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Desafios para os chefes dos millennials

O autor do livro Promova-se afirma que os gestores precisam saber usar mensagens de texto, chats e redes sociais para se comunicar com os funcionários mais jovens

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postado em 28/04/2014 10:05 / atualizado em 28/04/2014 10:06

Dan Schawbel escreve sobre uma geração da qual faz parte. Aos 30 anos, ele está no grupo dos que nasceram nas duas últimas décadas do século 20 e que está marcando presença nas organizações com características diferentes daquelas apresentadas por gerações anteriores. Os chamados millennials são jovens que estão obrigando os líderes das empresas a fazerem perfis em redes sociais e a usarem mensagens de texto para se comunicar. Schawbel lembra que essas tecnologias têm transformado o ambiente corporativo, com diversos funcionários trabalhando em home office ou em escritórios descentralizados distribuídos por várias cidades ao redor do mundo. Os gestores precisam aprender a lidar com essas mudanças, e muitos deles estão despreparados para a tarefa. “Eu acho que há o lado bom e o ruim: a dependência da tecnologia diminui o contato visual, como ocorre quando você está num escritório. Por outro lado, como você talvez não esteja nesse cenário no futuro, de um lugar físico, é possível que não haja problema. E não existe resposta certa, é um assunto a ser debatido”, afirma. Em entrevista ao Correio, o colunista das revistas Time e Forbes, e sócio-diretor da Millennial Branding, empresa de pesquisa e consultoria da Geração Y, fala sobre a importância de criar uma marca pessoal nesse novo cenário e sobre como lidar com o conflito de gerações nas empresas.

Por que o cenário econômico atual é favorável para quem realmente quer progredir na carreira?
O que eu defendo no livro é que você esteja no controle da sua carreira. A ideia de se promover não é apenas ter uma promoção no trabalho, ou se tornar um gerente, ou um diretor: é se esforçar. Você precisa ser responsável por você mesmo nesse mundo. As coisas não vão simplesmente acontecer, principalmente agora, quando há tantas pessoas correndo atrás de tão poucos empregos — ao menos nos Estados Unidos, há três pessoas para cada emprego. Você está num cenário em que compete por um posto que talvez não exista no futuro. Então, você tem que ser capaz de mudar por meio do esforço pessoal. Você não pode simplesmente ficar sentado e manter, daqui a cinco anos, as mesmas habilidades  que tem hoje e esperar que esse emprego ainda exista. Você precisa ver para onde tudo está indo e se preparar para mudanças na economia, que criam empregos e mudam empregos.

Por que é tão importante criar uma marca pessoal?

Se as pessoas o conhecem por alguma coisa, elas continuam voltando a você por essa expertise, e isso cria valor. É assim que você negocia poder quando quer ganhar mais dinheiro ou uma promoção. Tudo o que você ganha na vida vem de saber qual é a demanda do mercado, que habilidades são importantes agora — e em quais você é melhor — e o que realmente o estimula. Quando você tem essas três coisas, descobre qual é a sua paixão, desenvolve essas habilidades e as transforma em pontos fortes, sabendo que eles vão se traduzir em dinheiro e em oportunidades. Esse é o caminho certo para você. Muitas pessoas vão à escola e aprendem diversas coisas que não são aplicáveis a esse mundo. Por isso, você precisa começar a focar em qual é a demanda agora e como pode alavancar as habilidades que tem e os interesses pessoais em um mundo onde você cria oportunidades para que possa alcançar sucesso.

Qual o papel das redes sociais nesse contexto?
As redes sociais possibilitam ao recrutador ter acesso ao profissional e avaliar se essa seria uma boa contratação ou não. É uma ferramenta que as empresas não tinham 10 anos atrás, mas agora ela está lá. O que isso significa sob o ponto de vista do candidato? É tudo sobre marketing pessoal, sobre descobrir qual é a sua expertise. Não só se você vai trabalhar nas áreas de marketing, financeira ou recursos humanos, mas o que você está mirando, qual o seu alvo específico. A partir daí, você deve comunicar diariamente essa experiência por meio das redes sociais, para que as pessoas fiquem familiarizadas com quem você é, o que você faz e a audiência a que você serve. Então, as empresas começam a rastrear essa audiência e isso cria oportunidades e visibilidade em mecanismos de busca e em redes sociais.


