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Na onda da construção civil

O segmento da indústria que mais emprega gente na capital federal aproveita a expansão do DF e o poder aquisitivo da população para alavancar empregos e investimentos. Um dos principais problemas no setor, no entanto, é a falta de qualificação da mão de obra

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postado em 23/05/2014 13:00 / atualizado em 23/05/2014 11:54

Daniel Ferreira

Um mercado consumidor sedento por moradia e capaz de pagar preços altos por empreendimentos imobiliários fez a indústria da construção civil se desenvolver no Distrito Federal. Além disso, o setor não precisou da base proporcionada pelos grandes polos para crescer. Mas contou com personagens que escolheram a capital para investir e com o otimismo dos principais responsáveis por verticalizar a cidade. Hoje, com mais de 85 mil trabalhadores, é o segmento da indústria que mais emprega na capital federal. Entre todas as áreas econômicas, fica atrás somente dos setores de comércio e de serviços. Empresas genuinamente locais despontam no ramo e traçam estratégias próprias para transpor os obstáculos.

O brasiliense Fabrício Almeida, 33 anos, mantém a construtora da família em alta no mercado. A Apex, nascida e criada no DF há 37 anos, tem mais de 100 obras em toda a cidade — os empreendimentos estão em Ceilândia, em Samambaia, no Guará, no Sudoeste, em Taguatinga e nos lagos Sul e Norte —, aproximadamente 300 funcionários, entre diretos e indiretos, e uma lista de soluções para enfrentar os problemas que atrapalham um avanço ainda maior das empresas.

Daniel Ferreira
 

 

Ele e os sócios desistiram de abrir a própria fábrica de matéria-prima porque não encontraram, no Distrito Federal, a preço acessível, um terreno de 20 mil m². Mas isso não os desanimou a manterem os investimentos em alta. “Como toda indústria brasileira, sofremos com a falta de mão de obra e de incentivo fiscal e com o alto preço dos grandes terrenos disponíveis. Temos de procurar sempre novas áreas planejadas para abrigar indústrias”, afirmou.

Para se manter no mercado, a empresa de Fabrício oferece qualificação a cada nova obra. Foi a maneira encontrada pelo empresário para contar com profissionais sem depender de um curso de formação. A maioria dos funcionários chega de outra unidade da Federação, muitos sem capacitação. Em 2013, 1,2 mil pessoas efetivaram matrícula em turmas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) na área da construção civil. Número incapaz de fornecer ao empresário a quantidade de mão de obra necessária para atuar nos canteiros. “Todos os serviços têm treinamento interno, até para manter o padrão de qualidade”, explicou.

Os trabalhadores do setor que procuram cursos profissionalizantes desanimam diante dos valores cobrados. É o caso do baiano Adelson da Cruz, 23 anos, nascido em Barra de São Francisco. Ele chegou a Brasília no início de 2012 sem emprego ou qualquer formação. Entrou para a construção civil por indicação. Atualmente, trabalha como operador de prancha. Encontrou aulas de capacitação no setor, mas de pequeno porte. “Aprendi o que sei dentro da empresa porque os cursos bons e grandes não consigo pagar”, contou.

Representatividade
O economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Luis Fernando Mendes explica que o setor sai na frente na capital federal porque não existem outros polos desenvolvidos na capital brasileira. “O DF tem uma representação muito importante. Por falta de outros segmentos com bom desempenho industrial, como existe em SP, esse setor se desenvolveu quase que intuitivamente”, observa.

A grande procura por moradia impulsiona a busca por novos endereços e a ampliação da atividade. Até 2012, a disponibilidade de terrenos fez de Águas Claras um dos principais pontos do setor. Hoje, umas das rotas de investimento é Samambaia. Com a abertura de novos eixos, a expectativa é ainda melhor. “Ruas largas, trânsito fácil e áreas para construção: Samambaia será a nova Águas Claras nos próximos três anos”, afirmou o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon), Julio Peres.

Leia amanhã sobre o papel da indústria gráfica na economia do DF

Para saber mais

Expectativas e dificuldades

Produzida pela consultoria PwC Brasil, a sondagem A força do Distrito Federal — 2013 confirmou a existência de um forte mercado consumidor e apontou vocações, expectativas, necessidades e dificuldades dos líderes empresariais locais.

De acordo com o levantamento, o setor da construção civil deve impulsionar o crescimento do DF nos próximos anos, apesar da alta carga tributária, citada como o maior entrave à economia local.

O segundo obstáculo é a capacidade de reter a mão de obra devido à concorrência com os cobiçados cargos do serviço público. Apesar disso, a pesquisa destacou a confiança dos empresários no futuro e classificou a capital como “muito promissora” no cenário nacional.
 

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