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Seja o seu CEO

Profissionais da geração Y precisam tomar o controle da própria carreira e criar uma marca pessoal. Gestores devem estar preparados para lidar com as diferenças desses novos trabalhadores

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postado em 28/04/2014 09:51 / atualizado em 28/04/2014 10:07

Mariana Niederauer

Iano Andrade
Os jovens que entram no mercado de trabalho hoje estão acostumados a viver em um mundo em que as mudanças são constantes, e a tecnologia avança a cada dia. Por isso, independentemente do cenário econômico, aqueles que souberem usar as redes sociais e criar uma marca que os diferencie em meio a outros candidatos conseguirão progredir na carreira. O trajeto não é fácil. Muitas vezes, esses profissionais vão encarar conflitos com chefes que fazem parte de outra geração, e precisarão trabalhar duro para superar estereótipos como os de preguiçosos e sem comprometimento.

Esses são alguns dos temas abordados pelo autor Dan Schawbel no livro Promova-se: as novas regras para uma carreira de sucesso. Ele defende que os profissionais nascidos nas décadas de 1980 e 1990 — conhecidos como geração Y ou millennials — se preparem para se adaptar às necessidades do mercado, que mudam com frequência. E isso, segundo ele, depende de um esforço individual e de criar uma marca pessoal. “Você não pode simplesmente ficar sentado e manter as mesmas habilidades que tem hoje daqui a cinco anos e esperar que o mesmo emprego ainda exista. Você precisa ver para onde tudo está indo e se preparar para mudanças na economia”, diz.

No último domingo, o autor apresentou palestra sobre internet, novos mercados e novos modelos de negócios na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, em Brasília. “Você não é mais conhecido por uma companhia, e isso faz parte da marca pessoal também. É menos sobre a companhia para a qual você trabalha e mais sobre os projetos que você tem e os resultados que você alcança”, explica.

Schawbel chama esse quadro de busca constante por emprego, em que o profissional é um agente livre, sempre atento a novas oportunidades e querendo mudar e se adaptar. Ele diz que pelo menos dois anos é o tempo ideal para se ficar numa mesma organização, mas que essa decisão precisa ser tomada pelo próprio profissional, levando em consideração diversos fatores, como família, salário, condições da empresa e local em que vai morar. “Você tem que ser o seu CEO”, resume.

Na minha época…
Esse perfil diferente da mão de obra que começa a tomar conta das empresas vai de encontro às características de gerações anteriores e acaba por criar tensões no ambiente de trabalho. O hábito de comparar comportamentos de profissionais mais velhos com aqueles da atual geração é o principal causador de conflitos nas empresas, de acordo com Alexandre Prates, especialista em liderança, desenvolvimento humano e performance organizacional. “Quando alguém de uma geração diferente que veio de outra cultura tenta exigir as mesmas características de uma geração mais jovem, que naturalmente teve outra criação, geralmente, não dá certo”, diz. Para ele, os líderes precisam ensinar os funcionários mais novos, e não julgá-los. “O líder tem que compreender que as pessoas mudaram e que o tempo é outro. Essa nostalgia não ajuda em nada”, completa.

Outro ponto preocupante, na visão de Prates, é o pouco tempo que esses gestores estão reservando para promover o desenvolvimento das pessoas, por meio de orientações, reuniões com a equipe e feedbacks constantes. Segundo ele, há muitos que não usaram a trajetória no cargo mais alto para formar sucessores. Isso se deve também ao fato de as organizações não terem preparado esses profissionais para a tarefa de engajar outras pessoas, o que provoca uma escassez de líderes. “A empresa precisa formar as próprias lideranças para que elas, por sua vez, formem outras pessoas.”

Há ainda outra mudança que exige um esforço por parte de líderes da geração X e baby boomers (veja o quadro): eles precisam estar conectados às redes sociais para se comunicarem com os funcionários mais jovens e evitar conflitos. Carla Arena, 42 anos, é um exemplo de gestora que soube se adaptar à tecnologia para lidar com os desafios do mercado e com os funcionários mais jovens. “Eu sempre estou mudando e vejo quais são as tendências. Nós temos mais dificuldade, precisamos correr atrás, pois não é uma coisa natural, não nascemos com essa tecnologia”, admite ela, que é chefe do Departamento de Tecnologia, Educação e Comunicação Digital da Casa Thomas Jefferson.

Fabrício Freire, 26 anos, trabalha como assistente no setor que Carla coordena e percebe que outros jovens da geração dele têm dificuldade de pesar as consequências profissionais de comportamentos inadequados nas redes sociais e até mesmo no ambiente de trabalho. A experiência no mercado o fez saber lidar com a autoridade e a cuidar da imagem nas redes sociais. “Hoje, eu me preocupo em postar as coisas que me agradam no dia a dia, mas sempre tendo pudor e pensando no que aquilo pode interferir ou não nas minhas relações sociais e profissionais”, relata.

Carla também está sempre conectada a redes sociais, nas quais compartilha temas relacionados ao trabalho que desenvolve, e acredita que essa participação contribui para o diálogo com os mais jovens. “Estar no meio on-line ajuda a ter mais abertura e, dessa forma, acho que o conflito de geração diminui um pouco. É uma relação de troca mesmo. Talvez o Fabrício aprenda alguma coisa comigo e eu aprendo muito com ele e com os outros funcionários dessa geração.”

Intraempreendedores

Nesse novo contexto do mercado de trabalho, o que as companhias têm buscado são profissionais que superem as atribuições cotidianas do cargo que ocupam e corram atrás de oportunidades que possam levar ao sucesso do negócio. São os chamados intraempreendedores, ou seja, empreendedores que trabalham na organização. Para isso, o autor Dan Schawbel afirma que os profissionais da geração Y precisam desenvolver habilidades interpessoais — como ser capaz de gerenciar o tempo, ter uma atitude positiva e conseguir trabalhar em grupo —, mas acabam deixando essas características de lado porque estão muito ocupados com a tecnologia, olhando para smartphones e tablets.

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