O que mudou com a chegada das redes sociais ao mundo corporativo?
Se olharmos para trás, mesmos antes das redes sociais, você também era julgado por como as pessoas se sentiam sobre você, por como se comportava com os colegas de equipe, pela sua atitude e pelo trabalho que entregava. Esses fatores sempre estiveram presentes. As redes sociais são um componente adicional e o que elas realmente fazem é te proteger. Se estou conectado com mais pessoas, se estou mais visível, isso vai criar oportunidades e, caso alguma coisa não dê certo para mim, eu posso me reposicionar. De certa forma, todas as pessoas precisam ter um marketing pessoal porque, se você não tem, não está protegido, o que significa que, se você for demitido, não terá nada para te alavancar a uma nova posição. Isso é uma necessidade agora. Vivemos num mundo diferente, em que pessoas são demitidas com frenquência. Você não sabe o que pode acontecer: novas fusões, aquisições, terceirizações… Por isso, você, como indivíduo, tem que construir sua marca pessoal para se proteger.

Quais são as principais características do profissional da geração Y?

No livro, nós pesquisamos mil millennials e mil de seus gestores e descobrimos que os gestores têm uma visão negativa dos mais jovens. Eles os veem como preguiçosos, narcisistas e sem foco. Os millennials, por sua vez, acham que os gerentes não lhes atribuem o mérito que eles merecem. Isso causa um choque no ambiente de trabalho, que torna as coisas bem difíceis. O que os millennials precisam fazer é trabalhar duro para quebrar esses estereótipos. Eles realmente têm de mostrar que são bons e precisam ser pacientes. Essa geração quer, simplesmente, ocupar o cargo de CEO amanhã, mas isso não acontece tão rápido assim. É importante destacar, no entanto, que os millennials também têm uma ótima visão de seus gestores, os veem como sábios e mentores.

Como os gestores devem lidar com esse conflito de gerações?

O que eu sugiro para as empresas é que elas deem responsabilidades para os profissionais e definam o que se espera deles. Essa é uma das coisas que mais falta no ambiente de trabalho. Você simplesmente entra, trabalha e, às vezes, recebe algum treinamento. Mas é preciso também alinhar expectativas e dizer: “Isso é o que você precisa fazer para chegar ao próximo nível”. Se você quer realmente capturar a atenção deles (geração Y), é tudo sobre o porquê. Estamos basicamente mostrando como o trabalho que fazem se traduz em ajudar o gestor a ser mais bem-sucedido, ajuda a companhia a ser mais bem-sucedida e como a companhia está ajudando o mundo a ser mais bem-sucedido. Mostrar isso a eles é mostrar o significado do trabalho e reforçar que eles não estão em um emprego comum.

Esses líderes precisam estar conectados às redes  sociais?

As pessoas mais velhas cada vez mais se conectam ao Facebook e ao Twitter porque elas realmente precisam disso para se comunicar com os jovens. Os millennials estão gastando cada vez menos tempo em ligações de telefone. Então, os gestores precisam saber como usar mensagens de texto, Skype, redes sociais, senão, vão continuar a existir problemas. Mas isso é uma boa coisa também porque essas ferramentas podem ajudá-los a ser mais produtivos ao mesmo tempo, o que se tornará ainda mais importante quando a próxima geração depois da geração Y — a geração Z — chegar ao mercado.

“A ideia de se promover não é apenas ter uma promoção no trabalho, ou tornar-se um gerente, ou um diretor: é se esforçar. Você precisa ser responsável por você mesmo neste mundo”

“Se as pessoas o conhecem por alguma coisa, elas continuam voltando a você por essa expertise, e isso cria valor. É assim que você negocia poder quando quer ganhar mais dinheiro ou uma promoção”


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Veja se você se encaixa nas características dos millennials mais criticadas pelos gestores e que acabam por gerar conflitos entre as duas gerações. A sugestão de Dan Schawbel é que os jovens superem esse estereótipo e construam bons relacionamentos com os mais velhos.

Você sabe que se encaixa no estereótipo da geração Y quando…
1.     Fica mais tempo na sala do seu gerente do que no seu cubículo
2.     Abandonou recentemente a cadeia de comando para promover uma ideia para um executivo em vez de se dirigir ao seu chefe
3.     Na hora do almoço, você divaga pensando em se sentar na cadeira do CEO
4.     Usa fones de ouvido e ouve música altíssima, torcendo e rezando para que ninguém o incomode
5.     Arranja desculpas para trabalhar em casa e frequentemente acaba tirando o dia de folga
6.     Espera que os gerentes entoem louvores aos seus méritos
7.     Uso o seu computador no trabalho para enviar mensagens instantâneas para os seus amigos a respeito dos planos para a noite
8.     Começa a pensar em abrir a própria empresa porque a que você trabalha “simplesmente não entende as coisas”
9.     Pergunta a si mesmo por que ainda não foi promovido

Fonte: Promova-se

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Promova-se: as novas regras para uma carreira de sucesso
Autor: Dan Schawbel
Editora: Cultrix
Páginas: 256
R$ 42
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