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Para inglês ver (e ouvir)

Profissionais brasileiros tentam aprender inglês e espanhol com o objetivo de atender os turistas estrangeiros durante a Copa e não perder oportunidades

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postado em 18/05/2014 10:22 / atualizado em 18/05/2014 10:29

Carlos Moura

Brasília está a menos de um mês de recepcionar 79.610 turistas estrangeiros para a Copa do Mundo, segundo dados do Ministério do Turismo. A capital será a segunda cidade sede que mais vai receber visitantes durante o Mundial. Mas quem trabalha diretamente com o público terá de driblar um difícil adversário: o idioma, quesito em que o Brasil perde feio. Levantamento mais recente do British Council mostra que apenas 5% dos brasileiros sabem falar inglês. No índice de proficiência do grupo Education First, o país está apenas na 38ª colocação entre 60 nações avaliadas (veja o quadro).

Por isso, empresas que qualificam o funcionário para atender em outras línguas saem na frente. Luciano Timm, diretor do grupo Education First no Brasil, alerta que oportunidades podem ficar comprometidas com a falta de conhecimento em outros idiomas. “Lojistas vão perder negócios por não conseguirem se comunicar, então a chance de expandir o mercado e lucrar mais durante esse fluxo de turistas fica prejudicada”, afirma.

O setor ligado ao turismo precisa, de fato, estar com o inglês afiado. De acordo com o portal de reserva de vagas Booking.com, a maior parte das reservas de estrangeiros para o Brasil em junho vem dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Austrália. Cledenir Storch, 28 anos, está pronto para receber os estrangeiros em Brasília na Copa do Mundo. O gerente de atendimento na churrascaria Fogo de Chão conversa tranquilamente em inglês com clientes de outros países, que chegam a representar 70% do movimento noturno na casa, atraídos pelo típico churrasco brasileiro. “Além de explicar detalhadamente os itens do cardápio, consigo dar informações diversas sobre a cidade e falar a respeito de outros assuntos”, conta. Ele participa do curso de inglês que a empresa oferece.

“Os cursos de inglês que oferecemos não são apenas para alguém conseguir traduzir o cardápio. O funcionário precisa responder a outras situações”, explica Jandir Dalberto, presidente de operações do restaurante, onde a preparação para a Copa do Mundo foi intensificada. “Devemos ter um acréscimo de 60% nas vendas, então treinamos trabalhadores temporários para suprir a demanda”, comenta Dalberto. Só na loja de Brasília, serão 95 colaboradores durante o mundial.

Questão de estratégia
Além de restaurantes e aeroportos, profissionais que atuam no comércio se preparam. O Brasília Shopping sabe que vai receber muitos estrangeiros durante o torneio, uma vez que fica entre o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha e o Setor Hoteleiro Norte. Somente no dia da abertura da Copa das Confederações, entre Brasil e Japão, o recepcionista Duillyam Gonçalves, 26 anos, atendeu 17 estrangeiros, principalmente japoneses. Por mais que ele soubesse falar bem o inglês, explicar coisas mais complexas a um japonês com péssima compreensão no idioma de Shakespeare não deu muito certo. “Precisava explicar ao cliente que ele não poderia ter um celular pós-pago no Brasil porque, na época, era necessário apresentar CPF. Foi complicado”, relembra o jovem.

Pensando no ponto estratégico que ocupa, o shopping contratou funcionários bilíngues e os treinou para dar informações turísticas sobre a cidade. Durante a Copa, os recepcionistas também devem auxiliar lojistas que não falam outra língua para não perderem as vendas.

O aeroporto é outro local que contará com funcionários para auxiliarem lojistas de bancas e quiosques. “Nossos atendentes vão oferecer apoio ao passageiro desde as filas de imigração, logo após o desembarque, até a saída deles do terminal”, afirma o gerente do serviço ao cliente da Inframérica, Leandro Vera. Eles provavelmente precisarão auxiliar visitantes como o inglês Robin Golding, 55 anos. O conselheiro financeiro saiu de Londres e fez conexão em Brasília para chegar ao Pantanal. Ao tentar lanchar durante a espera, Robin teve problemas em um dos quiosques. “Minha esposa queria comer um bolo, mas não conseguíamos explicar o que queríamos nem os garçons conseguiam nos entender”, reclamou.

Situações como a de Robin confirmam o que Luciano Timm, da Education First, acredita que será a maior complicação da falta de conhecimento em idiomas. O especialista teme que produtos típicos do país deixem de ser divulgados por causa dessas vendas perdidas. “O turista que vem aqui vai querer provar do brigadeiro, da água de coco e de outras comidas e produtos tipicamente brasileiros”, enumera.

A drogaria onde a estudante de farmácia Kamila Amorim, 22 anos, estagia, não perdeu o cliente. Robin foi atrás de repelente de insetos e conseguiu ser atendido pela jovem e as colegas. “Falamos apenas o básico do inglês, mas já sabemos o nome de alguns tipos de doenças, remédios e outros produtos”, comenta. A loja fica bem próxima ao desembarque, o que levou a chefia a pensar em formas de receber visitantes em busca de medicamentos ou de informações. “Tivemos uma reunião recentemente e fomos orientados a oferecer o máximo de simpatia e acolhimento aos estrangeiros.”

