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Os supergestores da Copa

Conheça os líderes que atuam nos bastidores do Mundial para garantir que o evento seja um sucesso

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postado em 01/06/2014 14:32 / atualizado em 01/06/2014 15:11

Ana Paula Lisboa

Receber uma Copa do Mundo vai muito além de construir arenas para os jogos. Organizar o trânsito, ficar de olho nas manifestações, coordenar o atendimento de primeiros socorros e outras ações exige muito planejamento. Por isso, quem gere as diversas ações que envolvem o esperado torneio de futebol terá o poder de administração colocado à prova. Só o Comitê Organizador Local (COL) terá, aproximadamente, 27 mil pessoas trabalhando na organização do evento. Dessas, 20 mil são seguranças que ficarão responsáveis por acompanhar as delegações e os torcedores nos locais oficiais da Copa e 2 mil são motoristas que vão fazer o deslocamento de seleções e autoridades, entre outros profissionais. Além disso, 14 mil voluntários darão apoio a diversas operações nas 12 cidades sedes. As equipes do governo também vão compor esse quadro. Serão 157 mil homens, entre policiais e militares, apenas para garantir a segurança. Conheça alguns dos gestores que vão comandar esses funcionários durante o Mundial.

Mão forte da segurança

ED Alves
 

A segurança durante o Mundial é uma das prioridades das autoridades brasileiras, pois será preciso lidar com manifestações anti-Copa, torcedores violentos e ameaças de greve nas forças de segurança. A Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge), do Ministério da Justiça, foi criada em 2011 de olho no torneio de futebol. Policial federal desde 2002, Andrei Rodrigues, 44 anos, lidera o órgão desde agosto do ano passado. Gaúcho de Pelotas, ele é o responsável por garantir um evento tranquilo para jogadores e torcedores.

Do Centro de Comando e Controle em Brasília, Andrei vai gerenciar 100 mil homens de órgãos de segurança pública, com a ajuda de 300 servidores de segurança e 100 de outras áreas estratégicas — como logística e saúde. Além disso, o Ministério da Defesa vai contribuir com 57 mil militares. “A preparação da equipe de segurança para a Copa começou no início de 2012 e foi intensificada no período da Copa das Confederações”, conta. Andrei não sabe dizer quantas horas trabalha por dia e, quando questionado sobre o que gosta de fazer no tempo livre, responde: “Que tempo livre? Durmo de cinco a seis horas por noite, almoço um sanduíche quando dá… Enfim, é um momento de muito trabalho, porque estamos no fim de uma longa preparação. É hora de fazer valer e colocar em prática tudo o que programamos.”

 Mesmo quando está em casa, a Copa do Mundo não sai da cabeça do secretário. “Vou ser sincero: agora, é difícil me desligar das questões do trabalho. É uma responsabilidade muito grande e, mesmo nas conversas com amigos e família, os assuntos sempre convergem para esse tema”, relata. Assistir às partidas está fora de cogitação. “Gosto muito de futebol, mas a minha responsabilidade me impede de curtir o grande evento. Meu lugar é operando em prol da segurança.”

O secretário acredita que o Brasil está pronto para receber os torcedores, controlar manifestações e promover ações em aeroportos e fronteiras. “É um trabalho duríssimo, mas estamos preparados. Temos uma parceria e uma relação respeitosa com os estados e vamos garantir a festa dos brasileiros”, diz. Segundo Andrei, as ações de segurança para o Mundial não vão interferir nas de rotina. “A população não vai ficar desassistida em nenhum momento.”

Energia para arquitetar o transporte

Janine Moraes
 

Organizar o funcionamento do transporte brasiliense quando as câmeras do mundo estiverem voltadas para a cidade e ainda ter tempo de cuidar dos filhos — inclusive do que ainda não nasceu. Esse é o desafio a ser enfrentado por Luana Martins, 37 anos, coordenadora de mobilidade da Secretaria de Estado Extraordinária da Copa de 2014. Grávida de oito meses do terceiro filho, que deve nascer apenas depois do torneio, a arquiteta e urbanista de formação se apaixonou por organizar o planejamento de transporte.

Em 2012, foi convidada a atuar na organização do transporte público para os jogos em Brasília na Copa. “Está sendo um desafio porque é o primeiro grande evento em que vou trabalhar”, comenta. Apesar de o torneio de futebol ocorrer dentro do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, a preocupação com o trânsito está em toda a cidade. Luana precisará cuidar de cerca de 150 ônibus nos jogos. “São projetos de uma cidade inteira, e preciso estar em contato o tempo todo com gestores de outros órgãos de trânsito”, conta. Ela precisará manter conversas constantes com representantes de 10 órgãos, como o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran/DF), o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) e a Secretaria de Transportes do Distrito Federal.

