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Caminho para o talento

A partir da madeira morta encontrada na natureza, o designer Tunico Lages dá vida a móveis criativos e diferentes

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postado em 28/04/2014 10:00 / atualizado em 28/04/2014 10:02

Antonio Cunha

Há mais de 30 anos, durante o sono, Tunico Lages encontrou o caminho pelo qual tanto procurou. Ele literalmente seguiu o sonho, algo difícil de compreender e acreditar. O empreendedorismo veio como consequência do talento para trabalhar com madeira. Não se importa com as nomeclaturas do ofício: artesão, marceneiro ou designer. A humildade define o artista mineiro radicado em Brasília. Com tantos anos no mercado, o reconhecimento é algo que não oscila com os altos e baixos do negócio que se mostra promissor no país.


O mercado de artigos de decoração tem ganhado maior valorização nos últimos anos. “O Brasil tinha um deficit de moradia muito grande. Com o aumento da linha de crédito, possibilitou um boom imobiliário no últimos cinco anos. Em consequência, o mercado de decoração, bem como toda a cadeia de produtos dessa área, também sofreu um crescimento no consumo. Além disso, o país tem recebido bastante visibilidade internacional com os eventos esportivos”, aponta Renata Amaral, presidente da Associação Brasileira de Designers de Interiores.


Formou-se em economia e, por três anos, trabalhou como operador da bolsa de valores. Mesmo com pouca idade, na época com apenas 23 anos, sabia que não queria seguir naquela carreira. A insatisfação era tanta que um dia desmaiou em pleno pregão. Nunca mais voltou a operar ações. “Ganhei muito dinheiro, mas também perdi. Era muita preocupação, sem contar a falta de cuidado com a saúde. Aquilo não era para mim. Fiquei perdido”, lembra Tunico.


Depois de quatros anos viajando pelo mundo, voltou para Belo Horizonte, cidade natal, em 1976. No final daquele ano, teve um sonho que mudou os rumos da sua vida. “Vi um garoto de mais ou menos seis anos, sentado num toco, vendo um carpinteiro da minha terra trabalhar a madeira da cumeeira da igreja. Essa cena me deu a certeza absoluta de que eu queria trabalhar com madeira. Comecei no dia seguinte ao sonho”, conta o designer sobre como decidiu seguir na profissão que exerce hoje.

Trabalho e honra

Embora tivesse encontrado sua verdadeira paixão, o início foi difícil. O preconceito quanto ao ofício escolhido veio dos mais próximos e também dos conhecidos distantes. Saiu à procura de alguma marcenaria na cidade em que pudesse aprender a profissão. Não conseguiu o emprego, mas não desistiu. Seguiu aprendendo sozinho com o trabalho diário.


“No Brasil, de um modo geral, fazer trabalho manual é desonroso. A arte utilitária é vista como menor. Ao contrário de países mais desenvolvidos e do oriente, que não fazem distinção de arte. Não faz diferença se é uma pintura ou uma cadeira, é arte do mesmo jeito”, reflete. Hoje, todos os móveis são produzidos a partir da madeira morta encontrada na natureza. Alguns trabalhos mantêm o formato original do tronco, mas sempre adequados à funcionalidade do objeto que formam.


O artesão teve loja por 15 anos, mas preferiu fechar e ficar apenas com as feiras e pedidos por encomenda. Atualmente, montou show-room na própria marcenaria, além de ter representante em Los Angeles, no EUA, e realizar vendas para diferentes países. Foi o responsável pela montagem do gabinete da presidente Dilma Rousseff na último encontro Rio+20. “Quero resgatar o valor do trabalho manual, da arte contida no ofício e afirmar a cultura brasileira por meio das peças que crio”, afirma o design.

 

Curtas

 

Mercado de móveis
Em Brasília, existem três shoppings exclusivos para artigos de decoração, além de casas especializadas no setor. Com o crescimento do consumo, o momento se torna oportuno para investir no setor. O segmento de móveis no Brasil possui mais de 32 mil empresas. O mercado de decoração é um dos mais beneficiados. Em 2013, os brasileiros gastaram por volta de R$ 5,4 bilhões com a compra de artigos para decoração para casa, crescimento de 8% em relação a 2012.

Sustentabilidade
Pensar em alternativas sustentáveis já não é uma tendência para design, mas sim obrigação vencida com muita criatividade. O consumidor preocupado com o impacto sócioambiental das empresas deve ficar atento às práticas ecologicamente corretas. O Forest Stewardship Council (FSC) certifica áreas e produtos florestais, como toras de madeira, móveis, lenha, papel e outros. Dez princípios devem ser atendidos, entre eles a obediência às leis ambientais e a regularização fundiária.

Graduação
A UnB oferece o curso de desenho industrial. O estudante pode optar por duas vertentes que a graduação oferece: habilitação em projeto de produtos, no qual o aluno é preparado para criar objetos do cotidiano, como móveis, joias, roupas entre outros; e programação visual, campo que trabalha com imagem impressa por meio de elaboração de logotipos e projetos gráficos para publicações.

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