COPA DO MUNDO 2014 »

Quase mil micro e pequenas empresas apostam na Copa e esperam R$ 32 milhões

Com iniciativas como produtos voltados para o evento, pequenos e microempresários do DF esperam faturar R$ 32 milhões com os sete jogos no Mané Garrincha. Dez mil trabalhadores passaram por qualificação nos últimos três anos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 07/05/2014 10:43 / atualizado em 07/05/2014 10:46

Thaís Paranhos

Dona de uma sorveteria especializada em frutos do cerrado, Anita elabora sabores, como amarula e alfajor, para homenagear as seleções (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press) 
Dona de uma sorveteria especializada em frutos do cerrado, Anita elabora sabores, como amarula e alfajor, para homenagear as seleções


Eles não são parceiros oficiais da Fifa nem figuram entre os grandes empresários com altos investimentos para a Copa do Mundo no Brasil. Mesmo de fora desse seleto grupo, comerciantes e empregados do Distrito Federal alimentam expectativas de bons negócios com o evento. Por meio de cursos de qualificação e da criação de produtos, trabalhadores brasilienses têm se preparado para ganhar um dinheiro extra com a presença de estrangeiros que virão à capital assistir aos sete jogos marcados para o Estádio Nacional Mané Garrincha. Alguns já anunciam aumento no preço do serviço.

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) espera R$ 32 milhões em negócios para pequenas e microempresas do DF em função da Copa. Desde 2012, a entidade atendeu 975 empresas brasilienses interessadas em desenvolver atividades econômicas ligadas ao Mundial. Por outro lado, desde 2011, 10 mil trabalhadores em mais de 30 áreas fizeram cursos de qualificação, por meio de um programa do Governo do DF, para atuar em áreas estratégicas.

Morador do Jardim Botânico, o artesão José Ribamar Miranda da Silva, 64 anos, é um dos beneficiados com os cursos do Sebrae. Ele recebeu orientações para vender suas esculturas de alumínio e, desde então, tem a oportunidade de participar de exposições organizadas pela entidade. José Ribamar fez peças especiais sobre a Copa e sobre Brasília para expor e vender durante o Mundial. “Os turistas querem saber o que temos aqui, saber da cultura local. A Copa passa, mas com ela abrimos um leque de opções que não se fecha mais”, observa.

Sem recorrer a nenhuma entidade, a empresária Anita de Medeiros, 29 anos, sócia de uma sorveteria com sabores do cerrado, elabora um cardápio especial para a Copa. A ideia é fazer sabores para homenagear as seleções que vêm ao Brasil e, especialmente, a Brasília. “No caso dos países africanos, vamos fazer sorvete de amarula. Para lembrar os argentinos, sabor de alfajor. Mas não vamos deixar de lado os nossos tradicionais, como jabuticaba, jaca e cagaita. É isso que os estrangeiros procuram”, diz. Além dessa estratégia, Anita conta que corre atrás de autorização do GDF para colocar carrinhos de picolé em pontos estratégicos da cidade. Ela espera ter um incremento de 15% a 20% nas vendas.

Táxi especial


Para alguns desses profissionais, a Copa começou há três anos. As duas primeiras turmas de qualificação oferecidas em 2011 por meio do programa Qualificopa, do GDF, formaram 1.686 profissionais para atuar como assistente administrativo, web designer, operador de rede e de vendas, garçom, camareira e supervisor de hospedagem.

Morador de Ceilândia, o taxista Edson Estevam da Silva Filho, 38 anos, fez um curso de inglês assim que o Brasil foi escolhido para sediar o Mundial de 2014. Há cinco meses, se matriculou em um intensivo para estar afiado quando os turistas chegarem. Mas esse não é o único diferencial dele, garante. Ele diz já fazer um serviço especial e pretende aprimorá-lo durante a Copa.

“Tenho um frigobar, computador com internet e DVD, tudo de cortesia para o cliente. Também acabei de comprar um tablet com tradutor para facilitar a comunicação com os estrangeiros”, conta. Durante o mês do Mundial, o taxista vai dar preferência aos turistas, inclusive aqueles que fecharem pacotes para conhecer a cidade e regiões próximas ao DF. “Queremos fechar passeios turísticos. Vamos levar a todos os lugares, se quiser ir a Alto Paraíso e a Pirenópolis, em Goiás, vou também. Conheço restaurantes de todos os preços”, comenta. Em média, ele ganha de R$ 300 a R$ 350 por dia com as corridas. Durante o Mundial, espera dobrar o faturamento e ganhar cerca de R$ 700.

O Sindicato dos Permissionários de Táxis e Motoristas Auxiliares do DF (Sinpetáxi) quer que todos os táxis do DF rodem com bandeira 2 durante toda a Copa — atualmente, a tarifa especial é cobrada em corridas para o aeroporto, aos domingos, feriados e durante todo dezembro. No entanto, não cabe à entidade estipular os preços. A reivindicação está em estudo na Secretaria de Transporte, assim como a liberação de táxis de Goiás rodarem no DF no mês do evento e suprirem a demanda.

A presidente do Sinpetáxi, Maria Bonfim, não soube dizer quantos dos 7,5 mil taxistas do DF passaram por qualificação nem quantos compraram veículos novos para rodar na Copa. “Oferecemos incentivos nos cursos de línguas e empreendedorismo, e oferecemos salas de aula nos pontos de apoio dos táxis, mas muito procuraram individualmente e optaram por cursos particulares”, explicou.

Edson estudou inglês e incrementou o táxi: DVD, frigobar e computador  (Daniel Ferreira/CB/D.A Press) 
Edson estudou inglês e incrementou o táxi: DVD, frigobar e computador
Tags: