e boa identificação com o público, além, é claro, de gostar do ramo. “Você tem que ser apaixonado pelo que faz, porque não é fácil. Se não gosta, nem adianta começar”, completa.

Israel Simplício Faria Neto, 53 anos, gerente do Restaurante Roma há 32 anos, concorda com Enildo. Ele acredita que, quando a equipe e o proprietário gostam do que fazem, o êxito já está praticamente garantido. Israel conta que o restaurante daW3 Sul foi inauguradoem1960 pelo italiano Luiggi Brant, que vendeu o estabelecimento para o atual dono, Simon Pitel, 77, quatro anos depois. Quando Simon viaja, Israel é o encarregado. “Dizemque sou o braço direito dele, e não me vejo trabalhando em outro lugar. Ver como Simon é apaixonado me anima, me faz adorar o Roma também”, conta. O gerente-geral acrescenta que, sempre que vem a Brasília, Simon está todos os dias no restaurante. Além do amor pelo trabalho, Israel acredita que a honestidade como cliente e a qualidade da comida são os responsáveis pelo sucesso.

Outro estabelecimento do ramo alimentício que faz parte da história da cidade é a sorveteria Moka’s, na 112 Sul. A loja poderia passar despercebida devido à simplicidade da fachada, mas a tradição fala mais alto.Opioneiro de Brasília, Karl Simas, 79, estava cansado de trabalhar em uma multinacional. Assim, decidiu ser dono do próprio negócio. Em 1980, com o amigo Moacir, abriu a sorveteriaMoka’s—nome gerado pela junção de Moacir e Karl. A sociedade acabou um  ano depois, mas o nome já havia se tornado referência, e o local, um ponto de encontro. Karl ainda visita o estabelecimento que fundou, mas atualmente quem gerencia o local é o filho Marcos Simas.

Ponto final

Apesar da tradição, o ponto tende a acabar.“Euvou fazeruma reforma para a loja durar mais uns 30 anos.No entanto, não pretendo passar o ponto para outra geração, pois não tenho filhos e não dá mais tempo de ‘fabricar’ um. A sorveteria vai acabar”, promete Marcos Simas, 51 anos. Ele E Karl acreditam que um dos diferenciais da sorveteria, que vende apenas o produto e água mineral, é a fabricação própria e a relação com os clientes.

Ponto final
Apesar da tradição, o ponto tende a acabar.“Euvou fazer uma reforma para a loja durar mais uns 30 anos.No entanto, não pretendo passar o ponto para outra geração, pois não tenho filhos e não dá mais tempo de ‘fabricar’ um. A sorveteria vai acabar”, promete Marcos Simas, 51 anos. Ele E Karl acreditam que um dos diferenciais da sorveteria, que vende apenas o produto e água mineral, é a fabricação própria e a relação com os clientes.

 

ED Alves

 

Marcelo Ferreira
 

 

Os jovenstomamconta

 

Não é só o comércio de alimentos que remonta à inauguração de Brasília. Um dos empreendimentos mais antigos do Distrito Federal é a CasaNossa Capital, loja de ferragens fundada pelo pioneiro Ramiro Ferreira Mota em 1960, no Núcleo Bandeirante. Após 54 anos, a história do local e da família mudou.Mota morreu em 2001, aos 59 anos, de acidente vascular cerebral, e deixou sete lojas da rede para os filhos. Apenas três ainda estão de portas abertas. Quem administra a Casa Nossa Capital de Taguatinga é José Honório, 42, que cresceu dividindo espaço com parafusos, canos, conexões, cordas e mangueiras.

Após anos de aprendizado e companheirismo, herdou a loja do pai. “Ele era apaixonado pelo trabalho dele. Cresceu, viveu e morreu atrás do balcão. Não saía de perto dele por nada”, relembra. A dedicação é seguida pelo filho. “O comércio mudou muito dos últimos anos para cá e alguns mercados vendem o mesmo que nós, mas nossos clientes são fiéis e gostam de vir aqui, pois têm confiança e tradição”, diz.

Já no Plano Piloto, a Barbearia do Onofre, criada em 1969, funcionava em um barracão de madeira entre a 703/704 Norte e só foi registrada em 1971, quando uma exigência da Administração Regional exigiu a transferência da loja. Anos depois foi transferida para a 709, onde cresceu e se consolidou. Quando Onofre Bezerra da Silva faleceu, em 2008, o filho Jorge Oliveira Bezerra, 40, assumiu completamente os negócios. “Eu sempre estive envolvido com a loja. Quando eu tinha 12 anos, meu pai viajava e eu já ficava tomando conta dos negócios. Sempre estive aqui”, diz.

Já no Plano Piloto, a Barbearia do Onofre, criada em 1969, funcionava em umbarracão de madeira entre a 703/704 Norte e só foi registrada em 1971, quando uma exigência da Administração Regional exigiu a transferência da loja. Anos depois foi transferida para a 709, onde cresceu e se consolidou. Quando Onofre Bezerra da Silva faleceu, em 2008, o filho Jorge Oliveira Bezerra, 40, assumiu completamente os negócios. “Eu sempre estive envolvido com a loja. Quando eu tinha 12 anos, meu pai viajava e eu já ficava tomando conta dos negócios. Sempre estive aqui”, diz.
 

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