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PERFIS DE SUCESSO//ROSA OLIVEIRA »

Uma rosa para o Cruzeiro

Empresária abriu o primeiro quiosque há 30 anos e hoje é dona de um dos pontos mais tradicionais do bairro

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postado em 11/05/2014 11:55

Mariana Niederauer

 (Carlos Moura/CB/D.A Press) 


A empreendedora Rosa Oliveira precisou abrir mão de alguns sonhos e batalhou para garantir o sustento da família. Aos 13 anos, quando ainda morava em Catarina (CE), já ajudava a mãe a lavar roupas para pagar as contas da casa. Depois que chegou a Brasília, trabalhou como operadora de telemarketing e cursou dois anos de administração em uma universidade particular, mas precisou largar tudo para assumir o emprego de zeladora do prédio em que morava com a mãe. Foi nessa época que começou a vender guloseimas embaixo do bloco, no Cruzeiro Novo. A partir daí, iniciou a trajetória que a levaria a se tornar a empresária que, além de realizar os próprios sonhos, ajuda a concretizar também o dos funcionários, por meio de um negócio consolidado que atrai centenas de frequentadores todas as semanas.

Hoje, aos 48 anos, Rosa vive um momento bem diferente de 30 anos atrás, quando abriu o tradicional Kiosky da Rosa. Num trailer de metal — que conseguiu comprar graças ao dinheiro que ganhou em um sorteio na Igreja Santa Teresinha —, ela e a mãe, Francisca Maria da Conceição, 88 anos, apostaram na venda de guloseimas e refeições. O cardápio variava do tradicional pão de queijo feito pela matriarca ao churrasquinho com molho de cachorro-quente servido no pão. Outro sucesso de vendas era o baré no saco — refrigerante servido em um saco plástico com um furo para colocar o canudo. “Tudo que o cliente pedia a gente colocava”, conta.

Durante toda essa trajetória, a empreendedora enfrentou diversos desafios. “Começar é fácil, mas sustentar o negócio é muito difícil”, relata. Rosa teve de deixar o primeiro lugar em que instalou o empreendimento por causa de reclamações de moradores. Além disso, critica as leis dos quiosques, que, segundo ela, deixam os quiosqueiros muito vulneráveis (veja o quadro).

Agora, o quiosque ocupa um espaço de mais de 230 metros quadrados em outra quadra do Cruzeiro Novo. Isso não significa, no entanto, que os únicos clientes sejam do bairro. A maioria vem de outras regiões, como do Lago Sul e do Lago Norte, de cidades satélites e até mesmo do Entorno.

O cardápio sofreu adaptações ao longo do tempo. O carro-chefe são os churrasquinhos, agora servidos da maneira tradicional, acompanhados de arroz, vinagrete, feijão tropeiro e mandioca. São ingredientes típicos do Nordeste, para lembrar as raízes da dona do quiosque. Dos 13 tipos de churrasquino vendidos, os que mais saem são os de picanha, de contra-filé e de carne de sol.

Rosa também conta com a ajuda da família no empreendimento: dois irmãos e três sobrinhos trabalham lá, além de cerca de 26 funcionários. E não há um sábado que Dona Francisca não vá ao quiosque.

Ponto de encontro
O quiosque virou ponto de encontro da cidade e já recebeu a visita de ministros, de deputados e de artistas. Rosa atribui o sucesso à qualidade da comida, à limpeza do local e à equipe de funcionários. Toda semana ela reúne o grupo para uma reunião e discute os próximos passos e os problemas. A empresária já está inclusive treinando alguns funcionários novos para a demanda da Copa do Mundo. Ela diz que tenta sempre criar o melhor ambiente para os colaboradores, com o objetivo de realizar os sonhos deles também e, por isso, dá o exemplo e todos os dias está no quiosque controlando a produção e o atendimento.

Rosa afirma que, antes dos 40 anos, já tinha completado todas as metas que havia definido para os 50. O objetivo para a próxima década é abrir o próprio restaurante e oferecer um atendimento de excelência aos clientes e comidas simples. “Eu não quero meu cliente por um dia. Quero conquistá-lo no primeiro dia, para que ele volte sempre.”

O que diz a lei
Mais garantias

» A última norma publicada pelo Governo do Distrito Federal a respeito dos quiosques foi a Lei nº 5.124, de 2013. O texto estabelece parâmetros para a ocupação dos espaços públicos em 24 regiões administrativas da cidade e permite que os proprietários desses estabelecimentos construam o espaço em alvenaria, substituindo quiosques de ferro ou de latão. Além disso, o Banco de Brasília disponibiliza uma linha de crédito, cujo valor varia de acordo com a capacidade de pagamento do tomador, para essas construções. Outra melhoria trazida pela norma é a determinação de que as demolições de estruturas irregulares só pode ocorrer com aviso prévio de 72 horas.

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