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Segredos dos Cavalcantes

Tio e sobrinho comandam o restaurante, inaugurado em 1984 e conhecido pelo filé e pela feijoada

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postado em 01/06/2014 14:44 / atualizado em 01/06/2014 14:46

Mariana Niederauer

Carlos Moura

“É preciso ter conhecimento do ramo, estudar um ponto comercial que seja viável e manter uma boa equipe”
Roberto

 

“Até hoje, eu não saio da cozinha. Não está nada ganho”

Raimundo Nonato

Raimundo Nonato Cavalcante Vasconcelos demorou até se adaptar à mudança de cidade. Foi um dos primeiros dos nove irmãos a vir de Sobral (CE) para Brasília, em 1967, e chegou a trabalhar como servente de pedreiro antes de conseguir o emprego de garçom em um restaurante de comida italiana. Em 1984, ele o e irmão Anastácio Cavalcante, que também trabalhava no restaurante, decidiram criar o próprio empreendimento. O Ki-filé abriu as portas servindo pratos que viraram tradição na cidade: a famosa feijoada do sábado, a dobradinha, a rabada e as diversas variedades de filé — do à parmegiana ao Oswaldo Aranha.

Enquanto Raimundo cuidava da cozinha, Cavalcante recebia os clientes no salão. Em razão do contato mais próximo com os fregueses, o restaurante até hoje é conhecido pelo sobrenome dele. Cavalcante morreu em 2004 e seu lugar como principal garçom da casa foi assumido pelo filho, Roberto Cavalcante Vasconcelos, 36 anos. Raimundo, hoje com 66 anos, continua cuidando da preparação dos pratos. “Até hoje, os pratos continuam em alta. Quando colocamos algo diferente não tem aceitação”, relata.

Grande parte dos clientes estuda ou trabalha na Universidade de Brasília (UnB), pois o restaurante fica logo acima da instituição, na 405 Norte. A tradição vem de anos atrás. A posse de Cristovam Buarque como reitor da universidade, em 1985 — após quase 10 anos de comando de José Carlos Azevedo, durante a ditadura militar —, foi comemorada no Ki-filé. Ainda hoje, o restaurante recebe a visita de diversos políticos, entre ministros, senadores, deputados e governadores. São atendidos, em média, 200 clientes por dia.

Mesmo com a clientela fiel, os dois sócios garantem que não dá para sair de perto do empreendimento. “É preciso participar do negócio e dar o próprio suor”, diz Roberto. “Até hoje, eu não saio da cozinha. Não está nada ganho”, completa Raimundo. O empresário lembra que abrir o próprio negócio nunca é fácil e é bem diferente de trabalhar para os outros. Por isso, não tem planos de inaugurar outra casa, pretende apenas cuidar da que tem. Como já trabalhava no restaurantes dois anos antes da morte do pai, Roberto não teve dificuldades em tomar conta do salão e fazer o serviço que Cavalcante desempenhava com tanta dedicação. Ele serve os fregueses, anota pedidos, fica atrás do caixa, faz tudo o que precisar para que a casa funcione à perfeição. Um dos segredos é a qualidade da carne. Como o próprio nome diz, a casa só serve filé mignon fresco, não congela o alimento nem o armazena por muitas horas antes de servi-lo.

Para quem pretende abrir um negócio no ramo, Roberto lembra que algumas das principais dificuldades, hoje, é contratar mão de obra preparada e arcar com os impostos cobrados no país, que costumam ser altos. “É preciso ter conhecimento do ramo, estudar um ponto comercial que seja viável e manter uma boa equipe, que é fundamental e é o mais difícil hoje”, acrescenta.
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