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Profissões do futuro

Com as mudanças demográficas e tecnológicas pelas quais o mundo passará, trabalhadores precisam se adaptar e escolher áreas promissoras. Conheça os setores que devem crescer nos próximos anos

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postado em 09/06/2014 10:28 / atualizado em 09/06/2014 12:16

Isadora Vitti escolheu o curso de biotecnologia pela oportunidade de fazer descobertas importantes para tratamentos médicos em laboratório (Carlos Moura/CB/D.A Press ) 
Isadora Vitti escolheu o curso de biotecnologia pela oportunidade de fazer descobertas importantes para tratamentos médicos em laboratório


A população vai envelhecer, o mundo cibernético ficará ainda maior e máquinas substituirão trabalhadores. As mudanças que estão em curso e devem se intensificar nas próximas décadas vão exigir que os profissionais também se adaptem. Quem pretende se destacar no mercado aproveitando essa transição precisa ficar atento às projeções. Segundo especialistas, o setor de serviços e as áreas de saúde e de tecnologia são mais promissores: vão contratar mais e pagar bem no futuro.

Com o uso de máquinas que substituem a força humana, as indústrias devem ficar menores e os trabalhadores migrarão para o setor de serviço. É o que prevê o psicólogo Wanderley Codo, coordenador do laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB). Ele projeta que o atendimento às pessoas em diversas áreas deve prevalecer no mercado do futuro. “A prestação de serviços sempre dependerá de extensiva mão de obra”, observa. Segundo o especialista, a tendência é de que o tamanho das empresas seja cada vez menor. “Serviços que vêm ganhando espaço no mercado podem ser feitos por apenas um profissional especializado. São empresas de um homem só”, afirma.

Um dos setores de prestação de serviços que deve ganhar cada vez mais espaço é o de cuidado com idosos. O envelhecimento da população e o aumento da demanda por serviços especializados vai valorizar formações nas áreas de saúde e de políticas públicas. “Profissionais que sabem gerir atividades sociais para os mais velhos e entender as condições de saúde dessa população serão necessários”, aposta o professor Vicente de Paula, diretor do mestrado em gerontologia da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Hoje, o mercado no Brasil para graduados e pós-graduados na área de cuidado com idosos ainda não é consolidado. A atenção às pessoas mais velhas ficam a cargo de profissionais como cuidadores e auxiliares de enfermagem, que não dependem de nível superior. Esse quadro, no entanto, deve mudar nos próximos anos. “O gerontólogo vai ser responsável pela inclusão da população idosa na sociedade, ao pensar serviços de saúde e até meios de comunicação e aplicativos para os que envelhecem”, prevê Vicente de Paula.

A necessidade de ferramentas de interatividade com idosos reforça as previsões do professor Wanderley Codo para as profissões no futuro. A educação profissional, com instrutores qualificados para o uso dos meios de comunicação, deverá ser valorizada. “O profissional precisará aprender rapidamente para se colocar no mercado de trabalho”, afirma o especialista.

Novidades
O envelhecimento da população é só um dos fatores que vão determinar as áreas de maiores demandas de profissionais. O surgimento de novas doenças e a necessidade do cuidado com as que já existem deixarão o mercado mais atrativo para especialistas em tecnologias voltadas ao serviço de saúde.

Setores como a biotecnologia são novos no Brasil, segundo afirma Ronaldo Costa Pinto, diretor de Recursos Humanos na empresa farmacêutica Amgen. “Por enquanto, a busca é por profissionais de áreas correlatas à farmácia, para que possam aprender dentro da empresa o novo nicho da biotecnologia.”

A chance de descobrir moléculas que podem ser importantes para aplicação em tratamentos empolgou Isadora Vitti, 22 anos, estudante do sétimo semestre de biotecnologia na Universidade de Brasília (UnB). “Desejo trabalhar com descobertas e desenvolver pesquisas em laboratórios”, comenta. A jovem decidiu começar o curso ao ver que tinha aptidão para disciplinas como biologia.

Biotecnologia é uma das áreas que ainda engatinham no Brasil. A perspectiva para o futuro atrai estudantes, mas, há aqueles que não estão tão seguros. Apesar de gostar do curso e da possibilidade de descobertas, Isadora se preocupa com o rumo da carreira. “Aqui em Brasília, vejo um campo ainda muito pequeno para biotecnologia”, comenta. Para Isadora, investir em profissões do futuro é um tiro no escuro. “Como a área ainda está no começo aqui no Brasil, não dá para saber para onde e como vamos.”

