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PERFIS DE SUCESSO/ ROSâNGELA ARAúJO »

O que é que a baiana tem?

Ela comanda um dos mais famosos restaurantes especializados em acarajé da cidade. A casa recebe 1,5 mil clientes por semana para saborear o quitute gostoso, sequinho e farto

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postado em 22/06/2014 12:42

Ana Paula Lisboa

%u201CO pessoal sempre vinha perguntando pelo %u2018acarajé da Rosa%u2019. Fiquei conhecida, e foi assim que batizei o meu negócio%u201D (Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press  ) 
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Corre de um lado para o outro, cozinha, conversa com clientes, negocia com fornecedores, orienta garçons, cuida da contabilidade e ainda arruma tempo para dar atenção aos três filhos — de 15, 7 e 6 anos — que ficam no restaurante com ela quando não estão na escola. Essa é a rotina apertada de Rosângela Araújo, 40 anos, que comanda o Acarajé da Rosa, na 210 Norte, há mais de 15 anos. De sorriso fácil, adora uma boa conversa. Não é a toa que, para muitos fregueses, não basta sentar e comer: eles fazem questão de bater papo com a proprietária.

O espaço de 36m² recebe cerca de 150 pessoas diariamente de segunda a sexta-feira e em torno de 400 clientes a cada dia nos fins de semana. A proposta é oferecer culinária com tempero original baiano de preço acessível — fórmula que deu certo. O local serve refeições e petiscos de carne, peixe e crustáceos, além de pastéis, omeletes, sarapatéis, beijus e cocadas. “O acarajé, as casquinhas e as moquecas são os carros-chefes daqui”, conta a empresária.

O segredo do acarajé, segundo ela, é uma massa de feijão de boa qualidade. Alimentos frescos também fazem a diferença. “Compramos muita coisa da Seasa. Os frutos do mar vêm direito da praia. O camarão, por exemplo, é de um fornecedor de confiança de Alagoas.” Moradora da Candangolândia, a baiana quase não descansa. “Até na segunda-feira, em que o lugar fica fechado, resolvo coisas até meia-noite.”

Em Brasília, Rosa trabalha com nove garçons, com o marido, que coordena o atendimento, e com um de seus irmãos, que fica no caixa. A parceria familiar já foi maior. “Sou a segunda de sete filhos. Todos os meus irmãos vieram morar aqui para trabalhar comigo. Depois, cada um tomou seu rumo”, diz. Trabalhar em família, segundo Rosa, é bom, mas difícil. “Volta e meia tem briga porque somos estourados. Mas baiano é um povo tranquilo: não guarda raiva e, rapidinho, fica tudo bem.”

Rosa deve aos laços de sangue muito mais que a parceria: acostumada a fazer e a vender acarajés desde os 12 anos, Rosa aprendeu tudo que sabe fazer com a mãe, que ainda está no ramo. “Até hoje ela faz e vende acarajés na praia de Itapuã, em Salvador. Minha comida é tão boa quanto a dela”, garante. Apesar de já ter feito cursos de cozinha em locais como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) para se aprimorar, a cozinheira não abre mão das raízes e do tempero baiano.

Questionada sobre os clientes daqui, Rosa diz que eles não têm estômago forte. “Brasiliense também gosta de acarajé, mas come menos. Baiano é acostumado a comer acarajé até de manhã, aguenta o azeite de dendê”, compara. Mesmo assim, desde que chegou ao DF, as delícias preparadas por ela a guiaram até a abertura do próprio negócio. “Vim para Brasília aos 23 anos para ter uma vida melhor. Comecei vendendo nas ruas e em restaurantes até conseguir o próprio ponto na 210 Norte. O mais difícil foi arrumar verba para abrir o negócio, ” lembra.

O apelido de Rosa foi dado pelos clientes. “O pessoal sempre vinha perguntando pelo ‘acarajé da Rosa’. Fiquei conhecida e foi assim que batizei o meu negócio”, conta. O segredo do sucesso está em dois pontos principais. “Além da comida de qualidade, com tempero baiano, o contato direito com os clientes faz diferença. Mesmo atarefada, não posso deixar de dar atenção à clientela”, relata.

Na correria do dia a dia, Rosa só lamenta ter pouco tempo para os filhos. “É um trabalho estressante. Não dá para tirar férias todo ano. Faz sete anos que não vou à Bahia.” Apesar disso, compensa. “Gosto de cozinhar e gosto do que faço. Não dá para ficar rica, mas levo com alegria.”

Tropeços
Depois de estabelecer o negócio na Asa Norte, o Acarajé da Rosa chegou à 204 Sul — onde ficou por nove anos — e a um shopping no Setor de Clubes Sul — onde esteve por cinco anos. A falta de profissionais capacitados e outros problemas levaram ao fechamento das duas unidades. “Eu cozinhava para os três estabelecimentos. A rotatividade de garçons  é muito alta. No shopping, quando o proprietário viu que eu estava crescendo, passou a aumentar o valor do aluguel de 3 em 3 meses: comecei pagando R$ 1,6 mil e, no fim, estava pagando R$ 7 mil. Por isso, resolvi fechar. Não dava para aguentar”, lembra. A empresária não pensa mais em expandir. “Eu perdi muito dinheiro. É melhor manter um só lugar com qualidade do que vários pontos sem ter condições”, finaliza.

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