O idioma do sorriso

A simpatia já rendeu boas histórias a Gabriel Guedes, 19 anos, atendente em uma banca de jornais logo em frente ao desembarque internacional. Certa vez, um boliviano teve problemas com hospedagem e transporte e pode contar com a ajuda do jovem. “Eu mesmo fiz a reserva no hotel dele, mesmo que só nos comunicássemos por gestos ou com inglês e espanhol bem básicos”, conta. Gabriel chegou a estudar inglês durante três anos, mas, sem prática, perdeu a fluência e usa apenas frases simples. Porém, ele não se acomoda e aproveita a tecnologia para atender bem os estrangeiros. “Utilizo aplicativos e treino o idioma com outro colega, já que o fluxo de gente chegando de fora do Brasil tem sido cada vez maior”, diz.

Usar aplicativos em tablets ou em celulares pode ser uma boa ideia para quem tem dificuldades com o idioma. Porém, não substitui a prática na língua estrangeira. “Quem deixa para aprender inglês de última hora recorre a métodos engessados, menos eficientes e sem praticar a linguagem”, afirma Anderson Pádua, gerente de marketing do Centro Cultural Brasil Estados Unidos (CCBEU).

Nada de portunhol


Funcionários do aeroporto, Luanna e Leandro dominam o espanhol (Carlos Moura/CB/D.A Press ) 
Funcionários do aeroporto, Luanna e Leandro dominam o espanhol

 

Bernardo Aranha, 22 anos, trabalha no Brasília Shopping e se comunica bem em inglês, mas o espanhol é o grande diferencial dele, que morou durante cinco anos com o pai na Colômbia. O país no norte da América do Sul, inclusive, terá um dos jogos da Copa do Mundo em Brasília. Além disso, a capital receberá, na primeira fase, a equipe do Equador, também falante de espanhol. “Os turistas desses países se sentem muito mais seguros e à vontade quando conversam com alguém que fala bem o idioma deles”, diz.

Conhecimentos em língua espanhola são necessários para que empresas ampliem ainda mais o alcance entre visitantes internacionais. A proximidade com nações que falam espanhol e o fato de o idioma ser o segundo mais falado no mundo são enumeradas pelo diretor do Instituto Cervantes em Brasília, Pedro Eusébio, como motivos para aprender a língua. De acordo com o Anuário de Língua Espanhola no Mundo, o Brasil tinha 12 milhões de pessoas capazes de falar espanhol em 2012, ano da pesquisa mais recente.

Porém, a proximidade com o português não pode servir como desculpa para não estudar e argumentar que se “consegue embromar um portunhol”. “Há palavras e expressões que se parecem muito com o português, mas podem significar coisas opostas”, alerta Eusébio.

O conhecimento em espanhol fez a diferença na contratação de Luanna Anastásio, 26 anos, atendente da Inframérica, consórcio que controla o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek. “Eles exigiam saber falar pelo menos uma língua estrangeira. Todos tinham o inglês, então falar bem a língua espanhola me colocou na frente”, conta. Para treinar a fluência no idioma da atual seleção campeã do mundo, Luanna pratica com o chefe, o argentino Leandro Vera, com conversas e ligações-surpresa. “Ele me liga se passando por alguém que só fala espanhol para me testar”, revela Luanna. O treinamento, bem humorado, é aprovado por Leandro. “Precisamos estar preparados o tempo todo, pois os estrangeiros nem sempre perguntam se podemos falar outra língua”, comenta o gestor.


Para não fazer feio
Confira algumas sentenças que você pode escutar em inglês e em espanhol de turistas que virão a Brasília para a Copa do Mundo e saiba como oferecer ajuda

Inglês Espanhol (Português)
Excuse-me, may I help you? Permiso, ¿puedo ayudarlo? (Com licença, posso ajudá-lo?)
Is there a bank/restaurant/drugstore/hospital/supermarket near here? ¿Hay un banco/restaurante/farmácia/hospital/supermercado por aquí cerca? (Existe algum banco/restaurante/farmácia/hospital/supermercado perto daqui?)
R: Turn left/right / Go straight ahead Gire a la izquierda/derecha / Sigue todo recto (Vire à esquerda/direita / Vá em frente). Aqui, vale utilizar linguagem corporal para indicar.
R: Not so close No muy cerca (Não tão perto)
Where’s the stadium? ¿Dónde queda el estadio? (Onde fica o estádio?)
R: The stadium is on Eixo Monumental avenue En una avenida llamada Eixo Monumental (Na avenida chamada Eixo Monumental)
How much is this? ¿Cuánto cuesta? (Quanto isso custa?)
R: Aqui, vale consultar um dicionário de números para responder corretamente
Thank you! Gracias (Obrigado)Fontes: Minds Idiomas e a professora da UnB Idiomas Monica Daduch
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