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PERFIS DE SUCESSO/IGOR SARAIVA »

Candango inovador

Depois de trocar de curso duas vezes, ex-aluno da UnB abriu a própria empresa, que oferece soluções inovadoras

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postado em 18/05/2014 10:30 / atualizado em 18/05/2014 10:33

Mariana Niederauer

Igor Saraiva, 35 anos, não teve medo de arriscar para seguir os objetivos. No início, empreender não estava nos planos desse carioca que se considera brasiliense, por ter vindo para a capital aos 10 anos de idade. Ele decidiu abrir o próprio negócio depois de perceber que essa seria uma saída para trabalhar na área que escolheu, da maneira que gosta e com os resultados que almeja alcançar. Hoje, a empresa de planejamento mobile PorQueNão?, criada com o sócio, Vinícius Porto, 36, que ele conheceu também em Brasília, atende clientes do Brasil e do exterior.

Os primeiros desafios de Igor começaram na hora de escolher o curso. Ele fez quatro anos de engenharia mecânica na Universidade de Brasília (UnB) e chegou a cursar um semestre de psicologia no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Largou as duas formações antes de concluí-las e começou uma nova graduação na UnB, em desenho industrial — com habilitação em design de produto e em design gráfico.

Depois de fazer a escolha profissional, ele conseguiu o primeiro trabalho na área, como estagiário na Editoria de Arte do Correio, onde observou de perto o trabalho de ilustradores e de designers. Após a formatura, Igor viu que as oportunidades de trabalho e de estudo em Brasília eram restritas e decidiu fazer duas pós-graduações no exterior, em Barcelona e em Milão. Na Itália, criou estratégias para a marca de hotéis Accor, para a Panasonic e fez o trabalho final na fábrica de chocolates Ferrero.

Quando voltou para o Brasil, para morar em São Paulo, ficou sem emprego durante quatro meses por estar qualificado demais para o mercado. “Ninguém entendia o que eu fazia”, conta. Depois da longa procura, trabalhou por dois anos em uma agência digital. Há pouco mais de três anos, uniu-se ao amigo de infância Vinícius Porto para propor uma estratégia de planejamento mobile para a Suvinil, e os dois ganharam a concorrência aberta pela empresa. “Enquanto todo mundo levou um preço, eu levei uma estratégia.”

A partir daí, sócios decidiram investir no negócio próprio. No início, trabalhavam remotamente, em casa ou em cafés com acesso à internet. Depois, alugaram um pequeno escritório, e a empresa começou a tomar forma. Passaram a arcar com contas de luz e de água e com os salários dos funcionários . Durante dois anos, eles apenas reinvestiram na companhia, sem tirar qualquer lucro. Igor deixou o emprego em que ganhava R$ 8 mil por mês e chegou a recusar uma oferta salarial de R$ 18 mil. “Não pagava o meu sonho. O empreendedor que busca só dinheiro é o que vai quebrar”, destaca. E, apesar da paixão que tem pelo negócio que criou, ele lembra que tocar a própria empresa nunca é fácil. “Todo mundo tem ideias, o difícil é colocar a ideia de pé.”

Esforço recompensado
Hoje, a consultoria, que tem sede em São Paulo, oferece às empresas a estratégia para a construção e o posicionamento da marca nos dispositivos mobile e desenvolve aplicativos baseados nesses conceitos. “Nós somos proativos e queremos cuidar dos clientes que temos. Eu não quero mais clientes, isso é apenas consequência de um bom trabalho”, diz.

Durante todo esse tempo, Igor descobriu várias lições sobre o empreendedorismo — inclusive dá palestras sobre o tema. Uma das principais é a importância de ser ousado e não parar de aprender nunca, pois é preciso estar em constante atualização. Hoje, o mercado mobile significa tablets e smartphones, mas ele sabe que, em breve, precisará pensar em soluções para smart TV, pulseiras inteligentes e painéis eletrônicos interativos em carros. “O empreendedor não pode dormir em berço esplêndido”, alerta.

Com esse pensamento, os empresários acabaram descobrindo outras oportunidades de negócio ao longo do caminho: a avaliação do resultado do produto e da estratégia que oferecem. Agora, eles acompanham a implantação dos aplicativos e do projeto e dão um retorno dos resultados à organização que os contratou, além de atualizar os aplicativos para funcionar em novas versões dos sistemas operacionais.

Uma das tarefas mais difíceis nessa trajetória, segundo Igor, foi aprender a ser chefe. “Quando eu tinha um chefe, eu aprendia com ele. Agora que eu sou o chefe, não posso nem olhar para o lado para saber como se faz”, explica. E toda essa habilidade ele precisou desenvolver na prática. “Empreender é um exercício de acreditar na sua intuição. Não é abrir uma empresa que te faz um empresário. O ato de empreender me fez aprender a trocar o pneu com o carro andando. Tive que aprender a ser chefe, a delegar, a ouvir feedbacks negativos dos funcionários e a motivar a minha equipe”, relata.

Outra dificuldade é contratar funcionários qualificados. Para suprir essa demanda, eles formam os próprios profissionais e  passaram a investir em outra tendência atual, que é o trabalho remoto. Já existem profissionais que fazem o serviço de Brasília e de Salvador. Com o objetivo de manter a equipe atualizada, são promovidas reuniões diárias via Skype. Além disso, o ambiente de trabalho é descontraído. A sala do café, por exemplo, lembra um pique-nique no parque. “Nós nos divertimos bastante”, comemora.

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