Luana levanta todo dia às 6h e só vai dormir por volta das 23h30. Apesar da rotina lotada, ela não deixa de lado a preocupação com a qualidade de vida. “Para relaxar e ter pique para coordenar a mobilidade, tento encaixar práticas de ioga nos meus horários”, conta. A energia é reforçada com uma boa alimentação. De três em três horas, ela come biscoitos integrais e frutas. “É uma loucura, mas não posso deixar de me cuidar”, afirma. Com a experiência dos protestos que aconteceram na Copa das Confederações, no dia do jogo entre Brasil x Japão, Luana aprendeu a lidar com esses imprevistos. “Faremos pontos de parada alternativos nessas situações.”

Controle do transporte aéreo

Carlos Moura
 

Claudio Ianelli, 48 anos, é gerente-geral de Ação Fiscal da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) há um ano e meio. Essa área coordena equipes para atuarem em grandes eventos, fiscaliza pilotos irregulares e o transporte irregular de passageiros, pesquisa informações de inteligência e está sendo preparada para a maior operação de fiscalização já realizada pela agência. O volume de passageiros vai ser intenso — dos 11,5 milhões de lugares ofertados em aviões comerciais, 3 milhões de passagens haviam sido vendidas até 15 de maio, o que corresponde a 26,5% do total. Isso sem contar o que a Anac não pode prever. “A quantidade de aviões de chefes de Estado que vão pousar no Brasil é uma incógnita”, afirma Ianelli.

O gerente está acostumado com ações específicas, como operações de fim de ano e de carnaval. A diferença é que, para a Copa do Mundo, o volume de trabalho e o efetivo, no mínimo, triplicam. “Para operações comuns, como a de fim de ano, temos 300 servidores envolvidos. Na Copa do Mundo, teremos mil. As férias de todos os servidores foram suspensas para o período e todos devem fazer hora extra”, conta. Para o gerente, a Rio+20, a Jornada Mundial da Juventude e a Copa das Confederações foram preliminares. “Mesmo assim, a complexidade e o volume de passageiros desses eventos não se comparam ao que teremos agora, com um fluxo grande de pessoas vindo de fora e grande fluxo de pessoas circulando internamente”, relata.

Outra diferença está no perfil dos passageiros. “Teremos VIPs, chefes de Estado, torcedores estrangeiros e brasileiros. Gente de todo tipo. Estamos mexendo com vidas e precisamos estar centrados para não prejudicar ninguém”, avalia. Da Sala Master, no Rio de Janeiro, Claudio Ianelli vai estar de olho em 42 aeroportos do país — 16 localizados em cidades sedes. “Para dar conta, não tem alternativa, tem que ter dedicação. É preciso ser proativo e preditivo. Acredito muito no planejamento e nas ações de treinamento. Foram três anos de preparação e a minha expectativa é muito positiva”, diz. Mesmo com fluxo intenso de atividades, Claudio Ianelli faz questão de levar as filhas à escola e de almoçar com elas, mas garante que a família entende quando ele tem de se afastar. “É uma honra e um prazer atuar como gestor na Copa do Mundo.”

À espera das delegações

 

O estado de São Paulo vai receber quase metade das seleções participantes da Copa do Mundo. Serão 15 países distribuídos por cidades do interior e do litoral paulista. Garantir que tudo ficasse em ordem para que as delegações aceitassem se hospedar na cidade foi a responsabilidade do coordenador do Comitê da Copa do Estado de São Paulo, Julio Semeghini, 57 anos. Semeghini é também secretário de Planejamento estadual e teve a rotina transformada pelo Mundial. A correria faz com que ele fique no trabalho até as 23h. “A época pede dedicação para colocarmos em prática todos os detalhes que havíamos planejado”, diz.

Engenheiro de formação, Semeghini tem experiência em gestão. “Já geri alguns projetos que deveriam ficar prontos em pouco tempo com pouca verba, então, minha experiência na área me ajuda a coordenar os trabalhos para a Copa em São Paulo”, conta. O principal desafio, segundo ele, é integrar as esferas pública e privada para permitir que os países possam desembarcar no estado sem preocupações. “É um trabalho de coordenação que envolve o governo estadual, prefeituras e empresas privadas”, explica.
 

 

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