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Correio Braziliense

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Empregos que vêm do campo

O agronegócio reage à lentidão generalizada da economia, apresenta crescimento e gera vagas no Centro-Oeste. Momento é propício para quem deseja ingressar no ramo: há postos de trabalho para profissionais com formação técnica ou superior

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postado em 30/06/2014 09:40 / atualizado em 30/06/2014 12:33

Juliana Espanhol

Formado em gestão do agronegócio pela UnB, Alberto não teve dificuldade para arrumar emprego e, hoje, faz mestrado  (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press  ) 
Formado em gestão do agronegócio pela UnB, Alberto não teve dificuldade para arrumar emprego e, hoje, faz mestrado



O lento crescimento da economia brasileira nos últimos meses parece não ter prejudicado o setor agropecuário: o Produto Interno Bruto (PIB) gerado pela área no primeiro trimestre do ano cresceu 3,6% em relação aos três últimos meses de 2013, em comparação a um crescimento de 0,2% no PIB geral. Além disso, desde o início do ano, mais de 67 mil novas vagas foram preenchidas no setor em todo o Brasil. Foram gerados mais de 13 mil novos postos de trabalho apenas no Centro-Oeste, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Quem estudou para ingressar no setor agropecuário não costuma enfrentar dificuldade para encontrar emprego. Logo após se formar em gestão do agronegócio pela Universidade de Brasília (UnB), em 2011, Alberto Abadia dos Santos Neto, 24 anos, foi contratado pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), em que fazia estágio desde o sexto semestre da graduação. Depois de ter atuado como consultor em alguns órgãos, hoje é mestrando em meio ambiente e desenvolvimento rural pela UnB e presidente da Comissão Nacional de Profissonais e Estudantes de Gestão do Agronegócio (Proega). Para ele, a área oferece muitas portas de entrada. “O profissional atua desde a produção de insumos até o produto que chega ao consumidor. Há uma diversidade muito grande de oportunidades”, disse.

Formada em gestão do agronegócio pela UnB, Maria Carolina Franco, 25 anos, trabalha na área de engenharia de processos da JBS (que detém a marca Friboi), uma das maiores companhias do ramo de alimentos no mundo. Ela ingressou na empresa após um programa de trainee e, pouco mais de dois anos depois, já passou por três unidades da empresa, uma delas no exterior. Maria Carolina passou três meses nos Estados Unidos pela organização. “Sempre soube que queria trabalhar na iniciativa privada, por isso direcionei minha formação para isso”, afirma ela, que também fez estágio em outra grande empresa do ramo: a BRF, que surgiu da fusão entre a Perdigão e a Sadia.

Segundo o coordenador do curso diurno de gestão do agronegócio da Universidade de Brasília, Reinaldo José de Miranda Filho, o momento é propício para quem deseja se inserir no ramo. “O setor do agronegócio é muito movimentado e complexo, extrapola os limites das propriedades rurais e demanda profissionais cada vez mais adaptados a essa dinâmica. Atualmente, há uma grande demanda por profissionais na área de gestão, e esse fato tem facilitado a entrada dos nossos alunos no mercado de trabalho”, avalia. Quem opta por cursos em áreas como agronomia, engenharia ambiental, zootecnia e gestão ambiental, entre outros, também deve se beneficiar do bom momento do setor.

Aprendizado
O curso de gestão do agronegócio da UnB existe desde 2006 no câmpus de Planaltina. Em 2010, foi criado o curso noturno no câmpus Darcy Ribeiro. O aluno formado está habilitado para trabalhar como gestor em empresas agroindustriais, empresas de produção agrícola e empresas de varejo de alimentos. Entre as funções em que pode atuar estão gestor público envolvido com formulação e implementação de políticas públicas de desenvolvimento agrícola e desenvolvimento rural, analista de projetos agroindustriais, entre outras. Além da UnB, a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Universidade Federal Fluminense (UFF) são as únicas universidades federais que oferecerem bacharelado na área.

Há ainda ofertas para treinamento técnico, tanto para quem acaba de ingressar no mercado de trabalho, quanto para quem já tem uma propriedade rural ou um negócio próprio. O secretário executivo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Daniel Carrara, destaca a parceria com o governo federal para ampliar o acesso dos jovens à área. “Essa é uma excelente fonte de renovação no setor. Os jovens que chegam pelo Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) já têm mais contato com a tecnologia e se adaptam facilmente às novidades. É um público muito fértil.”