Porém, para Costa Pinto, da Amgen, não há perigo: o setor tende apenas a expandir. “O mercado em biotecnologia é crescente e o profissional precisa ter flexibilidade para trabalhar nas diversas possibilidades da área”, afirma. O fato de indústrias de biotecnologia estarem ainda chegando ao Brasil não deve ser motivo de desânimo. “A farmacêutica precisa cada vez mais de pessoas com esse conhecimento”, diz.

As mais cotadas em 2014


Embora o clima econômico do país não esteja tão aquecido quanto o esperado, a procura por profissionais para ocupar cargos específicos continua em alta. Segundo análise feita pela Page Personnel, empresa especializada em recrutamento profissional, a necessidade de otimizar processos e a demanda reprimida por mão de obra qualificada devem estimular a caça por talentos no mercado ao longo de 2014. O relatório levantou sete carreiras promissoras em contratações e salários: analista de finanças, analista de logística, desenvolvedor e programador de tecnologia da informação (TI), executivo de vendas hunter em TI, engenharia de segurança do trabalho, analista de marketing on-line e profissionais de RH em áreas de negócios.

“Ao entrar em contato com clientes e especialistas, perguntamos que carreiras são imprescindíveis para as próximas etapas de crescimento das organizações, e  se esses cargos têm se repetido nos últimos anos”, esclarece o gerente executivo da Page Personnel, Luis Fernando Martins. Ele analisa que essas profissões também estão ligadas aos investimentos feitos no país, como os em infraestrutura, na produção de petróleo e gás e no avanço do comércio eletrônico e de tecnologias. “É possível dizer que são postos relacionados à importância de otimização de processos e diminuição de custos”, ressalta.

Para o presidente da empresa de recrutamento e seleção Elancers, Cezar Tegon, as empresas enfrentam dificuldade em contratar em razão da falta de interesse dos profissionais em se especializar nesses setores. “Não são profissões glamourosas ou atraentes à primeira vista, mas possuem papéis fundamentais no mercado”, argumenta.

Necessários no mercado
Entre as profissões descritas no relatório, destaca-se a de engenheiro de segurança do trabalho. A previsão de aumento nas contratações na área é de 30%. Responsáveis por cuidar de certificações, normas e procedimentos para o bem-estar do trabalhador, esse profissional precisa estar presente quando o local possui mais de 500 empregados e oferece risco constante à saúde.

Patricia Faria dos Santos, 35 anos, é um exemplo de quem percebeu as oportunidades da área. Graduada em engenharia agronômica, ela notou a necessidade de um especialista em segurança do trabalho enquanto lidava com plantio, agrotóxicos e uso de equipamentos protetores.  Cerca de um mês após terminar a especialização, foi contratada. Hoje, a engenheira faz parte de uma empresa que oferece serviços de consultoria ambiental e segurança do trabalho. “Somos procurados para oferecer consultoria tanto nas obras quanto para treinar outros colegas em quesitos de gestão, pois precisamos lidar também com o fator humano. É um serviço com necessidades constantes”, afirma.

A previsão de aumento também é boa para o cargo de executivo de vendas hunter em TI, profissional responsável por negociações de produtos de tecnologia. Alderlan Marinho Milhomens, 40 anos, trabalha nesse setor há 15 anos e explica que, normalmente, o ensino superior não prepara o indivíduo para a área de vendas e que essas habilidades só são conquistadas com o tempo. “É preciso encontrar um profissional de TI que tenha certa inclinação comercial e aproximar essa pessoa de um executivo com mais experiência, para que ele aprenda, com o exemplo, a fazer as atividades.”

Saiba mais
Confira as profissões que terão maior procura este ano

Área    Cargo    Previsão de aumento
        na demanda    
Engenharia    Engenheiro de segurança do trabalho    30%
Vendas/tecnologia da informação    Executivo de vendas hunter em TI    15% a 40%
Tecnologia da informação    Desenvolvedor/programador    20% a 30%
Marketing    Analista de marketing on-line    15% a 25%
Logística    Analista de logística    15% a 20%
Finanças     Analista fiscal    10% a 20%
Recursos humanos    Business partner (especialista de RH em áreas de negócios)    10%

Fonte: Page Personnel

“Não são profissões glamourosas ou atraentes à primeira vista, mas possuem papéis fundamentais no mercado”
Cezar Tegon, presidente da empresa de recrutamento e seleção Elancers

 

 

 

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