Em expansão
Nas exportações, o Centro-Oeste se destaca como uma região promissora para a agropecuária. Apenas em maio, Mato Grosso exportou um total de US$ 1,72 bilhão em produtos do ramo, ficando em primeiro lugar entre as unidades da Federação, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Os números de exportação do DF passaram de cerca de US$ 12 milhões em maio de 2013 para mais de US$ 28 milhões no mesmo mês de 2014, o que corresponde a um crescimento de 123% (veja quadro).

De acordo com a coordenadora-geral de Organização para Exportação do Ministério da Agricultura, Aline Gastardelo, o mercado está em expansão. “O Brasil é líder global na produção e exportação de vários produtos agrícolas, como café e açúcar. A ampliação da inserção do país no comércio internacional contribui para o crescimento da oferta desses produtos”.

Três perguntas para
Lúcio Valadão, secretário de Estado de Agricultura e Desenvolvimento Rural do DF

A que se deve a expansão da agropecuária no DF?
Diversos fatores são responsáveis por isso, entre eles o avanço tecnológico. Temos um grande leque de tecnologias disponíveis, como desenvolvimento genético, agricultura de precisão e mecanização agrícola. A ampliação do crédito também é um fator importante: nos últimos três anos, houve crescimento de 170% na tomada de crédito pela agricultura familiar e de 134% pela agricultura empresarial. O DF é uma região diferenciada, com núcleos rurais que têm estradas pavimentadas, energia elétrica, escolas e postos de saúde, que com a estabilidade climática e com a alta produtividade de commodities como soja e milho, permitem um expressivo avanço do setor agropecuário.

Esse é um bom momento para quem quer se inserir ou empreender nesse mercado?

Sim, o campo vive uma ótima fase. No entanto, não há espaço para aventureiros. A pessoa tem que ter característica empreendedora, profissionalismo e conhecer muito bem a área em que pretende atuar. O nível de investimento necessário não permite aventureiros. É preciso conhecer o negócio tanto de dentro, quanto de fora da porteira, estabelecer boas relações de mercado e procurar o apoio de órgãos que prestam assistência ao setor, como a Secretaria de Agricultura, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Federação de Agricultura e Pecuária (Fape/DF).

Quais são as áreas com mais procura e que tendem a crescer no futuro?

O crescimento da população mundial e da renda de países com grande população, como o Brasil, também acarreta o aumento da demanda por comida e, consequentemente, por produção de alimentos. No DF, isso gera boas oportunidades na agropecuária, na qual podemos destacar a agroindustrialização, além de setores como floricultura, piscicultura, produção de leite, fruticultura e cultivos protegidos de hortaliças. No Distrito Federal, a avicultura e o cultivo de grãos são referência por apresentarem altos índices de produtividade, por isso, também oferecem boas oportunidades.

Onde estudar no DF

Universidade de Brasília (UnB)

Oferece curso de graduação em gestão do agronegócio nos câmpus Planaltina (diurno) e Asa Norte (noturno). O curso diurno tem duração mínima de oito semestres, e o noturno, de nove. A UnB também oferece pós-graduação na área. A Faculdade UnB Planaltina (FUP) oferece mestrado em meio ambiente e desenvolvimento rural. Já no câmpus Darcy Ribeiro, a Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV) oferece mestrado e especialização por meio do Programa de Pós-Graduação em Agronegócios (Propaga). Informações: www.unb.br.

Instituto Federal Brasília
Apresenta cursos técnicos integrados em agropecuária e formação de técnico em alimentos. Conta com curso superior tecnológico em agroecologia na cidade de Planaltina, com duração de seis semestres. As formações são gratuitas. Além disso, a instituição é parceira do Pronatec. Informações: www.ifb.edu.br.

Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar)
Oferece cursos de formação profissional rural em diversas cidades do DF. Os interessados podem aprender atividades como apicultura, avicultura e fruticultura nas cidades de Planaltina, São Sebastião e Gama. Todos as formações são gratuitas, e existem cursos de educação a distância. A instituição é parceira do Pronatec. Informações: www.senardf.org.br.

Confira outros cursos superiores pelo site www.emec.mec.gov.br e inep.gov.br.

 

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